<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078</id><updated>2011-07-14T21:43:46.831-03:00</updated><title type='text'>POLZONOFF</title><subtitle type='html'>Todos meus erros descendem do excesso&lt;BR&gt;
não da penúria.&lt;br&gt; 
(Fabrício Carpinejar)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://polzonoff.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>567</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-95084034</id><published>2003-05-30T12:31:00.000-03:00</published><updated>2003-05-30T12:31:55.240-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mudanças&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post é para avisar a todos que a partir de hoje à tarde passo a escrever em outro endereço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.polzonoff.com.br"&gt;WWW.POLZONOFF.COM.BR&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site ainda está em fase de construção, mas já dá para parar de usar o Blogger. Então, por favor atualizem seus bookmarks, seus links e tudo o mais que tiverem de atualizar. Além disso, aproveito para dizer que meu e-mail também mudou. Chega de Yahoo!. Agora, quem quiser uma conversinha de pé d´ouvido comigo é só escrever para &lt;a href="mailto:paulo@polzonoff.com.br"&gt;paulo@polzonoff.com.br&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-95084034?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/95084034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/95084034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#95084034' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-95012404</id><published>2003-05-28T21:11:00.000-03:00</published><updated>2003-05-29T12:38:21.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Racismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para &lt;a href=www.epinion.com.br/chefe target=”_blank”&gt;Claudio Lampert&lt;/a&gt;, que me deve um misto-quente&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha família é inegavelmente racista. Não sei como dizer isso exatamente, mas... não é por mal. Sei que as pessoas da minha família jamais achariam que a escravidão é legítima. E jamais apoiariam coisas como pogroms — que eles nem sabem do que se trata. Sei que não acham os negros exatamente inferiores. Mas são racistas, sim, porque quando o juiz negro apita um pênalti contra o Coxa, ele é mais filho da puta do que os outros. Pelo menos no raciocínio da minha família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível, contudo, estabelecer uma escala de racismo. Seria uma escala extremamente imoral, claro, mas insisto: é possível. Uma pessoa que não se permite entrar num elevador com um negro, por exemplo, é nível 8. Uma pessoa que carrega na mala do carro um taco de beisebol para rachar a cabeça de um negro é nível máximo, 10. Aquele que à noite, numa rua vazia, muda de calçada com medo do mulato de dois metros que vem em direção contrária é, digamos, nível 4. Por fim, ouso dizer que aquele que não hesita em usar o termo preto em vez de negro é nível 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso dizer, mas digo mesmo assim: a tabela não é de modo algum científica. Foi por mim engendrada somente para argumentar que o racismo brasileiro tem nuances. Para quem é vítima do racismo, obviamente que não há a menor diferença entre o nível 1 e 10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que, mesmo cercado por este racismo brando &lt;i&gt;ma non troppo&lt;/i&gt;, cresci dele livre. Diz a lenda familiar que a razão para isso foi a ama de leite que me sustentou quando bebê. Era, claro, negra. E talvez o convívio com negros e mulatos durante a primeira e segunda infâncias, que não me permitiram ver diferenças realmente notáveis tomando por base a cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem argumentar as pessoas que eu só estive em contato com negros na condição de superior. Pagaram a uma mulher para me dar seu leite materno e esta seria uma forma de exploração. Como é uma forma de exploração eu ter tido empregadas domésticas em sua maioria (mas não totalidade) negros. Não tenho, realmente, como refutar este argumento. Nem pretendo, porque ele é inócuo. Estamos no mesmo barco, leitores. Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me da ojeriza que me causou, aos sete anos, a injúria de que foi vítima uma professora do primário, negra, no colégio Madalena Sofia, onde eu estudava. A diretora, irmã Clementina, uma austríaca, revoltou-se até o limite da revolta permitida a uma freira porque um aluno ou aluna (depois ficou provado que foi uma aluna) escreveu na porta do banheiro o nome da professora e ao lado “puta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, eu sou um crítico de coisas como quotas para negros. E da exaltação de fatos que eu acho que deveriam ser corriqueiros, como a nomeação de um ministro negro para o STF, recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso para dizer que não acho que as pessoas sejam iguais. Mas não acho que as diferenças, sobretudo as de cor, sexo, opção sexual ou religião, estabeleçam níveis de valor. Um ministro do STF negro não é igual ao branco, por serem pessoas distintas, com formações distintas, etc., mas não se pode, de modo algum, dizer que sejam diferentes no sentido de um ser melhor ou pior do que o outro, somente porque um é negro e o outro branco. O mesmo serve para as demais “minorias”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são iguais, mas nenhuma diferença justifica qualquer ato de violência, seja verbal, seja física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi com pouco pesar que vi, recentemente, entre pessoas que se autoproclamam inteligentes (estão looonge de poderem ser consideradas assim), manifestações de racismo. Em níveis que vão de 1 a 5 — dentro daquela minha idiossincrática tabela. Uma &lt;i&gt;gentinha&lt;/i&gt;, como gosta de chamar o Alexandre Soares Silva as pessoas vulgares, que acha que o vírus da genialidade é mais propenso a se manifestar em corpos brancos, heterossexuais, masculinos e, se calhar, católico. Racismo, sim, passível, inclusive, de processo. Mas o covarde do autor de tais injúrias explícitas, obviamente, se esconde sob um pseudônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irrita-me ainda mais nesta manifestação de racismo sua identificação com a direita. Sinceramente, se ser uma pessoa com orientação política à direita é sinônimo de ser racista (e covarde), vou me filiar ao PT agora mesmo e marcharei junto à senadora Heloísa Helena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, acho que o que há, neste caso, é a identificação indébita de um conjunto de idéias políticas que vêm sendo defendidas por gente da estirpe de um Merquior (e não Melquior, ignóbil!) e Roberto Campos por uma gentalha absolutamente insegura, que manifesta seu medo diante do gênio alheio por meio destes sofismas de lógica risível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta &lt;i&gt;gentinha&lt;/i&gt; não tem orientação definida. Anda por trilhas obscuras e pantanosas. São racistas e, por assim serem, são abjetos. Sustentam seus ódios e inseguranças com sofismas. Merecem o meu ódio? Há quem diga que mereçam meu desprezo. Não o dou a eles; prefiro gastar as palavras acima defendendo o simples direito da minha anônima ama de leite existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Embuste — o retorno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior embuste da internet de todos os tempos (bah! estou supervalorizando o idiota) está de volta, com o teclado a postos para falar as coisas mais estúpidas que o mundo digital jamais ouviu (estou supervalorizando de novo. Não liguem que hoje estou assim, benevolente mesmo): &lt;a href="http://perplexos.blogspot.com" target="_blank"&gt;Martim Vasques da Cunha&lt;/a&gt;, o baluarte da direita festiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já falei sobre a fraude que este moço representa, com suas citações para boi dormir, seus argumentos engraçadíssimos sobre as coisas mais banais, seu amor por Bob Dyllan (sabidamente um ícone da esquerda, coisa que o moço, em nome do fanatismo, faz questão de esquecer) e seu desprezo juvenil por gente como Isaiah Berlin, que levou décadas construindo um pensamento baseado na inteligência e tolerância, coisas de difícil assimilação para o estômago aristocrata do moço. Talvez eu devesse ficar quieto mas, quer saber?, não fico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me causou nojo foram dois “artigos” que marcam a volta da pena torta aos canos digitais. O primeiro diz respeito ao livro &lt;i&gt;O Mundo como Idéia&lt;/i&gt;, do poeta Bruno Tolentino. O outro, mais absurdo, fala sobre o filme &lt;i&gt;Matriz Reloaded&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o &lt;a href="http://www.perplexos.blogspot.com” target="_blank"&gt;primeiro&lt;/a&gt;, basta dizer que, do alto de sua arrogância cheia de empáfia intelectual, o senhor MVC diz que &lt;i&gt;O Mundo Como Idéia&lt;/i&gt; é “o melhor livro de poesias dos últimos 50 anos”. Para defender tal ponto de vista sobre um livro que, vale lembrar, o autor assumiu ter lido quase que inteiro durante uma viagem de ônibus, da rodoviária para casa, ou coisa parecida, MVC cai no ridículo de criticar uma resenha positiva publicada no caderno humorístico da &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;, o &lt;i&gt;Mais! &lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo: para provar-se mais certo do que os outros, ele critica os elogios e brada: os meus elogios são melhores que os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha opinião sobre &lt;i&gt;O Mundo Como Idéia&lt;/i&gt; eu já as externei. Acho um livro absolutamente magnânimo, mas de difícil assimilação. Falta a lírica em Bruno Tolentino; sobra a forma e o ritmo inerente à composição formal mas, novamente, falta a lírica. O poeta não deixa de ser um tanto quanto anacrônico em seu rigor métrico, mas sua busca pelo Elevado, o que quer que seja exatamente isso, merece louvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está então o risível da história? Repito: os elogios de MVC têm de ser melhores do que os dos outros. E mais exatos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, em se tratando de &lt;i&gt;Matrix Reloaded&lt;/i&gt;, ele compõe &lt;a href=http://www.perplexos.blogspot.com" target=”_blank”&gt;uma verdadeira obra-prima, involuntária&lt;/a&gt;, obviamente, da narrativa arytoledeana. Vale a pena dar uma lida no parágrafo a seguir, que é uma introdução à visão, como direi?, conspiratória, de MVC sobre o filmeco de ficção-científica, tão filmeco que se dá ao direito de ter Keanu Reeves no elenco (os grifos são meus):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Caros perplexos, qualquer um que tenha responsabilidade sobre seus próprios atos e tenha &lt;b&gt;um pouco de caridade&lt;/b&gt; é obrigado - é isso mesmo, a palavra certa é &lt;b&gt;obrigado&lt;/b&gt; - a contar aos próximos &lt;b&gt;a loucura diabólica&lt;/b&gt; que é "Matrix Reloaded". Se o primeiro filme, apesar da violência de videogame, &lt;b&gt;apesar do pensamento epicurista e cartesianista&lt;/b&gt; em dividir o real em duas partes estanques, ainda podia-se acreditar que tudo não passava de mero entertainment, agora o negócio é outro. Em "Reloaded", &lt;b&gt;as intenções dos irmãos Wachowski estão claras e mostram que são os agentes favoritos da Revolução Gramsciana&lt;/b&gt;. O problema é que eles usam e abusam de mensagens subliminares e de estímulos psicossensoriais na estrutura dramatúrgica que impedem o espectador de raciocinar corretamente. Mas, &lt;b&gt;como não sou bobo&lt;/b&gt;, vou tentar explicar aos poucos leitores deste blog (hurray!) quais são as perversidades que a saga de Matrix esconde.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto a vocês, mas meu comentário sobre isso é somente uma sonora gargalhada. MVC não está sozinho, obviamente, neste exercício de análise semiótica travessa. Seu companheiro Álvaro Velloso também é dado a analisar de forma conspiratória filmes de quinta categoria, como &lt;i&gt;O Advogado do Diabo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que me detenho nestes senhores?, vocês podem estar se perguntando. Simples: são estes os tiranos de amanhã. Não falo em tirania política, se bem que não a excluo, mas em tirania intelectual, que é o pior tipo de tirania. Insisto: certas fraudes precisam ser desmascaradas o quanto antes. Dia após dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me obrigado moralmente a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Clássicos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e &lt;a href="http://www.epinion.com.br"&gt;ela&lt;/a&gt; vamos ler os clássicos. Era algo que eu queria há muito tempo: ter companhia para ler alguns livros dos quais se fala muito, mas que sei serem pouco lidos. Trocar impressões, incentivar o outro quando a linguagem causar certo tédio, quando o ritmo não se adequar à nossa infeliz submissão à Era da Imagem. Ela propôs que lêssemos os clássicos da coleção a ser lançada pelo &lt;i&gt;O Globo&lt;/i&gt;, que tem como título inicial &lt;i&gt;Lolita&lt;/i&gt;, de Vladimir Nabokov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista do &lt;i&gt;Globo&lt;/i&gt; é bastante abrangente, mas acho que deixa de fora coisas essenciais. &lt;i&gt;Guerra e Paz&lt;/i&gt;, de Tolstoi, por exemplo. E também &lt;i&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/i&gt;. Por isso, tomei a liberdade de fazer uma lista mínima de 20 livros que podem ser lidos (ou relidos) neste “mutirão”, por assim dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.	&lt;i&gt;Dom Casmurro&lt;/i&gt;,  de Machado de Assis&lt;br /&gt;2.	&lt;i&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/i&gt;, de Machado de Assis&lt;br /&gt;3.	&lt;i&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/i&gt;, João Guimarães Rosa&lt;br /&gt;4.	&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;, de Euclides da Cunha&lt;br /&gt;5.	&lt;i&gt;Moby Dick&lt;/i&gt;, de Herman Melville&lt;br /&gt;6.	&lt;i&gt;Dom Quixote&lt;/i&gt;, de Miguel de Cervantes&lt;br /&gt;7.	&lt;i&gt;Hamlet&lt;/i&gt;, de Shakespeare&lt;br /&gt;8.	&lt;i&gt;Rei Lear&lt;/i&gt;, de Shakespeare&lt;br /&gt;9.	&lt;i&gt;A Divina Comédia (Inferno, Purgatório e Paraíso) &lt;/i&gt;, de Dante&lt;br /&gt;10.	&lt;i&gt;Guerra e Paz&lt;/i&gt;, de Tolstói&lt;br /&gt;11.	&lt;i&gt;Ana Karênina&lt;/i&gt;, de Tolstói&lt;br /&gt;12.	&lt;i&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt;, de Dostoiévski&lt;br /&gt;13.	&lt;i&gt;O idiota&lt;/i&gt;, de Dostoiévski&lt;br /&gt;14.	&lt;i&gt;Fausto&lt;/i&gt;, de Goethe&lt;br /&gt;15.	&lt;i&gt;O Homem sem Qualidades&lt;/i&gt;, de Robert Musil&lt;br /&gt;16.	&lt;i&gt;Os Miseráveis&lt;/i&gt;, de Victor Hugo&lt;br /&gt;17.	&lt;i&gt;Ilusões Perdidas&lt;/i&gt;, de Balcaz&lt;br /&gt;18.	&lt;i&gt;Cem Anos de Solidão&lt;/i&gt;, de Gabriel García Márquez&lt;br /&gt;19.	&lt;i&gt;O Estrangeiro&lt;/i&gt;, de Albert Camus&lt;br /&gt;20.	&lt;i&gt;Viagens de Gulliver&lt;/i&gt;, de Swift&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATENÇÃO: esta lista é absolutamente idiossincrática e aleatória. E serve apenas como sugestão. Propus-me a indicar apenas 20 livros e o fiz sem método algum. Ocorre-me agora que pode (deve?) ser incluído na lista James Joyce, Oscar Wilde, Borges e Kafka.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-95012404?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/95012404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/95012404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#95012404' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94898687</id><published>2003-05-26T12:05:00.000-03:00</published><updated>2003-05-26T13:32:06.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Antes do fim – edição revista e ampliada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para minha namoradinha&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história começa antes do fim, como toda história. Algumas histórias parecem começar depois do fim, mas não são as histórias, e sim &lt;i&gt;outras&lt;/i&gt; histórias. Antes do fim não existe esta palavra: fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim quase todas as palavras existem (exceto fim) e elas são artesanais. Depois, se fim houver e não haverá, elas se tornam industrializadas, como que acondicionadas em papelotes de alumínio e entregues na casa do outro por um boy que, naquele dia, se esquece de usar desodorante. Antes do fim, ele jamais se esquecerá de usar desodorante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim existe o toque e o toque é exagerado. O toque leva a tarde inteira para se tornar, de fato, o toque. Funciona como uma soletração: pela manhã bem cedinho é o tê; durante o café é o ó; um pouco antes do almoço é o quê; depois da refeição e por toda a tarde é um ú bem curvilíneo; à noite é um é. Um é que se prolonga sem medo até o nascer do sol, que novamente traz o tê, o ó, o quê, o ú curvilíneo e o é prolongado. &lt;i&gt;Ad infinitum. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim, existe a certeza. Os passos são firmes e deixam pegadas no calçadão. Também a risada deixa um rastro de certeza e bom hálito por onde passa. Antes do fim, as dúvidas todas giram em torno do tamanho da certeza. Depois do fim, a dúvida é outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim, se a gente se olha, não se descobre. Porque antes do fim não existimos senão em nossas fantasias. Antes do fim somos isso: fantasias ambulantes. Depois, podemos até nos tornar seres concretos. O pé, a perna, o púbis, barriga, tronco, pescoço, braços e, por último, a cabeça. Cada qual com a sua. Mas isso é depois do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim, existe a responsabilidade do outro. E ela é leve e pequena, possível de se carregar uma bolsa de madame. Antes do fim, também nesta bolsa cabem cuidados extremados, aceitação feliz, crença de sobra e um buquê de flores do campo enormes. Antes do fim, porque depois é preciso um contêiner só para carregar as responsabilidades do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim existe a nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim a água escorre. O piso do banheiro quase se transforma num oceaninho. E a água nos lava ao mesmo tempo em que nos sujamos de percepções regeneráveis. A água escorre solta e deixa marcas de cabelo no branco. Antes do fim, isso: existem cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim existe a saudade. E a saudade, antes do fim, é como um foco de incêndio que necessita de cuidados extremos de uma verdadeira trupe de bombeiros. Empunhando mangueiras, andamos pelas ruas, cada qual com o seu sol, prontos a apaziguar a saudade. Depois do fim, se fim houve, vai fazendo frio e o fogo da saudade não incomoda mais. Se fim houver e não haverá, haverá um dia em que será até necessário uma centelha. Mas isso é depois do fim. Que fim não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do fim, viajamos para dentro de nós mesmos, em abraços capazes de durar horas. Antes do fim, um entra no umbigo do outro, percorre veias, nervos, ossos e cartilagens, sem contar as glândulas. Fica lá dentro, fazendo cócegas, procurando a alma alheia. Antes do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que pode haver o fim. O derradeiro momento, incerto, sempre. Detectável somente com o passar do tempo. Antes do fim não há o tempo, mas há tempo de sobra, o que não deixa de ser um paradoxo interessante. O fim é uma enorme fenda que se abre nos diálogos do mundo. É um silêncio preenchido com mágoas. O fim é uma dor seca, um clichê que envolve o pescoço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em chegando e se decretando o fim, dá-se início a outra história, sem os contornos de imaginação da ladainha original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não haverá o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Feitiço diário&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para minha namoradinha&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri, dia desses, que sou um bruxo. Ou melhor, um mago. E que meu feitiço diário é uma poção completamente fracassada. Ainda assim, eu tento. Misturo os ingredientes com a devoção cega de um homem em direção ao abismo. Tento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não uso, para tanto, olhos de cobra, patas de lagarto ou asas de morcego. Muito menos pêlos de aranha ou antenas de barata. Sou um mago limpo. E meu feitiço, para se ter uma idéia, nem água vai. Ops! Talvez esteja aí o defeito: esqueci de pôr água no caldeirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que caldeirão não existe. Nem colher de pau e nem vara de condão. Outro dia, peguei uma vassoura, fui para a varanda e quis voar. Fiquei com medo, recuei e varri o chão. Mas isso foi outro dia, um dia em que o feitiço degringolou de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Produzo minha poção de vida um pouco antes de acordar. Naquele momento limboso em que o corpo tenta se ajustar à alma que vem de caminhadas noturnas pelo além. Vasculho nas gavetas do meu corpo atrás dos frascos, sempre os mesmos, todos os dias. E para cada parte da poção, tenho de fazer uma escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas opções por gaveta. Na primeira, que fica próximo ao coração, a escolha é óbvia: amor ou ódio. O amor é um franco grande e sem muitas nuances. Se bem que é bom pegar do fundo do pote, onde ele é mais denso. Já o ódio é um monte de bolinhas de várias cores. Cada qual representa um aspecto do ódio, do ressentimento à mágoa, passando, inclusive, pela violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espalhados em gavetas pelos corpos estão outros frascos da dualidade humana: há uma que encerra o peso da alma e a leveza. Outra com o riso e o choro. Outro com a fé e a descrença. Outro ainda com a entrega e o egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gavetinhas menores, entre os dedos da mão, contém dois frasquinhos menores, mas não menos importantes, de coisas como preguiça e disposição, sovinice ou generosidade, estas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O difícil é, no entre-sono, entre-vida, combinar todos os ingredientes de forma satisfatória. O que significaria um gosto de menta, com posterior hálito refrescante; outros efeitos do bom feitiço (que nunca é perfeito) é a cabeça erguida, o sorriso franco, a voz serena, os olhos apenas úmidos de lágrimas eternas e a incrível sensação de bem-aventurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordo, porém, depois do feitiço pronto e bebido pela alma que vagou lépida durante a noite, esqueço da combinação da noite anterior. Desastrado que sou, às vezes coloco uma pitada de ódio com outra de fé, generosidade, preguiça, leveza. O gosto é azedo e a azia é insuportável. Há dias, porém, em que o acaso se faz benevolente: exagero no amor (o mais doce dos ingredientes), na leveza, na generosidade, na disposição, na entrega. E quase levito ao passar pelas pessoas na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imprevisível será a mistura de amanhã. Há combinações externas que também mudam o efeito da poção. Um dia de sol pode muito bem aniquilar os efeitos da mágoa. O frio, por outro lado, pode tornar pesaroso o amor e catalisar a preguiça. Um vento que bata no fogo d´alma pode desandar tudo. E a simples visão de um sorriso alheio pode transformar todas as propriedades dos ingredientes, que passarão, então, a agir de forma independente do mago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso são histórias de uma alquimia pessoal, de difícil compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, acordei sentindo na boca um doce mais doce do que os dias normais. Levantando-me da cama, cheio de preguiça por causa do frio, fui comer sal para aniquilar um pouco o enjôo que o açúcar me causava. Entrando no banho, senti que seria bom dar um beijo em alguém e que, melhor do que isso, seria bom dar um abraço em alguém. Ensaboei-me rindo de uma felicidade estranha, mas não saí do chão, como eu gostaria. Levitar é a melhor sensação do mundo, ainda mais quando se sabe que se é um mago de combinações aleatórias. Saí do banho e senti um vento muito, muito frio. Vi que empapava a poção. Vasculhei os bolsos do corpo, na esperança inútil de um frasco à mostra de resignação. Encontrei farelos, apenas, que catei com cuidado e pus sob a língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro. Sou um mago desastrado e inábil. Mas respiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Luto tardio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz mais de uma semana que morreu Jamil Snege. Não, eu não conhecia Jamil Snege, apesar de saber que ele era um grande escritor e apesar de ele morar em Curitiba, não muito longe de mim. Tive com ele, na verdade, dois contatos por telefone. Apenas. Nem uma entrevista, nem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lera Jamil Snege ainda adolescente. Sua autobiografia &lt;i&gt;Como Eu Se Fiz por Si Mesmo&lt;/i&gt;. Na época, eu estava empolgado porque logo entraria para a faculdade de jornalismo e teria aula com o escritor Cristóvão Tezza, que havia escrito &lt;i&gt;Trapo&lt;/i&gt;, livro que fez minha cabeça aos 14 anos. Qual não foi minha surpresa ao ler Snege dizendo que Tezza era somente um menino punheteiro (com estas palavras) querendo fazer literatura. Ou coisa assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela época, eu levava literatura a sério. E tinha esta horrível postura de fã diante do escritor. Senti uma ojerizinha pelo escritor do qual eu só ouvira falar, não sei da boca de quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi a minha surpresa ao receber, no primeiro dia de aula com Cristóvão Tezza, uma lista com 50 livros de leitura sugerida e, entre eles, &lt;i&gt;O Jardim, a tempestade&lt;/i&gt;, de Snege? Mesmo assim, não li nada do autor até ano passado, quando me deparei com &lt;i&gt;Viver é Prejudicial à Saúde&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, porém, conheci o Wilson Sagae, um japonês louco de inteligente, que era amigo de Snege, a quem chamava carinhosamente de O Turco. Conversa vai, conversa vem, o japonês me disse que O Turco queria me conhecer, tomar um café, debater talvez. Por esta época, eu associava, não sei por quais vias, o nome de Snege ao de Leminski. E todos sabem do problema que é ser, em Curitiba, contra o poeteco das araucárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para o Jamil neste dia. Foi meio patético, na verdade. Eu queria marcar um café com ele. Mas a conversa, brevíssima, se encaminhou para outro lado e eu perguntei se el também não gostava de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não tenho nada contra você. Ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café não aconteceu. E o tempo, como sempre, passou. Até que este ano eu tentei mais uma vez travar contato com Jamil Snege. A má impressão (falsa, diga-se de passagem) causada pela autobiografia que atacava o ídolo da minha juventude já havia se dissipado. Vigorava em mim a admiração um tanto quanto surpresa causada por &lt;i&gt;Viver é Prejudicial à Saúde&lt;/i&gt;, pequeno romance de extremo vigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi graças à minha namorada. Influenciada por um amigo paulistano, ela queira conhecer Snege. Eu tinha seu telefone (aliás, disponível em qualquer um dos seus livros) e tentei desesperadamente ligar para ele e marcar um encontro. Era um domingo, porém, e ninguém atendeu na Alberto Folloni. O projeto, pois, foi abortado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamil já estava doente. E, de algum modo, eu sabia que o tempo já se tornava curto. Achei que viria o dia em que conheceria (ia, ia, ia – horrível!) o Turco quando dei uma entrevista, há cerca de um mês. Foi-me anunciado que ele estaria lá para me fazer perguntas. Logo a mim, que tinha tanto para perguntar a ele. O que poderia Jamil Snege querer saber de mim? O que tinha eu de importante para falar? A resposta é óbvia: nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia marcado, porém, Jamil não pôde ir. Sofria os efeitos do tratamento contra o câncer que o acometia. Falou com uma dignidade que não descreverei aqui. Porque a dignidade mostrada por Jamil naquele dia, se narrada por mim, soaria, bem sei, indigna. Seria assim como uma piada de boteco que eu não queria contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu relacionamento com Jamil inclui ainda um exemplar de &lt;i&gt;Os Verões da Leitoa Branca&lt;/i&gt; devidamente autografado para a namorada. Pedi a ele que fizesse esta gentileza, que ele não me negou. Por isso, posso dizer que o Turco me deu duas coisas das quais não me esquecerei: a impressão camusiana de &lt;i&gt;Viver é Prejudicial à Saúde&lt;/i&gt; e o belo sorriso de agradecimento daquela que amo, ao receber um livro autografado pelo escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tonelada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fenômeno estranho, este que me acomete: quando mergulho na arte, depois de ir bem fundo por algum tempo, em vez de ser o mais leve dos homens, andando sobre as águas ou até mesmo levitando nos momentos mais tenebrosos da existência, me torno pesado, lerdo, assombrado. Uma tonelada de elucubrações estéticas passa a fazer parte das menores coisas da minha vida. No Passeio Público, procuro o pelicano e vejo um poema de Shakespeare (não me pergunte qual; é só figura de linguagem). Na rua a mulher bonita me evoca a Beatriz de Dante. Uma conversa ao telefone com a mulher amada me faz um leitor de Lucrécio. As nuvens de chuva e o frio me sugerem cenários bíblicos, de conversa de pé de ouvido com Deus. Tudo vira um épico não escrito, um romance que nem Tolstoi ousou, tamanha a complexidade, uma frase com mais pontos-e-vírgulas do que as escritas por Proust, um enorme neologismo não ousado por Rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que descubro que há redenção para tudo isso. Que a apreciação estética não tem o menor sentido na vida se não houver uma única voz a dizer que o futuro é um enredo sendo escrito ainda, por um poeta cuja métrica é tão perfeita que não me é compreendida na totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É diante da sobrevivência que me desfaço do peso e passo a levitar diante das agruras cotidianas. Se por um lado a arte me dá uma compreensão suprema da morte, este instante mágico, por outro basta um vento de palavra para eu compreender a vida, sinfonia cuja regência, mesmo sem compreendê-la, admiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Besteirol&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não comentei aqui, por absoluta falta de tempo, a leitura da peça &lt;i&gt;A Mecânica da Ocupação Não-Natural&lt;/i&gt; dos espaços, da senhorita Paula Foschia. Minha viagem ao Rio de Janeiro, na semana passada, para ver na voz de atores um trabalho que eu já conhecia de leituras me rendeu mais do que boas gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça me fez pensar, claro, no teatro besteirol. Porque, como primeiro exercício de dramaturgia, a autora se deteve na insanidade do cotidiano e na força cômica ainda residente nos palavrões para dar voz a três personagens, Kleo, Marisa e Ellen. A opção é mais do que abusada, sobretudo para alguém como a Paula, que está buscando se firmar como escritora. Isso porque as pessoas obviamente vêem com olhos oblíquos alguém que escreva uma comédia besteirol, a não ser, claro, que você seja o Falabella ou tenha sido o Mauro Rasi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero se sobrepõe à peça, o que é uma pena. Para mim, o importante, em teatro, é que se cumpra o propósito. Por isso, se a comédia de Paula Foschia fez rir, cumpriu aquilo a que se propôs e estamos conversados. Não estamos diante de um Shakespeare que fez rir sem querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a obra de Paula Foschia, claro. Ela sabe que &lt;i&gt;A Mecânica... &lt;/i&gt; foi o primeiro exercício (e que exercício!) de alguém que sabe escutar as pessoas e que, melhor, sabe reproduzir com eficiência os mais absurdos diálogos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem interessar possa, fiquei sabendo que a autora, bastante satisfeita com o resultado de sua peça de estréia, que nem encenada de fato foi, já está engajada em outro projeto — e que projeto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi só um teatro besteirol de qualidade, produzido por alguém jovem e, com a graça de Deus!, despretensiosa (ao menos neste momento da carreira), que a leitura da peça me ofereceu. Porque conheci quatro atores e um diretor que redimiram todos os diretores e atores que eu conheci na vida e que eram uns boçais idiotas sem talento. Podem até não ser prodígios do teatro brasileiro, mas são, com certeza, um deserto nesta imensidão de vaidade (dá para entender a comparação estranha?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotem os nomes: Priscila Assum, Rafael Carvalho, Lúcia Pardo e Dila Guerra. E além disso anotem o nome do diretor Fábio Fernandes. É gente mais do que competente, que tem aquela centelha de arte no rosto. Podem se equivocar aqui e ali. Mas tem algo que eu estimo em qualquer pessoa que se pretenda a artista: uma semi-ausência de vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei alguns ensaios da peça. E desde então voltei a achar que teatro vale alguma coisa. A peça é uma comédia sem propósitos filosóficos mas, ora, com que vontade eles fizeram as pessoas rirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é tudo o que eu tenho para falar sobre isso, por ora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Profeta&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo, na verdade há muito tempo, uma pessoa me disse que eu tinha ares de profeta. Nada a ver com a minha barba, que é rala demais, nem com uma erudição que não tenho e uma fé que me falta. Eu teria dons de profeta simplesmente porque o que escrevia num dia era capaz de se tornar realidade no outro. Uma besteira, claro. Mas hoje eu me lembrei disso e achei por bem deixar registrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para sempre é sempre por um triz&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque, na música Beatriz, escrita em parceria com Edu Lobo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94898687?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94898687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94898687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94898687' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94747565</id><published>2003-05-22T15:10:00.000-03:00</published><updated>2003-05-22T15:11:01.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Concordata&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.historiadelpais.com.ar/images/fabrica.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fábrica de textos do titio Polzonoff decretou hoje concordata. Incapaz de cumprir os prazos junto a seus fornecedores e clientes, ela deu férias coletivas a seus milhares de funcionários e pediu no mínimo uma semana para voltar às atividades normais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94747565?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94747565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94747565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94747565' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94698333</id><published>2003-05-21T15:52:00.000-03:00</published><updated>2003-05-21T18:58:49.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2a. edição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas coisas que a gente escreve merecem uma segunda edição. Não que ela seja bela ou interessante o suficiente para os que nos lêem. Estas coisas precisam de uma segunda edição para a gente. O texto abaixo eu o tatuaria no corpo, não fosse extenso demais. Eu queria era estar Sábio e Resignado, Sábio porque Resignado, novamente. Mas isso demora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ladainha da resignação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é absolutamente frágil. Amor, amizade, emprego, família. Tudo é mantido em uma harmonia mínima graças à resignação. A resignação é um botãozinho difícil de ser encontrado no corpo humano. Porque fica nas costas, naquele lugar ínfimo entre as omoplatas que a gente tenta coçar, mas não consegue. A resignação é sábia. E é o que torna possível, em determinado momento, conciliar o amor, a amizade, a família e o emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema todo é que, durante o sono, a gente pode, sem querer, resvalar no botãozinho da resignação, desligando-o. A gente nem se dá conta. Vai dormir, sonha com pássaros e gira-sóis cor-de-rosa em chifres de unicórnios alados e quando acorda, já à primeira fala com a mulher amada, com o amigo querido, com o chefe ou com o irmão, descobre que algo não está certo. O oi da namorada o atinge de uma maneira incômoda; o bom-dia do amigo soa como uma maldição; a ordem do chefe torna-se pesada e impossível; e o pedido de desculpas do irmão surge como um insulto. Viver torna-se muito mais difícil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não comigo. Durante os últimos treze anos vivi com o botãozinho da resignação desligado. Na verdade, eu nem sabia o que era resignação. Foi há pouco tempo que olhei no Dicionário Ilustrado do Dr. Drus e descobri o significado da dita e a sua localização exata no corpo humano. Há uns seis meses, creio. Antes disso, eu era extremamente vulnerável à palavra alheia, seja ela da namorada, do amigo, do chefe ou do irmão. Posso dizer que a descoberta da resignação foi um milagre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como também foi um milagre eu ter vivido tanto tempo dando demasiada importância às coisas pequenas da vida, ditas e vividas por aqueles que me cercam. Não foi, porém, um milagre colorido de filme que passa na Sexta-feira Santa. Pelo contrário, foi um milagre em preto-e-branco, de carnes pendentes e com um cheiro incrível de atum — que eu odeio. Tanto é assim que nos últimos treze anos eu quis muito morrer. Afinal, pobre de mim, não podia ouvir um eu-te-amo, um eu-o-admiro, um você-é-um-gênio ou um vem-cá-me-dá-um-abraço sem achar que estava escutando eu-te-desprezo, você-é-a-pior-pessoa-do-mundo, seu-idiota, calhorda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pensamentos a respeito da morte, contudo, não eram levados a cabo. Nunca o foram. Eu até digo para as pessoas que um dia tentei me matar, mas é um exagero. Afinal de contas, ficar catatônico por algumas horas, pensando que não vale a pena comer o pudim de leite na geladeira não é exatamente uma tentativa de suicídio. É mais força de vontade de alguém que, em determinado momento, olhou para baixo e achou que por causa da barriga protuberante seria incapaz de apertar o botãozinho da resignação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se entender como é absolutamente indispensável que se saiba tocar nesta parte desprezada do corpo que possibilita a convivência em sociedade, basta dizer que eu acordava pela manhã, olhava o sol e pensava: “Bom dia para morrer”. Não era um pensamento rancoroso, veja bem. Nem motivo havia, na verdade. Era só um desejo motivado pela incapacidade de se resignar. Aí eu tomava um banho e pensava que o cano do chuveiro bem que poderia agüentar o peso de uma corda e o meu pescoço. Sentava no box e com a bunda tapava o ralo para ver o banheiro inundar e me afogar. Saía do banho incólume e ia trabalhar, sem olhar para os semáforos. Preferia olhar para o céu, em busca de um meteorito que atingisse em cheio minha cabeça. Em chegando ao trabalho, ileso, começava a fuçar nos fios do computador, na esperança de um choque. Ficava mirando a porta o tempo todo, na expectativa de que entrasse um colega louco armado de uma metralhadora, como no noticiário da noite anterior. No almoço, agradecia aos céus pela comida que eu queria estragada e letal. Ia para casa, sem olhar os semáforos, e passava em frente a uma loja de armas. Cogitava entrar, mas não entrava, e no resto do trajeto, sem olhar os semáforos, eu pensava na sensação de ter uma bala perfurando o crânio. O que pensa o suicida no átimo que antecede a morte? Ou melhor, o que pensa ele no último resquício de vida? Eram respostas que eu queria ter, porque meu botãozinho da resignação estava desligado. Chegando em casa, ia para a varanda do décimo quinto andar, olhar a queda que eu não tinha coragem de cair. Invariavelmente cansado, dormia e imaginava que um louco de filme americano bem que poderia surgir no quarto com um machado e decepar minha cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim por longos treze anos. Só Deus sabe quantas mortes eu morri, não morrendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que um dia, por acidente, meu botãozinho foi acionado. E a resignação passou a fazer parte do meu dia-a-dia. As palavras não tinham mais peso e mesmo aquelas que eram de fato proferidas com peso a mim chegavam como plumas. Eu respondi ao abandono da namorada com um corte de cabelo e um cento de cartões profissionais encomendados na gráfica da esquina; ao desprezo do amigo respondi com um bombom de chocolate e dois banhos no meio da tarde; às broncas e ameaças do chefe respondi com uma piada sobre portugueses e uma receita de miojo frito; e ao insulto sem sentido do irmão respondi com ciranda-cirandinha e um ovo de papagaio. Nada para mim fazia sentido neste mundo de palavras inexatas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando digo nada quero dizer isso: nada. Desde então. Era para eu ter tido uma recaída, claro. E para meu botãozinho da resignação ser desligado de vez em quando. Era para voltar a pensar na morte rápida e auto-infringida. Nada disso aconteceu, porém. E a explicação é muito simples: durante treze anos eu morri mortes dispensáveis, por motivos absolutamente tolos. Estou em crédito com o Divino, pois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em sofrendo agruras cotidianas hoje (a namorada, o amigo, o chefe e o irmão) me dei conta disso: a resignação é que salva a minha vida. E que torna possível o sorriso permanente que estampo no rosto dia após dia. E que torna fácil o sono de todas as noites. E que permite que o arroz-com-feijão desça sem problemas estômago abaixo. Sou, pois, um Sábio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Sábio, claro, tem suas desvantagens. Ou melhor, saber-se Sábio é que as tem. Porque Deus não permite que homens sábios andem pela terra, disputando a sapiência com Ele, o Grande Resignado. Logo, em pouco tempo os sonhos de morte do passado haverão de se tornar realidade, pelas mãos dEle. Por isso, olho para os semáforos duas ou três vezes antes de atravessar a rua, na faixa, claro; ando protegido por uma grossa placa de chumbo contra meteoritos assassinos; tranco o quarto com cinco voltas na fechadura para impedir que um maluco me decepe a cabeça; e trabalho com colete à prova de balas, porque temo os colegas não-resignados e não-sábios. Deus, contudo, me espreita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vou pegar um avião. Resignado, feliz e temeroso de estar sendo perseguido pelo Altíssimo, que não gosta de gente como eu, Sábia-e-Resignada, Sábia porque Resignada. Lá no alto, sobre as nuvens, mais perto dEle, tratarei de convencê-Lo de que sou indispensável na Terra. Não só porque quero poder tomar um café às sete da noite ao lado do Dalton Trevisan, mesmo que ele não me cumprimente; nem só porque quero poder admirar mais uma vez a Ponte Vecchio; e claro que não vou convencê-Lo de que sou indispensável por aqui só porque acho o sorvete do McDonald´s simplesmente o de consistência mais perfeita do Universo. Como argumentos, vou usar a namorada, o amigo, o chefe e o irmão, para os quais ainda tenho de ensinar, nos momentos que antecedem a morte, que o grande sentido da Vida (que tive o prazer de descobrir cedo demais) é o de resignar-se diante do abandono, da perda, do desprezo e da traição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se Deus vai dar ouvidos às minhas palavras tolas. Fico imaginado que no Céu de nuvens branquíssimas e fofíssimas vou ter de pedir ao contra-regra um monitor colorido, para que Deus veja a namorada de mãos dadas comigo, andando pelo Passeio Público, vendo o pelicano que dorme encolhido, e me olhando súbito e pensando que, apesar de tudo, a vida vale muito a pena porque tem a mim, o Sábio resignado (e eu a ela, claro). Quero que Deus veja o amigo, me olhando com os olhos cheios de lágrimas, pedindo palavras que não sei dar, mas que com minha piada fácil sobre um vendedor de sapatos gay se transformam numa gargalhada cheia de euforia. Paro, converso com Deus um tiquinho mais e mostro o Chefe, que num dia cinza não vê sentido nenhum no que está fazendo, até que me percebe resolvendo um problema de R$ 5 milhões com um sorriso de Bozo no rosto. E, por fim, mostro a Deus o irmão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crente de que vou conseguir convencer Deus a permitir que um Resignado desgarrado de Seus domínios permaneça ainda por alguns dias na Terra, sigo viagem, preparando-me já para o baque da aterragem já, atravessando nuvens, vendo lá embaixo um lugar que não é o Paraíso onde Deus se senta para tomar as decisões enquanto alisa as costas de um gato persa e come uma fatia de melão, mas que em muito com ele se parece, cantando, assim como quem não quer nada, uma das músicas dos anjos do Senhor: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Minha alma canta&lt;br /&gt;Vejo o Rio de Janeiro&lt;br /&gt;Estou morrendo de saudades. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a alegria, também, dos demais passageiros. Que não sabem de nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94698333?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94698333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94698333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94698333' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94641077</id><published>2003-05-20T13:59:00.000-03:00</published><updated>2003-05-20T14:04:46.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O McMico do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.mcdonalds.com/img/mc_logo_med_bak.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos eu e o &lt;a href="http://cracatoa.blogspot.com"&gt;Alessandro&lt;/a&gt; conversando. Eu já estava pensando em pedir demissão, quando me atrevi a explicar para ele o porquê disso. Eu queria algo que me desafiasse mais. Brincando, obviamente, disse que iria pedir emprego no McDonald´s. Muito mais desafiador do que o jornalismo seria vender BigMacs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pedi demissão de verdade, resolvi começar a escrever a saga de um "crítico" (muitas aspas, por favor) que começava uma brilhante carreira de gerente numa filial da maior cadeia de lanchonetes do mundo. Houve quem acreditasse e eu não fiz questão nenhuma de desmentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário. Continuei escrevendo como se tudo fosse verdade. Não só para ver até onde iria minha imaginação nesta coisa toda, como também para ver qual seria a reação das pessoas. Foram muitso os que acreditaram que eu realmente tinha abandonado o jornalismo para virar gerente de lanchonete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estava ficando cansado de escrever aquela história besta. Comecei a ficar preocupado. Minha dúvida era como eu derminaria aquilo. Obviamente que teria de pedir para sair ou então teria de aprontar uma confusão imensa (mas verossímil). Não estava com saco para continuar o affair imaginário com Cássia nem nada. Por isso, resolvi inventar coisinhas absurdas, para ver até onde ia a credulidade dos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiz isso por mal. Desde que recebi alguns e-mails me perguntando se a história era verdade, percebi que eu tinha algo bom em mãos, que me instruiria na magnífica arte de ler blogs. Ou seja, escrevendo aquela história eu entenderia como funciona uma "literatura de blog". Não importa o quâo inventivo se seja (não é o caso), tudo o que você disser, em um blog, será tido como verdade e experiência pessoal. A premissa do blog é que tudo é real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gota d´água na história do McDonald´s foi o e-mail de um leitor que, sabendo se tratar de uma história ficcional, disse que ela lembrava a experiência de Bukowski nos Correios. Ser comparado com Bukowski era tudo o que eu não queria nesta vida. O leitor depois consertou, dizendo que era só uma lembrança vaga, coisa e tal. Mas o trauma ficou. Era hora de acabar com aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, ainda juntei forças e escrevi mais uma parte do McDiário. Nela, Cássia-Kátia me assediaria sexualmente. Eu seria visto nos braços da atendente-ninfomaníaca e receberia severas críticas do gerente sênior, Arilson Passos. Seria o começo do meu fim como gerente no McDonald´s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas escrevendo isso eu percebi que teria de me alongar por pelo menos mais uma semana. Não estava com espírito para tal. Tomando banho, então, tive a brilhante (ou não) idéia de inventar a história do e-mail do departamento jurídico do McDonald´s. Mas mantive a farsa: disse que, diante do e-mail ameaçador, pedi demissão ao sr. Passos, Arilson Passos. E ainda acrescentei que os funcionários do escritório de advocacia eram uns incompetentes por não terem encontrado meu nome entre os funcionários e trainees.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi minha surpresa, hoje, ao me deparar com &lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/05/255048.shtml" target="_blank"&gt;meu texto usado pelo site Mídia Independente&lt;/a&gt;. O site, coordenado por gente de esquerda, que odeia tudo o que lembra ainda que remotamente o capitalismo, usava minha ficção como prova da força do McDonald´s. Para eles, isso devia soar como "o imperialismo ianque cala o artista", ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais engraçado da história é que o site Mídia Independente, assim como seus similares Mídia Sem Máscara e Observatório da Imprensa, prega o jornalismo científico, sério, moral, ético (use o termo à sua escolha). Ora, mas eles não foram capazes sequer de me mandarem um e-mail perguntando se era mesmo verdade ou querendo mais detalhes! Tomaram como verdade uma história inventada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, para que todos entendam, vou dizer me devagarinho: eu.... não.... estou.... trabalhando... no... McDonald´s.... Eu... jamais... levei... meu... currículo... para... gerente... algum.... Nunca... tive... contato... com... Cássia... alguma..., Arilson... Passos... algum... Ou... Adalton... Ramos... Tudo... era... ficção... Ficção... ruim... mas... ficção....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuo adorando um Big Mac e principalmente uma tortinha, de banana ou maçã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94641077?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94641077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94641077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94641077' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94603186</id><published>2003-05-19T19:56:00.000-03:00</published><updated>2003-05-20T14:00:57.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;McDiário — I quit! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.mcdonalds.com/img/mc_logo_med_bak.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje recebi um e-mail. Ele falava por si. Não o reproduzo aqui porque ele é longo demais e escrito naquela linguagem dos advogados que a mim é praticamente ininteligível. Quando cheguei em casa, abri a caixa-postal e li o que estava escrito, quase caí de costas. Liguei imediatamente para meus amigos advogados. Tremi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, depois de algumas horas de conversas, acalmei-me em saber que o que eu recebera não passava de um aviso. Mas que não era bom eu passar por cima destes avisos, porque eles só são feitos depois que algo maior está sendo elaborado. Não vou parar para pensar neste algo maior, mas vou acatar o conselho dos meus superamigos da Sala de Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O e-mail com remetente de um grande escritório de advocacia de Curitiba fazia menção a (i) uso indevido da logomarca; e (ii) algo a ver com falsidade ideológica. Pelo que eu entendi, depois de consultar dicionários e advogados (nesta ordem), alguém no departamento jurídico do McDonald´s achou lesivo (assim mesmo!) à imagem da empresa que eu lá estivesse fazendo um treinamento e narrando o que acontecia. Além disso, os funcionários do escritório — de competência duvidosa, diga-se de passagem — fizeram uma pesquisa nos computadores da empresa e não encontraram, em nenhuma das franqueadas, meu nome, seja como gerente, seja como um mero trainee.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar maiores transtornos, encerro aqui não só a minha narração como também minha tentativa de virar um gerente júnior do McDonald´s. Já conversei com o sr. Arilson Passos, que tentou até me dissuadir da idéia, dizendo que entraria em contato com o tal escritório, que minha ficha era boa, que eu tinha feito um bom trabalho até então, coisa e tal, mas eu falei que ele não precisaria se dar ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda desempregado, procuro oportunidades. Se souber de alguma coisa, me avise por e-mail, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Suicídio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É suicídio, eu sei. Ou melhor, está sendo um suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se uma pessoa me abordar na rua e me perguntar o que eu estou fazendo da minha vida, tenho duas opções: ou digo que sou jornalista, atualmente cumprindo aviso prévio (o que seria uma meia-verdade), ou digo que estou cometendo suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sei que a simples menção da palavra suicídio chocaria a outra pessoa. Como deve estar chocando de algum modo meus leitores. A namorada talvez esteja preocupada. E a família vai me ligar daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou me referindo a um suicídio físico, não. Falo de suicídio moral. Ou profissional, se quiserem ser mais pragmáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não sou pragmático de modo algum, insisto: é suicídio moral. Vou cortando dia após dia o pulso dos meus sonhos de adolescência. Veja bem que é aí que reside a sapiência da história toda: estou suicidando (sci) meus sonhos de adolescência, mas não os de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário, na medida em que o estilete desce pelo pulso, na medida em que o indicador aperta o gatilho, a um nanomilímetro por segundo, na medida em que costuro a corda com a qual farei o nó, na medida em que o gás entra pelos meus pulmões e, por fim, na medida em que subo no parapeito para o salto final, mais e mais vou me tornando vivo, porque próximo à minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ali, na criança, que reside a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou matando o ser controlado por forças alheias à sua vontade, biológicas e sociais. Assim, dou vida a um ser cuja essência é a pureza. Que a pureza às vezes seja má, são outros quinhentos. O que faço com o sangue derramado pelo homem moralmente suicidado é irrigar outro, atento somente àquilo que ele sabe ser seu e, em sendo seu, é o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corte no pulso já vai pela metade. O indicado daqui a pouco receberá o tranco que eclodirá no disparo. A corda está quase cerzida e o nó, idealizado. À beira do parapeito, o corpo já se projeta. O corpo já sente os efeitos do gás. A criança, por sua vez, dá os primeiros passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duro mesmo vai ser fazer a criança nova caber nas roupas do adolescente, agora defunto. Sobrará tecido, que será aparado com o tempo. Trabalho para o resto da vida, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Michael Moore&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.dogeatdogfilms.com/041298earn-michael-moore.1.jpg&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado do Paulo Francis. Coitado mesmo. Quem não gosta dele pode dizer: bem-feito. Sim, porque é castigo o que estão fazendo com o nome e a figura de Paulo Francis na editora W11, de propriedade de Walter Carelli e da viúva do jornalista, Sônia Nolasco. Porque é justamente a W11 que traz para o Brasil o livro &lt;i&gt;Stupid White Men&lt;/i&gt;, de Michael Moore. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso deixar de, diante da página 50 do livro, pensar no que Paulo Francis diria do sujeito gordo, barbudo, com cara de sujo e infatilóide, que escreveu este panfleto antiamericano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—	Não conheço. E, se eu não conheço, não presta — imagino Francis dizendo. Haveria, então, os que condenariam Paulo Francis por não conhecer Moore, a personalidade do momento. Ao que ele responderia, imagino: — Para que conhecer este sujeitinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a pergunta que me faço ao fechar o livro de Moore, cortesia da W11, na página 50. Mais exatamente, pergunto de cá para comigo: “Para que continuar a leitura disso? O que isso me acrescentará?” A resposta que obtenho é “nada”, fecho os livros e vou ver o mar na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Stupid White Men&lt;/i&gt;, Michael Moore critica George Bush e todo o sistema eleitoral americano. Crítica também a apatia do povo, que teria permitido a eleição fraudulenta do presidente republicano. Critica as empresas, que financiaram a eleição fraudulenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso com dados. Com números. Estatísticas. Ora, todos sabem que as estatísticas têm sempre duas verdades distintas e, por quê não?, antagônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo Moore e seu libelo antiamericano, fiquei pensando nos grandes ensaístas políticos do passado. Um nome ficava martelando em minha cabeça: Jonathan Swift. Poucos falaram tão mal, mas com tamanha propriedade, de sua pátria. Mais do que propriedade, Swift era elegante. Moore é tão-somente o que sua foto estampa: um homem gordo, com o peito cheio de restos de hambúrguer e ketchup, tentando mostrar para o mundo que pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que me consta, tem conseguido enganar muitos desavisados. Que certamente nunca leram Swift.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, este homem de 48 anos, que usa o epíteto de “agitador cultural”, não passa de um espírito juvenil ao qual deram voz. O que ele escreve em seu panfleto best-seller não vai além do que um adolescente com a camiseta do Che Guevara, na saída de uma escola secundária, pode dizer. Não há nenhuma ambigüidade, nenhum conflito, nenhuma capacidade de rir de si mesmo, nenhuma dúvida paira sobre as certezas do autor. É um panfleto e, como tal, carrega em si aquela arrogância que se pretende a verdade, típica dos adolescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns pontos, contudo, são interessantes. Por exemplo, os prefácios, nos quais Moore trata das supostas dificuldades de se editar o livro, depois do famoso 11 de Setembro. Paira ali naquelas linhas um coitadismo extremo. E eu que achava que o coitadismo era uma doença que só atacava intelectuais brasileiros que porventura tivessem dificuldades de conseguir patrocínio público para seus arremedos de obras de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos prefácios, Moore conta como teria sido censurado pelas megacorporações, que viam no seu livro uma ameaça ao povo americano. Só um adolescente pode achar que um livro, um conjunto de páginas em brochura, mal e porcamente costuradas, pode representar um perigo real para o povo, qualquer que seja ele. Só um adolescente superestima a própria importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto divertido, por assim dizer, do livro é quando Moore liga cada membro do governo Bush a uma empresa multinacional. Se alguém quisesse realmente boicotar os produtor americanos em favor de qualquer coisa, simplesmente morreria ou de fome ou por alguma doença facilmente tratável com um medicamento de R$ 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube que estão elogiando Moore por aí. Nenhum intelectual sério faria uma coisa dessas. Nenhum. Na verdade, nenhuma pessoa séria faria uma coisa dessas. Mas respeito próprio é matéria escassa no mercado de idéias mundial, atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei o livro, depois de ter dado uma lida nos capítulos ditos essenciais do livro. Uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos e um insulto público aos americanos. Experimentei a sensação inequívoca de ter perdido meu tempo. Se tivesse contado as ondas, naquelas horas, teria ganhado mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que venham me acusar, quero dizer que considerar Michael Moore é uma fraude cultural e que seu livro é simplesmente desprezível numa biblioteca básica do nosso tempo não é defender seja os americanos, seja George W. Bush, seja a direita, enfim. É apenas defender uma inteligência mínima num debate que se pretende tão a......... revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Textos que eu gostaria de ter escrito&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se a pena estivesse calibrada (não está), eu gostaria de, hoje, ter escrito este texto &lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/001377.html" target="_blank"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;br&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Amor é entrega. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94603186?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94603186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94603186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94603186' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94455711</id><published>2003-05-16T13:03:00.000-03:00</published><updated>2003-05-16T13:04:59.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Fim de semana&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.hiperatividade.blogger.com.br/mecanica.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, estou louco para escrever. Mas por ordens médicas, vou me dar uma folga durante este fim de semana. Estou indo para o Rio de Janeiro, onde, vocês sabe, no domingo estarei na leitura da peça da &lt;a href="http://www.epinion.com.br"&gt;Paula Foschia&lt;/a&gt;, na Cobal do Humaitá, aquela coisa toda. Por falar nisso, este aí de cima é o cartaz da peça. Foi o &lt;a href="http://www.euhein.com.br"&gt;Nelito&lt;/a&gt; que fez. Sim, é um besteirol. Algum problema? Bem, a gente se encontra lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94455711?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94455711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94455711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94455711' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94217128</id><published>2003-05-12T15:33:00.000-03:00</published><updated>2003-05-13T11:26:08.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;AVISO, AVISO, AVISO, AVISO, AVISO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.ligeirinhorj.blogger.com.br/cobal.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitável público,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 18 de maio, às 19 horas, no Espírito das Artes, eu estarei na Cobal do Humaitá (sim, no Rio de Janeiro!!), prestigiando a leitura da peça da &lt;a href="http://www.epinion.com.br"&gt;Paula Foschia&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;A Mecânica da Ocupação Não-Natural dos Espaços&lt;/i&gt;, e o lançando do livro da &lt;a href="http://udigrudi.blogspot.com"&gt;Ana Maria Gonçalves&lt;/a&gt;. A leitura da peça terá a direção do &lt;a href="http://polis.blogspot.com"&gt;Fábio Fernandes&lt;/a&gt;. O livro da Ana estará á venda no local, por R$ 20. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tentativas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vários dias venho tentando atualizar este maldito blog, sem sucesso. Os textos simplesmente não saem. Ando alternando momentos de euforia com outros de melancolia e, por isso, alguns textos soam extremamente piegas quando eu gostaria que apenas fossem... textos. Além disso, há o treinamento no McDonald’s me atrapalhando e o trabalho no jornal, em aviso-prévio, que vocês podem imaginar como é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;McDiário&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.mcdonalds.com/img/mc_logo_med_bak.gif&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, no McDonald’s, foi dura. Minha dor no ombro, por conta das sucessivas horas limpando, limpando, limpando o chão da loja (vocês sabem) com um esfregão, piorou. Andei descobrindo umas coisas pelos cantos da loja que vocês nem imaginam. Mas nem tudo se resume a dor, claro. Minha estada no McDonald’s tem seus momentos &lt;br /&gt;de prazer. E o prazer se chama Cássia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de falar sobre Cássia, porém, convém pensar um pouco nesta mudança. Mais?, vocês perguntam. Mais, claro!, eu respondo, com um McSorriso na cara. É que não é muito fácil deixar a vida intelectual de lado para ser apenas um gerente júnior do McDonald’s. Eu disse “apenas”? Que tolinho! A vida como gerente do McDonald’s é mais rica do que qualquer vida intelectual que se pretensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja só o que me ocorreu logo no primeiro dia como faxineiro. Tive belas lembranças de infância. De um tempo em que eu era completamente inocente. Mesmo com dor no ombro, mas levado pela força literária das lembranças, sentei-me no computador e redigi uma bela (mas ainda inédita) crônica sobre o assunto. Sem o peso de outrora. Sem ficar fazendo digressões sobre o trabalho infantil. Sem comentar nenhum filme ou livro sobre o assunto. Só eu, minhas lembranças e o teclado do computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, fui trabalhar mais feliz. Cheguei ao McDonald’s depois de ter trabalhado no jornal, onde cumpro aviso-prévio. A crônica estava escrita e eu queria comentá-la com alguém. De preferência com Cássia, que não havia chegado ainda para seu turno. Olhei para a cara dos faxineiros efetivos, do pessoal da cozinha, do gerente da loja (vocês sabem...) e me calei. Não havia o que comentar com eles. Eles simplesmente dão de ombros para metáforas, para frases bonitas, para um diálogo pretensamente lírico. Estes estão preocupados — e eis sua sabedoria — com o chão limpo, as batatas-fritas quentinhas, os sanduíches perfeitos, o sorriso perene no rosto. E isso é bom. Porque eu não me sinto obrigado a repartir meus sonhos literários com ninguém. Fico lá, limpando, limpando, limpando, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente a verve literária não me acometeu nos dias seguintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhei como faxineiro até sábado. Eram oito da noite quando o gerente me chamou numa salinha da administração da... loja, nos fundos da... loja. Eu ia ser avaliado. O gerente, chamado Arilson Passos, me fez sentar à sua frente. Pegou uma folhinha em cima da mesa, cheia de cruzinhas vermelhas. Achei que era um mau sinal. Lembrei-me de meu primeiro boletim, na primeira série. Tudo verde, até que chegou o item “comportamento” e fui agraciado com uma avaliação feita em caneta hidrocor amarela. Foi a maior humilhação da minha vida escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o vermelho é a cor do McDonald’s, como me explicaria o sr. Passos, Arilson Passos, mais tarde. Por isso, cada cruz vermelha significava uma avaliação positiva. Para ele, meu trabalho como faxineiro não era nada bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas isso não importante. Você foi avaliado de outra maneira — me explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava entendendo, afinal, as regras do mundo corporativo me são estranhas. Ao menos em se tratando de uma empresa que conheça o real sentido da palavra “capitalismo”. O sr. Passos, Arilson Passos, começou dizendo que eu era muito sociável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esta primeira semana é importante para ver se você consegue se relacionar com as pessoas da loja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei quieto. Ninguém gosta de mim, num primeiro contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Todo mundo gostou de você — ele disse. — Quer saber o que as pessoas acharam de você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em Cássia. Queria muito saber o que Cássia havia pensado de mim. E como Cássia era um conjunto unitário contido no conjunto “Pessoas”, consenti que me fosse informado o que as pessoas acharam de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Para a maioria delas, você é educado, amável e inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amável?! Fiquei me perguntando que tipo de avaliação é essa que contém o item “amável”. Será que o sr. Passos, Arilson Passos, é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você mostrou respeito por todas as pessoas e se saiu muito bem no caso do menino de rua — falou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não contei o caso do menino de rua? Pois conto agora. Foi na sexta-feira. Eu estava limpando a loja, bem na porta. Havia estendido aquela plaquinha avisando que, na área, o chão estava escorregadio. Limpava e limpava e limpava, quando chegou um menino de rua. Eu conhecia este menino há algum tempo. Uma vez, andando na Rua XV lá pela meia-noite, fui abordado por ele, em prantos, me dizendo que iria apanhar se não levasse um dinheirinho para casa. Compadecido, dei-lhe uma nota de R$ 5. Ele, alegre, quis me dar um beijo, mas eu rejeitei. Dois dias mais tarde, encontrei-o no mesmo lugar, aplicando o golpe do choro em uma mulher. O filho da puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino de rua me chamou num canto. Viu que eu estava com o esfregão e deve ter pensado, por lógica, que se tratava de um idiota. Não que ele estivesse enganado, mas contou com minha idiotice prematuramente. Sou um idiota a posteriori, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tio — chamou ele. Eu olhei. Sempre olho. Às vezes choro vendo mendigos ou meninos de rua bonitinhos sujinhos e com remelinhas no olhinho. — Tio, me dá um sanduíche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não tenho nada agora — respondi. É a resposta-padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas tio, tem um monte de sanduíches que vocês jogam fora — argumentou o moleque. Ele tinha razão. Eu estava ficando até enjoado, de tanto comer Bic Macs que são considerados impróprios para consumo, só porque estão frios. Eu adoro sanduíche frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não temos, não — eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se você não me der um sanduíche eu vou entrar aí e assaltar todo mundo — ameaçou, do alto do seu metro e meio e não mais de trinta quilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fica aí! — eu ordenei. Entrei, peguei R$ 5, dei na mão de uma atendente, que não estava entendo nada, peguei um Bic Mac quentinho e dei para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Some daqui — disse eu, autoritário. Com o Bic Mac na mão, ele virou a esquina e desapareceu. A atendente não me deu o troco devido, mas tudo bem. Ao que consta, minha covardia misturada a um espírito solidário improvável me rendeu pontos. Ou melhor, cruzinhas vermelhas na minha fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. Passos esclareceu, por fim, o que eu teria de fazer em seguida. Trabalharei na cozinha. Aprenderei a usar as “modernas máquinas” (expressão dele) para fritar batatas-fritas, hambúrgueres, aprenderei a montar sanduíches e tudo o mais. Também serei responsável, esta semana, pela manutenção dos sanduíches na vitrine (termo por ele usado). Cada sanduíche tem um tempo máximo de exposição e caberá a mim não deixar que os Bic Macs esfriem antes de serem consumidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou empolgado, claro. É sempre um desafio, como já disse. Mas estou mais empolgado ainda com a Cássia. A atendente loirinha, de seus 19 anos, que comigo trocou olhares no início do treinamento. Parece absurdo, e é, mas na nossa primeira conversa, ou esboço de, ela disse que está estudando para ser uma jornalista. Eu lhe disse que eu era jornalista e ela se empolgou. Perguntou em que jornal eu trabalhava, eu respondi, ela perguntou meu nome completo, eu disse e ela falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não acredito! Você é o ...? O que você está fazendo aqui? — brigou comigo, enquanto ria com lindos dentes brancos. Combinei de acompanhá-la até o ponto de ônibus. No caminho eu cantaria a ladainha toda para ela. Minhas desilusões, coisa e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que Cássia me conhece pelo meu trabalho num suplemento literário. Ela adora ler e, graças a mim, disse ter comprado um livro. Mas infelizmente não soube me dizer qual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu estava adorando, mas tive de parar — disse, sem me dizer por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a beijei. Ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Emprego&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua chovendo ofertas de emprego no meu e-mail. Uma verdadeira corrente para frente de gente esperta, inteligente, descolada e bonita que se mobilizou para me ajudar. Entre estas pessoas de verdadeiro espírito humano, solidário e fraterno está Cristina Lopes. Que também vem a ser uma coleguinha de trabalho que lê este periódico sem periodicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me mandou uma oferta de emprego irrecusável, para ser gerente de um hipermercado. Parece meio burocrático, num primeiro momento, mas vale a pena, já que entre os benefícios oferecidos pela empresa está a moradia na cobertura do hipermercado. Cristina Lopes até anexou uma foto do lugar, para onde já mandei meu currículo, e onde espero receber meus amigos num futuro próximo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.sala.blogger.com.br/bahia.jpg  width="372,7" height="250,3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dois momentos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tem lá seus momentos de extrema poesia. Até mesmo na miséria. Hoje, vindo para casa, fui abordado por um mendigo. Não um artista, mas um mendigo. Ele me pediu, então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tem uma &lt;i&gt;esperancinha&lt;/i&gt; pro almoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Esperancinha&lt;/i&gt;. Esperança. Parei, ao pedido inusitado. Vasculhei nos meus bolsos e não achei esperança alguma. A maldita me escapara logo cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Desculpe. Não tenho nada — disse, atentando para o peso da fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha esperança alguma às duas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*    *    * &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vamos fazer amor, moço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que uma puta do Passeio Público me propôs hoje. Fazer amor. Fazer amor. Fazer amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; “Escada” &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me arrependo de alguma coisa na minha curta porém intensa vida intelectual pública foi ter me transformado em “escada” para gente baixa, que vivia quieta no seu canto, em pacto profundo com a própria mediocridade, e que de repente achou que valia a pena sair da toca para falar mal do Polzonoff — quem quer que seja ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falo “gente baixa” me refiro justamente a poetas, músicos, escritores que, de alguma forma, mostraram sua verdadeira cara quando se viram confrontado. Todo o discurso libertário, democrático e honrado foi por água baixa. É pena. Gostaria de, na ingenuidade de público que um dia fui, continuar achando que poetas, escritores, músicos e quetais são pessoas elevadas, de espírito refinado, bom-gosto e preocupados com coisas de suma importância para a minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há quem se engane com isso. Gente que lê um poema de uma tal de Etel Frota, por exemplo, e acha que está defronte de um “esprito di luis”, como diz alguém. Quando, na verdade, está-se diante de uma pessoa da ralé. E quando digo ralé não me refiro à condição financeira, claro. Estou falando sobre miséria intelectual. É gente impulsionada, na arte (que não compreende) por coisas baixas: vaidade e dinheiro, por exemplo. Citei Etel Frota, que muitos não conhecem e nem devem mesmo, mas poderia citar outros. Gente que gastou seu tempo e seu pretenso talento para me escrever desagravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais engraçado é que descobri, outro dia mesmo, que neste tempo todo em que me aventurei pela crítica, não recebi nenhuma — NENHUMA — contra-argumentação. Nada que provasse meu engano, que me fizesse ponderar de algum modo. Nenhum artista contemporâneo ousou escrever para provar que sua instalação tinha razão de existir, nenhum poeta defendeu seus versos tacanhos, nenhum diretor de teatro lutou pelos perdigotos dados à platéia de brinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada me deixa mais triste do que os escritores. Quando eu era apenas um leitor, um estudante, achava que escritores eram Sábios. Todos eles. Imaginei sempre os escritores como uns velhinhos, mesmo quando eram jovens, cheios de histórias para contar. E que o faziam por um motivo nobre que me era obscuro. Entrar em contato com escritores, nestes anos todos, me mostrou o quanto estava enganado. Escritores são quase tão baixos quanto os proxenetas. Alguns são mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E leitores também. Por que não? Há gente que não perde a oportunidade de espinafrar só pelo prazer de. Gente que gasta seu tempo mandando e-mails cheios de insultos, às, digamos, quatro da madrugada. Houve quem ligasse para minha casa também, passando trotes, comentando pejorativamente alguma matéria, estas coisas. Teve até um, célebre, que disse, com todas as letras, que o objetivo de sua vida era me desmascaras. A mim, que não uso máscaras. O objetivo da vida do homem era mostrar que eu não era um gênio. Como se um dia eu tivesse ousado tomar deste cálice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Choro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há ainda aqueles que tem a mim como um intelectual. In-te-lec-tu-al. Minha única atividade intelectual, sinceramente, foi ter lido enciclopédia no banheiro, quando criança. Depois disso... A maior prova, porém, de não ser eu um intelectual é o choro. Intelectual é como macho que é macho e não chora. Nunca. Nem mesmo diante de uma tese de semiótica. Não chora. E eu, ora, eu choro e não tenho vergonha de dizer que já chorei até mesmo vendo o Programa do Netinho. O Quadro da Princesa, para quem sabe do que estou falando. Chorei e está chorado. Ponto final. Quem me achar intelectual depois desta, sinceramente, precisa de eletrochoques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dia das Mães&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em choro, ouso confessar aqui que chorei ao ler a homenagens que o Dennis do &lt;a href="http://cadernomagico.blogspot.com"&gt;Caderno Mágico&lt;/a&gt; fez à sua mãe. Força, Dennis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dia das Mães 2&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe é retardada? Estou perguntando. Faça-me o favor de responder: sua mãe é retardada? Nem a minha. Então por que é que os gerentes de marketing acham que nossas mães são retardadas? Sim, porque só um publicitário com este tipo de pensamento poderia elaborar um folheto como o que foi distribuído pelas Livrarias Curitiba, com “dicas” de presentes para as mamães. Nada, absolutamente nada que prestasse. Só auto-ajuda da pior espécie, romances açucarados com muita putaria, esotéricos de araque e aqueles livrinhos com fotinhas de bichinhos bonitinhos com dizeres edificantes. Tudo bem que minha mãe não leia Dostoievski. Mas não precisa exagerar, pô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Na corporação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, aqui no jornal, sou agraciado com um folheto de auto-ajuda elaborado pelo pessoal do departamento administrativo. Sabe o amanuense Belmiro? Pois é. O povo quebrou a cabeça para elaborar “25 dicas para você e sua empresa ficarem BEM”. (Por algum motivo o BEM está em caixa alta). Na verdade, o folheto deveria conter as 25 dicas para a empresa sair da crise. E o item número 1 deveria ser: seja eficiente. Mas eu vivo num mundo de contos-de-fadas, mesmo, por esperar isso de um amanuense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Minha lista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse que fazer uma lista, ela teria apenas dois mandamentos. O primeiro: ria. O outro: trabalhe. Mas eu me alongo num assunto que não mais me diz respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Polzonoff entrevista blogueiros de sucesso *&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.sala.blogger.com.br/entrevista%20marco.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Marco Aurélio, como surgiu a idéia de montar a &lt;a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br"&gt;Jesus Me Chicoteia Inc&lt;/a&gt;?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tive uma epifania. Estava no banheiro desfrutando as delícias do papel higiênico de pêfego quando ouvi uma voz vindo do alto. Olhei para cima, e era de dentro do chuveiro que vinha a voz, dizendo:&lt;br /&gt;— MARCO AURÉLIO, MEU FILHO! PARE DE FAZER MERDA!&lt;br /&gt;— Agora não dá, pô! — tentei argumentar, mas não adiantou. O dono da voz continuou:&lt;br /&gt;— Eu sou é Deus, tá me ouvindo? DEUS!!! Vim até aqui chamá-lo para ser meu profeta&lt;br /&gt;— Sei. De dentro do encanamento?&lt;br /&gt;— Acabo com a tua raça, seu mequetrefe — o cara, fosse quem fosse, parecia deveras emputecido.&lt;br /&gt;— Como? Jogando um jato de água quente e outro de água fria até eu morrer de choque térmico.&lt;br /&gt;— ESCUTA AQUI Ô COISA RUIM! NÃO TENHO TEMPO A PERDER COM UM ZÉ MANÉ FEITO VOCÊ! VAI ME OUVIR OU NÃO?&lt;br /&gt;— Vai falando, vai falando.&lt;br /&gt;— Seguinte: Você vai reescrever a bíblia.&lt;br /&gt;— Reescrever a bíblia?&lt;br /&gt;— É. Para divulgar minha palavra na Internet.&lt;br /&gt;— Divulgar sua palavra na Internet?&lt;br /&gt;— PÁRA DE REPETIR O QUE EU FALO, PORRA!&lt;br /&gt;— Ok, ok. Mas tem uma coisa aí, Jeová: eu sou ateu, tá sabendo?&lt;br /&gt;— Sei. E não ligo. Trate logo de ir escrevendo.&lt;br /&gt;— E se eu não quiser?&lt;br /&gt;— Hum... Leia I Samuel 5&lt;br /&gt;— I Samuel 5... Peraí, não é aquela história de quando deus mandou uma praga de hemorróidas para a Filistia?&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;— Tá, tá eu escrevo.&lt;br /&gt;— Assim que eu gosto. Bom, vou nessa. Té mais.&lt;br /&gt;Bom, foi isso. Criei o JMC para salvar meu rabo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Como empreededor de sucesso, o que você já conseguiu de bens materiais graças ao seu multimilionário blog?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum... Hospedagem e comida grátis nas viagens que faço. Mas estou pensando numa maneira de lucrar com o JMC. Lavando dinheiro, talvez. Ou então cobrando dízimo dos fiéis, o que vem a dar na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Todo mundo quer saber: é verdade que graças ao blog você já comeu a Sônia Abrão?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não. AINDA! Mas está nos meus planos. Não posso deixar escapar uma mulher que, além de inteligente, gostosa e talentosa, ainda tem nome de patriarca no nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você pode nos fazer uma lista das celebridades nas quais você já passou o rodo depois de se tornar também uma celebridade?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Passou o rodo"? Que porra de expressão é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Recentemente, em uma visita ao Rio de Janeiro, você esteve com a governadora Rosinha. É verdade que ela lhe pediu para ser mais crente no JMC? &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Aí eu respondi que o faria assim que ela começasse a governar o estado do Rio de Janeiro. Ela desconversou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Por falar nisso, você recebe muitas cartas de crentes enfurecidos com suas blasfêmias? O que você tem a dizer a eles? &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebo, recebo. O que dizer a essa gente? Vão rezar pela minha alma, ó caralho! Não são nada piedosos, esses fundamentalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Já comeu alguma crente?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já. Comidinha de primeira, e já vem abençoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;É verdade que você está pensando em fundar uma seita religiosa?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, uma seita pode ser não-religiosa? Hum... Mas tenho pensado sim. Acho que é o melhor jeito de se ganhar dinheiro rápido hoje, depois de acertar os números da MegaSena. Isso sem contar que eu vou comer tudo quanto é vagabunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Há quem o acuse de plágio em suas paródias da Bíblia. O que você tem a dizer ao Autor das Escrituras?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele que me processe. Quero ver ele ter a manha de ir buscar um advogado no inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Dizem que você recebeu o maior cachê jamais pago para escrever a orelha do livro da &lt;a href="http://www.mundoperfeito.com.br"&gt;Daniela Abade&lt;/a&gt;. É verdade? De quanto foi o cachê? Você não tem pena dos escritores coitadinhos?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só falo na presença dos meus advogados. Mas foi um bom dinheiro. Digamos que deu pra comprar uma mariola e ainda voltar de ônibus pra casa. Quanto aos escritores, que se fodam. Como de hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você já comeu a Daniela Abade?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está entre os meus projetos futuros. Belos peitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;É verdade que a Avon o está contratando para uma nova campanha publicitária, por causa do seu rosto bonitinho e simpático? &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é verdade. E também serei dublê de bunda para comerciais de produtos anti-celulite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você já usou pó da Avon? Dizem que você foi viciado, mas Jesus te curou.&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está me confundindo com o Fernandinho Beiramar. Todos fazem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você já teve experiências homossexuais?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você é coprófilo? Tem cara... &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te comi? Não, né? Portanto não sou coprófilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você é bicha? &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você é veado? &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você dá a bunda?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nas horas pares dos dias ímpares, exceto nos anos bissextos terminados em 8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;O que você tem a dizer aos milhares de fãs idiotas do seu blog idiota?&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuem sendo idiotas nesse nível, por favor. Se ficarem mais idiotas que isso correm o risco de começarem a ler &lt;a href="http://polzonoff.blogspot.com"&gt;O Polzonoff&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;* Vale sempre lembrar que não existem blogueiros de sucesso. Se é blogueiro, não é de sucesso. Se é de sucesso, não pode ser blogueiro. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Encosto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este fim de semana recebi a visita de um personagem por mim criado há uns dez anos. Chamava-se Pádua e era um perdedor. Como o criador, pode esculhambar. De qualquer maneira, ele me chegou, depois de muito tempo sem manter contato e, sem pedir licença, foi entrando. Sentou-se no sofá sujo como estava. E foi logo me acusando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fumaça azulada?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendi a reclamação. E ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ninguém que se pretenda a escritor escreve que a fumaça do cigarro era azul. Não! Isso acaba com o personagem! Tenho até trauma, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ciúme&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me perdoem aqueles que são adeptos dos relacionamentos abertos e do amor livre, mas sou ciumento. Sou, não nego nem acho que deva me sentir mal por isso. Acho que estou longe de ser um doente por conta do ciúme. Mas fico carcomido quando sei, por exemplo, que tem alguém mexendo no meu (meu!) computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que minha namorada também é “vítima” do meu ciúme. E algoz também, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quem é desprovido totalmente de vaidade não sente ciúmes. Ou de amor-próprio, que é tão-somente um eufemismo para vaidade. Como eu não sou vaidoso, mas tenho um incrível amor-próprio, ouso dizer: sou ciumento. E sai de perto dela, mané!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciúme é como uma calça jeans com um furo bem no meio da bunda. Há aqueles que não ligam, vão andando com aquele imenso rasgo no traseiro, passam por avenidas movimentadíssimas, são motivo de chacota geral - e não estão nem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciúme é como uma calça jeans com um furo bem no meio da bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso explica, ao menos para mim, o mito da promiscuidade reinante nas chamadas classes baixas, contida, e com um custo alto, apenas por seitas neo-pentencostais. Os pobres e miseráveis só usam calças com rasgões, seja no meio da bunda ou no joelho, com aquele remendo tosco, o que dá no mesmo. O ciúme é um luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em assim sendo, acho que as pessoas deveriam era ter orgulho de serem ciumentas. Hoje em dia é uma baita vergonha, não? Mas, em sendo um luxo, o ciúme deveria ser estampado nas camisas, como aquele jacaré da Lacoste. Ou então exibido na sala de estar das casas, como uma reprodução em gesso do Davi de Michelângelo. Ou ainda pendurado no retrovisor do carro, como um cordão do Senhor do Bonfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Rudarrel?! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem, afinal, é este Chico Mendes? Por que merece visita do presidente? O que fez na vida para ser assim um herói? Qual sua real importância para a minha vida? Onde fica Xapuri? Tem no mapa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; “Lôro!” &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os papagaios do Passeio Público, em conluio, à minha passagem, tornando meu dia um pouco menos insuportável&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94217128?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94217128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94217128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94217128' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-94005388</id><published>2003-05-08T15:49:00.000-03:00</published><updated>2003-05-09T19:01:32.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;COMENTÁRIOS NO FIM DOS POSTS DO DIA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A vaca&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://at.com.mx/ecoteca/vaca.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser uma vaca. Por vários motivos, entre eles a placidez que só vejo nelas, nas vacas. Queria ser bovino como uma vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só isso. Não é apenas uma questão de paz e resignação que só o pasto verdinho sendo regurgitado consegue evocar. É também uma questão de auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando leio que uma vaca, dia desses, foi vendida por R$ 1,19 milhão, ajoelho, rezo e peço para, na próxima encarnação, ser uma vaca. Uma gorda e tetuda vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca ninguém vai pagar R$ 1,19 milhão por mim. Apesar da minha pança, apesar das minhas tetas, apesar do alface que engulo diariamente depois de cinqüenta mastigadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houvesse um leilão de homens, acho que valeria, numa estimativa otimista, uns R$ 100 mil. Nada a ver com capacidade reprodutiva, claro. Minha capacidade em atrair fêmeas da minha espécie é praticamente nula. O investimento se justificaria justamente na placidez, o que me iguala às vacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma troca e tanto. Em vez de observar uma senhora nelore mastigando e babando com grandes olhos negros, o investidor no senhor russo teria à sua disposição a inteligência silenciosa de um leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vaca mugiria lá fora e eu murmuraria uma compreensão na sala de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, tudo bem. Abaixo o preço para R$ 50 mil. Alguém se habilita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Querelas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando leio que Chico Buarque assinou um manifesto em favor de Cuba, tremo. O meu amigo Alessandro me olha com aquele olhar cínico que só ele tem e me diz, sério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O problema é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico quieto, suspeitando de que ele tenha razão. De que me importa que Chico Buarque tenha ou não assinado um manifesto em favor de Cuba, o último reduto do totalitarismo comunista? Assim, em silêncio, canto de mim para mim uma música do compositor e, preocupado com problemas de ordens outras, esqueço a querela ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, leio que Chico Buarque não assinou o tal manifesto. Limpo o suor imaginário na testa. Ufa! Viro para o lado e falo ao amigo que Chico Buarque não assinou o manifesto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Chico não assinou o manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a vez dele se calar. Mas sinto que quer me dizer novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O problema é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Variação sobre o mesmo tema&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim um artista não deve se meter em política. Não deve. A única hipótese que permite ao artista se meter em política é quando a sua liberdade de criação está ameaçada. Chico Buarque escreveu várias músicas reclamando de ser impedido de cantar suas idéias a respeito do mundo. Ainda que eu discorde das idéias dele, acho que tinha razão em protestar contra o silêncio imposto. Uma vez instalada a democracia (o quanto ela é de fato não vem ao caso), cabe ao artista criar na plena liberdade que lhe é de direito. E calar para o resto. Quando isso não acontece, ou seja, quando o artista, livre, insiste em ser político, acaba por se tornar o algoz da liberdade alheia, acaba por ser, a cada dia, menos artista e mais político, até que, por fim, se torna apenas político, digno de ser contestado por outros artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Elogio da indireta ordem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez uma crítica à indireta ordem, meu amigo &lt;a href="http://www.epinion.com.br/chefe/archives/000038.html"&gt;Claudio Lampert&lt;/a&gt;. Disse ele que sujeito, verbo e predicado é o correto. Em caso qualquer. Desconfio. Acredito eu que melhor não há, às vezes, do que, lá ao fundo, um sujeito. O predicado, assim, tem a sua força ressaltada. Pautada pela ordem direta é a literatura inglesa. Principalmente a norte-americana. É algo que me incomoda, esta tradição. Permite certos malabarismos, o português, e é onde sua graça reside. Conseguir que este malabarismo gramatical seja elegante, este é o desafio. É uma provocação, este texto. Ignorem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mendigos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta. Com raras exceções, os artistas brasileiros são todos uns mendigos. Tem esta vocação que é característica dos artistas brasileiros de pedir. Estendem a mão com um pires a quem quer que passe, sem achar isso indigno. Pelo contrário, têm orgulho da mendicância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja o caso dos artistas que se reuniram outro dia na Assembléia Legislativa do Paraná. Eles não estavam protestando contra a mesmice, a falta de criatividade, o mau-gosto dos paranaenses ou coisa parecida. Protestavam contra a falta de subsídios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião, perguntei a Cláudio Ribeiro, coordenador de certo Fórum Permanente de Cultura do Paraná, se ele não achava que os artistas tinham é de defender a auto-sustentação da cultura, e não subsídios. Ele não titubeou em dizer que, “se vivêssemos numa sociedade justa, sem nenhuma diferença, igualitária, isso seria possível”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não vejo esta mendicância em outras sociedades injustas, como a norte-americana. E, ao que eu saiba, em Cuba falta de tudo, inclusive papel higiênico para os poetas trabalharem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mesmo nossa excentricidade tropical explica o fato de termos mendigos que são, inclusive, astros. Como Cacá Diegues, que em seus trapos de grife foi pedir um milhãozinho para o governo. Isso explica, talvez, o nosso recente furor no que diz respeito a certa estética da miséria. Os semelhantes se entendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho de todo artista brasileiro, seja ele escritor, músico, pintor, ator ou cineasta, é ser um mendigo com apartamento no Leblon e com créditos ao final de uma adaptação de José de Alencar. Ou no Batel, depois de um poema sobre o Rio Iguaçu. Ou nos Jardins, depois de uma música sobre a Vila Madalena. Ou na Asa Norte, depois de um pó, sexo grupal e rock’n’roll. Vocês entenderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são poucos os que conseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;McDiário&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.mcdonalds.com/img/mc_logo_med_bak.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu treinamento no McDonald’s continua firme e forte. Na segunda-feira, fui pegar meu uniforme de trainee e fazer meu crachá. Vocês se impressionariam com a minha beleza dentro daquele uniforme. Imagino como ficaria belo (a palavra exata é esta: belo) numa camisa de gerente. Porque esta semana sou apenas um McFaxineiro — e ainda assim belo. Para a maioria das pessoas, ter de passar por este treinamento seria um verdadeiro pesadelo, uma provação necessária para se alcançar o McParaíso. Para mim, no entanto, a experiência está sendo simplesmente fantástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, é preciso narrar este primeiro dia de treinamento em seu momento mais emocionante: a conversa com o gerente sênior. Entrei na loja tímido como sou, perguntei baixinho para uma atendente pelo gerente, cujo nome eu não sabia. Ela, não entendendo, perguntou se eu aceitava uma tortinha de maçã como sobremesa. Disse que não, que eu queria falar com o gerente e ela teve medo e foi chamar o gerente. Ah, o gerente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se Arilson Passos. Ou apenas Passos, como fez questão de ser chamado ao primeiro aperto de mãos. Olhei para Passos com a deferência de um aprendiz. Ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Então é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Então sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não riu. Pôs a mão nas minhas costas e me levou para dentro da loja (eles chamam lanchonete de loja, já disse?). No caminho, disse que haviam lhe contado que eu era jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Bela profissão, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da cozinha, em pé mesmo, conversamos. Ele me dando instruções, dizendo o que esperava de um gerente júnior. Respeito é uma coisa importante para o sr. Passos, Arilson Passos. Por isso é que o McDonald’s exige este estágio entre aqueles que vão ser subordinados. Para que eu entenda como o trabalho deles é duro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E para que eles vejam que o senhor os compreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esqueci de dizer: ele me chama de senhor. Senhor Polzonoff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo respondi com um meneio de cabeça e monossílabos. Não queria que minha prolixidade atrapalhasse. Muito menos que meu humor me trouxesse problemas. Estava mesmo disposto a afastar qualquer acidez da minha alminha atormentada. Agora eu seria um homem novo, com uma carreira a seguir, pautada por parâmetros mais objetivos e, num primeiro momento, menos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia de treinamento efetivo, fui apresentado aos demais funcionários da loja (eles chamam lanchonete de loja). Fixei o olhar numa loirinha, chamada Cássia, de seus dezenove anos. Apesar de a calça do McDonald’s esconder qualquer sexualidade da moça, percebi que ela tinha potencial. Além de uns lindos olhos azuis. Estou adorando esta nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fui eu para minha semana McFaxineiro. Peguei o esfregão e me pus a limpar o chão. De-li-ci-o-sa-men-te. Enquanto ia de lá para cá e de cá para lá, cantarolava no íntimo Bach. Às vezes meus pensamentos eram invadidos pelo jingle dois-hambúrgueres-alface-queijo-molho-especial-cebola-picles-num-pão-com-gergelin. Fascinava-me a idéia de ver o jingle musicado por Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregando o chão engordurado de batata-frita, fui assolado por lembranças de quando eu era um menino em calças curtas, no jardim de infância, e era obrigado a limpar a sala de aula, num esquema de revezamento que pretendia, pela pedagogia da época, fazer com que eu desse valor às coisas mais pragmáticas da existência. Naquele tempo, eu tinha de varrer lascas de lápis-de-cor; hoje, batatas-fritas rejeitadas pela lei da seleção natural das batatas-fritas. Uma evolução, sem dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas limpando aqui, ali, ajeitando pilhas de pães de hambúrgueres, comecei a temer pelo momento em que teria de limpar as privadas. Acho que enrubesci um pouco. Tanto que o gerente sênior veio falar comigo, perguntar como eu estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Bem — respondi, seguindo a nova tradição do monossilabismo aplicado ao sucesso corporativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acho que por hoje é só isso — anunciou o sr. Passos, Arilson Passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Já? Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um breve suspiro, resolvi enfrentar a autoridade do sr. Passos e perguntar sobre as privadas. Ele me explicou que o treinamento não chegava a tanto. Isso, pois, não seria preciso. Rindo um riso de sr. Passos que era e jamais deixaria de ser, me perguntou se eu tinha dor no ombro. Eu apenas ri. Na verdade doía um pouco, mas eu jamais assumiria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a McLição no meu primeiro dia de treinamento: jamais levantaria a voz para os pobres-diabos que limpam a loja (eles chamam lanchonete de loja).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, sorri para Cássia. Que me retribuiu o sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Heloísa de Tróia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo Heloísa Helena — a mulher muito macho da política nacional — na TV, gosto de fechar os olhos e imaginar a mulher por detrás do mito. Faço o mesmo com as atrizes de cinema inatingíveis, de Cameron Diaz a Greta Garbo (ou seria o contrário?). E também com certas figuras históricas que me são enigmáticas, como a mocinha de Tróia e Joana D’Arc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem (ou anteontem, sei lá), vi Heloísa Helena (PT - AL) numa grande atuação. Ela gesticulava em frente a um microfone. Não pude deixar de pensar, de mim para mim, no quanto era fálico aquele microfone. Reparei que HH olhava para ele de um jeito todo especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comi um pão-de-queijo, fechei os olhos e fiquei imaginando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HH chega em casa. Ela é deixada na porta do prédio de apartamentos funcionais por um carro oficial. Um Lada oficial. O segurança, sentado no banco da frente, sai do carro para abrir a porta para a senadora. Que fica braba porque mulher que é mulher não aceita este tipo de gentileza, ora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entra no prédio. Dá boa-noite ao companheiro porteiro. Dirige-se ao elevador. Que tem um espelho. HH mora no quinto andar. Dentro do elevador, ela se olha no espelho. Os cabelos mal cuidados, a roupa nem um pouco feminina. Súbito, por causa da iluminação especial do elevador, descobre por debaixo daquela camisa branca dois peitinhos. Dois miseráveis peitinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HH se lembra, então, de que deveria fazer o auto-exame da mama. E que deveria lutar no Senado pela aprovação de um projeto de lei que obrigasse a todas as mulheres proletariadas e burguesas a fazerem o exame da mama. De repente, HH se lembra que há muito ninguém acaricia seus peitinhos. Digo, mama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Senadora entra em casa. Vai para o quarto. Põe a maleta em cima da cama, vai ao banheiro e liga o chuveiro. Vai se banhar. Fecha a porta do quarto. Despe-se. Não há espelhos no quarto do apartamento funcional de Heloísa Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nua, entra no banho. Ensaboa-se com sabão de coco e com uma esponja natural. Não usa shampoo nem condicionador fabricados por empresas representantes do império norte-americano. Ensaboando-se, ela descobre pêlos demais nas axilas, nas pernas, nas virilhas. Mas então se lembra de que a Gillete é uma multinacional. Desiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto se enxuga, toca o telefone. É o deputado Babá, que a convida para jantar. Já passa das onze da noite. HH pensa que talvez fosse bom alisar os cabelos longos de Babá. Mas está cansada demais e no dia seguinte vai discursas contra as reformas defendidas pelo governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Desculpe, mas quero dar uma olhadinha n’&lt;i&gt;O Capital&lt;/i&gt; e depois dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veste uma calcinha de algodão cru. Dispensa o sutiã. Veste uma camisola de algodão cru por sobre o corpo. Nota uma celulite e repreende-se, não pela celulite, mas por ter notado a celulite — atitude inegavelmente de elite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deita-se. Pega &lt;i&gt;O Capital&lt;/i&gt;. Dorme na página doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Menino Jesus&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu andava de mal com Fernando Pessoa. Não lia Fernando Pessoa de jeito nenhum. Mas fui a um show da Maria Bethânia, no qual a ouvi declamar um poema de Pessoa. Na semana seguinte, comprei três livros do poeta, que passei a ler com alguma regularidade, sem, porém, decorar os versos. Ontem estava vendo o DVD do show, quando a ouvi novamente declamar o poema. Lembrei, não sei por qual relação lógica, do amigo &lt;a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br"&gt;Marco Aurélio&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.releituras.com/fpessoa_guardador.asp"&gt;Um dia que Deus estava a dormir&lt;br /&gt;E o Espírito Santo andava a voar,&lt;br /&gt;Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,&lt;br /&gt;Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.&lt;br /&gt;Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.&lt;br /&gt;Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz&lt;br /&gt;E deixou-o pregado na cruz que há no céu&lt;br /&gt;E serve de modelo às outras.&lt;br /&gt;Depois fugiu para o sol&lt;br /&gt;E desceu pelo primeiro raio que apanhou.&lt;br /&gt;Hoje vive na minha aldeia comigo.&lt;br /&gt;É uma criança bonita de riso e natural.&lt;br /&gt;Limpa o nariz no braço direito,&lt;br /&gt;Chapinha nas poças de água,&lt;br /&gt;Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.&lt;br /&gt;Atira pedras nos burros,&lt;br /&gt;Rouba as frutas dos pomares&lt;br /&gt;E foge a chorar e a gritar dos cães.&lt;br /&gt;E, porque sabe que elas não gostam&lt;br /&gt;E que toda a gente acha graça,&lt;br /&gt;Corre atrás das raparigas&lt;br /&gt;Que vão em ranchos pelas estradas&lt;br /&gt;Com as bilhas às cabeças&lt;br /&gt;E levanta-lhes as saias.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Coitadismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara é bom escritor, não dá para negar. Mas quando se trata de falar de si e de sua obra, não passa de um coitado. Se bem que eu não deveria chamá-lo de coitado, porque é justamente isso o que ele quer ser. Fausto Wolff quer ser um coitado. Ler as declarações dele no &lt;i&gt;Rascunho &lt;/i&gt;deste mês é deparar-se com um homem inegavelmente inteligente, mas absurdamente corrompido pelo século 20. Não posso dar crédito a um homem que diz que “Chomsky é uma das grandes forças libertárias do mundo hoje. Para não falar do Fidel Castro, é claro. E Yasser Arafat é um dos grandes heróis dos nossos tempos, como foi Luís Carlos Prestes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma curiosidade: tentei entrevistar Fausto Wolff duas vezes em Curitiba. Na primeira, ele chegou bêbado e não deu a entrevista. Na outra, ele estava bêbado e, adivinhem!, não deu a entrevista. Aí tenho de ler coisas assim, saídas da boca do escritor: “A diferença entre mim e o velho amigo Rubem Fonseca é que ele foge da mídia e a mídia foge de mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim: ele diz isso para um jornal que dá uma entrevista de duas páginas com ele. É ou não risível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cara era bonito, rico, inteligente e sabia cozinhar”&lt;br /&gt;&lt;i&gt;De uma coleguinha, feia que só ela, se arrependendo de não ter dado o golpe do baú quando teve oportunidade. Foda.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-94005388?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94005388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/94005388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#94005388' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93947183</id><published>2003-05-07T17:27:00.000-03:00</published><updated>2003-05-07T17:49:15.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Classificados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de pedir demissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou, pois, um homem livre, mas não por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você souber de algum emprego, em Curitiba, Rio ou São Paulo, por favor me avise por &lt;a href="mailto:polzonof@yahoo.com.br"&gt;e-mail&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisa ser nada relacionado com jornalismo, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quiser apenas doar seu dinheiro, também aceito. Mande-me um e-mail que eu mando o número da minha conta. Aceito qualquer soma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Demissão – a crônica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parto durou nada menos que 72 horas. Quando o relógio bateu as treze badaladas vespertinas (sic), respirei fundo, olhei para fora, para o céu azul mais azul que só o inverno curitibano pode proporcionar, ajeitei o casaco e a gola da blusa, porque eu estava com frio na nuca, e desci as escadas que me conduziriam à liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na sala do chefe 1, sentei-me e disse que estava deixando o jornal. Deixando o jornal, deixando o jornal — aquilo ecoou por alguns segundos. Eu não podia acreditar que estava mesmo fazendo isso. Estava. O chefe 1 reclinou-se na cadeira e eu pronto para ouvir o sermão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tá — ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti necessidade de me explicar e me expliquei e ele escutou e eu senti um frio na barriga, não escondo. Podem me chamar de idiota, mas eu me apego às pessoas. Tanto àquelas que me fazem bem quanto àquelas que me fazem mal. O chefe 1 nunca me fez mal e ainda me deu a edição da Cosac &amp; Naify do &lt;i&gt;Os Miseráveis&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da sala sem aceitar o cafezinho. Não poderia beber café naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas novamente. Hora de falar com o chefe 2, que estava em reunião. Esperei, comentando com um amigo o ocorrido. Eu pedira demissão. Olhei para fora e o céu continuava azul. Enquanto esperava, olhei para as pessoas que comigo trabalharam estes anos todos. Uns mais idiotas, outros menos; algumas pessoas que admiro também. Ninguém sabendo que em breve não vão mais desfrutar da deliciosa companhia de Paulo Polzonoff Jr. Vai ser um choque para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião acabou e eu entrei na sala do chefe 2. Disse que tinha uma notícia boa e uma ruim para dar a ele, mas na verdade eu só tinha uma ruim, que era a minha demissão. Ao menos eu achava que era ruim. Tenho dúvidas. Disse que estava indo embora e o que ouvi foi algo como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—	Tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da sala do chefe 2 e fui conversar com o chefe 3. Mas aí me lembrei de que o &lt;a href="http://cracatoa.blogspot.com"&gt;chefe 3&lt;/a&gt; já sabia do ocorrido. A partir deste momento, e apesar de eu cumprir aviso-prévio, tive a impressão de que tudo era despedida. Alguém havia morrido. Sentia um cheiro de lírio no ar. Olhei mais uma vez para as pessoas. Súbito tive vontade de dizer a algumas delas que precisavam também pedir demissão. Mas acho que eu só queria com este pensamento alguma companhia para aquilo que eu havia decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí para a rua. Frio em Curitiba. Passeei com um olhar assustado. No Passeio Público, não encontrei o pelicano, que talvez tenha sido removido por causa da temperatura baixa. Os papagaios estavam encolhidos e embaçados por causa de uma película de plástico que os protege do frio. As putas estavam por demais encasacadas. O porteiro não me deu boa-tarde, como de costume. Ou talvez tenha até me dado, mas eu não ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou livre, mas a liberdade, neste sentido, não poderia ser mais opressora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Teste&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito eu não fazia estes testes de internet, típicos de blogs sem imaginação, mas hoje eu não agüentei ao descobrir o &lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-test.mv"&gt;Dante's Inferno Test&lt;/a&gt;. É tão estúpido quanto os demais; atiçou-me, porém, a imaginação de encontrar o Poeta em sua viagem pelos porões do mundo. De acordo com o resultado, eu o encontraria logo no início da jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale um comentário sobre o teste: ele é muitíssimo equivocado. Sou o menos luxurioso dos seres humanos (apesar de ter mostrado o pintinho para uma vizinha aos cinco anos, como já contei). Vai por mim: se tivesse de estar em algum dos círculos do inferno, estaria no oitavo, vala nona. Mas isso é outra história. Fiquei feliz, ao menos, ao saber que este círculo é habitado por Helena de Tróia e Cleópatra. Mais pela primeira do que pela segunda. É que não vou muito com a cara das egípcias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o resultado do meu teste, a quem interessar não possa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;The Dante's Inferno Test has banished you to &lt;i&gt;the Second Level of Hell!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Here is how you matched up against all the levels:&lt;br&gt;&lt;table cellspacing="1" style="margin: 5px; background-color: #000000; border: none; font: 10pt arial, verdana, 'sans serif';"&gt;&lt;tr style="font: bold 12pt arial, verdana, 'sans serif'; text-align: center; color: #ffffff; background-color: #333333;"&gt;&lt;th&gt;&lt;b&gt;Level&lt;/b&gt;&lt;/th&gt;&lt;th&gt;&lt;b&gt;Score&lt;/b&gt;&lt;/th&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #220033; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#0" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Purgatory&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Repenting Believers)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #aa33aa; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Moderate&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #110022; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#1" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 1 - Limbo&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Virtuous Non-Believers)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #4466dd; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Low&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #220011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#2" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 2&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Lustful)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #c40033; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Very High&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #330011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#3" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 3&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Gluttonous)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #aa33aa; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Moderate&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #440011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#4" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 4&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Prodigal and Avaricious)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #ff1133; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;High&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #550011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#5" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 5&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Wrathful and Gloomy)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #aa33aa; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Moderate&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #660011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#6" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 6 - The City of Dis&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Heretics)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #3344bb; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Very Low&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #770011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#7" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 7&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Violent)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #aa33aa; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Moderate&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #880011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#8" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 8- the Malebolge&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Fraudulent, Malicious, Panderers)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #ff1133; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;High&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr style="background-color: #990011; color: #eeeeee;"&gt;&lt;td style="padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.4degreez.com/misc/dante-inferno-information.html#9" style="color: #ff3344; text-decoration: underline;"&gt;Level 9 - Cocytus&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (Treacherous)&lt;/td&gt;&lt;td style="color: #4466dd; background-color: #333333; padding: 4px;"&gt;&lt;b&gt;Low&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Equívoco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostam quando me apresentam, numa mesa de bar, como sendo o Paulo, jornalista. Ou então a variação o Polzonoff, jornalista. Incomoda-me este jornalista como epíteto. Preferia ser apresentado como o Paulo, zé-ninguém. Ou então, numa versão menos modesta, Paulo, um-cara-gente-boa-pra-caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão redondamente equivocados aqueles que acham que eu sou jornalista 24 horas por dia. Não sou. Enquanto estava empregado, eu era jornalista por cinco horas. Ou seis ou sete, se fazia hora-extra. Não mais do que isso. Houve até um tempo, tenho de confessar, em que fui jornalista por dez horas. Foi o pior momento da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem ache que você tem de ter uma postura de jornalista o tempo todo. Ou de advogado ou de médico. Vá lá, médico é uma exceção mesmo. Se você está num jantar com um médico e se engasga com uma azeitona não pode aceitar que o médico à mesa ao lado diga: “Desculpe, mas eu não estou no meu horário de trabalho”. Jornalistas, porém, não tem esta urgência. Podem mandar à merda o mundo profissional depois que passam o cartão-ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você começa a existir como jornalista, o que é algo difícil e sonhado por muitos profissionais do ramo, começa também a se sentir cobrado. Não pelos amigos, que os amigos o conhecem. Nem pelos inimigos, que rezam par que você se cale. Mas por gentinha que vive à espera de uma escorregadela para dizer: “Você não é jornalista”. Quando o certo seria dizer: “Você não está jornalista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez recebi um telefone às duas da manhã de um leitor que tinha ficado horrorizado com uma matéria. Que me desculpe o leitor, mas às duas da manhã eu não sou nada, muito menos um jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até acho que há quem goste de ser jornalista 24 horas por dia. Gente que vive para a notícia. Certamente faz parte deste grupo aquele pessoal que acredita no jornalismo investigativo, que sonha a ganhar um prêmio Esso. Que por sinal é o mesmo tipo de gente que acha que vai mudar o mundo com uma ênclise inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando isso acontecer, eu quero estar dormindo. E sem sonhar com redações, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Homem-informação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me acusam de alguma coisa, vão logo dizendo: você, Paulo, é um jornalista muito mal-informado. Bem, quanto a ser jornalista, já disse que depende da hora. Às duas da manhã eu sou apenas um homem mal-informado, não um jornalista. Agora, às dez da manhã de uma quinta-feira, por exemplo, eu não passo mesmo de um jornalista mal-informado. E, quer saber?, não vejo nenhum problema nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de me informar. Não sei tudo. Aliás, não sei nem um décimo do que um homem da minha idade sabia, no início do século 20. Mas não tenho problemas com isso. A não ser uma certa nostalgia de tempos não vividos, mas isso é outra história. Quando não sei alguma coisa, porém, vou pesquisar. É tão simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, por que eu haveria de saber a temperatura em que o chumbo entra em ebulição? Por que eu haveria de saber o nome de todos os livros do Machado de Assis? Ou por que eu deveria saber que a Elza Soares gravou uma canção em irlandês composta por Itzumbo Cahujilu, um mestre da cítara nascido na Holanda, filho de pais zimbabuenses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso disso. Sou mal-informado mesmo. Mas ao menos eu sei onde fica Nauru. É uma informação idiota, não me serviu para nada até hoje, mas que eu sei, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://puragoiaba.blogspot.com"&gt;“Não se engane, mon ami -muitos grandes 'artistas' vêem a obra como mero pretexto para obter, no fim, a noite de autógrafos.”&lt;br /&gt;Ruy Goiaba&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(meu caro, como eu queria poder colocar seu nome verdadeiro aqui. Por que os mais talentosos preferem se manter no anonimato?)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Biografia - adendo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã me lembra de algo realmente importante, que não pode ficar de fora da minha biografia: quando eu tinha uns cinco anos, comi um pedaço de sabão achando que era quindim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93947183?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93947183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93947183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#93947183' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93880680</id><published>2003-05-06T16:47:00.000-03:00</published><updated>2003-05-06T16:47:07.486-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Biografia das coisas que realmente importam&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.sala.blogger.com.br/bebe.JPG&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci em oito de dezembro. Anos mais tarde, neste mesmo dia, morreriam John Lennon e Tom Jobim. Mas isso não importa; o que importa é que eu nasci neste dia: oito de dezembro. Uma vez respirando neste mundo de Deus, presenciei vários momentos que os outros podem ter por históricos, mas que eu tenho por coadjuvantes da única história que realmente importa: a minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta biografia das coisas que realmente importam deveria ter início no nascimento, mas dele eu não me lembro. Acredito, porém, ter sido o mais lindo dentre os lindos bebês do Hospital São Vicente, em Curitiba. E também o que mais chorava e mais mamava na ama de leite negra que me arranjaram. Recém-nascido, eu achava que tinha os olhos azuis, mas as fotos comprovam que eles eram castanhos desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei meus primeiros passos com um sorriso idiota na cara. Mantenho até hoje o sorriso idiota na cara e o jeito desengonçado de andar. As roupas anacrônicas também são minha marca registrada. Sempre há alguém mais idiota do que eu para vigiar meus passos tortos. Quando não há, acontece o que me aconteceu aos três anos, aproximadamente. Andando sozinho, topei de cara na quina da cama dos meus pais. O resultado foi um corte no supercílio, cuja cicatriz exibo até hoje, primeiro como charme e depois como prova irrefutável de que um dia fui criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se meu corpo não fosse tão absurdamente fechado para as mazelas físicas, talvez eu pudesse exibir ainda as picadas que recebi, na cara, de uma galinha enraivecida, depois que eu persegui um dos seus pintos até uma casinha de cachorro onde ela fizera seu ninho. Isso foi numa chácara que tinha um alambique cuja pinga eu não bebia, que tinha um rio no qual eu mergulhava nos raros dias de calor e que tinha principalmente uma balança numa árvore afastada, bem alta, na qual eu passava horas me balançando. Mas isso foi antes de eu aprender que também podia aproveitar o tempo para me masturbar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos quatro anos fui jogado num aquário com peixes. Eis uma lembrança interessante: a de um peixinho dourado passando por mim, que ousei abrir os olhos dentro do aquário gigante instalado no pátio da pré-escola onde aprendia a ser adulto. Lembro-me de ter pensado que estava morto. Não morri. Anos mais tarde tive meu primeiro contato real com a morte quando meu pai me acordou no meio da noite para irmos para Umuarama, ao enterro da minha avó que havia morrido. Não me lembro de meu pai ter chorado. Mas acho que ele chorou, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive cicatriz de outro momento importante: o grande tombo de BMX que levei depois de levar bons minutos subindo uma ladeira de cascalho. No meio do caminho havia uma pedra. Fui cuidado por uma família muito pobre que morava à beira do esgoto. Chorei só quando fiquei sabendo que saía sangue do meu nariz. Acho que desmaiei, na ocasião, mas não me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive caxumba e usei uma pomada preta na cara que parecia graxa mas não era. Ou talvez fosse, sei lá. Tive catapora, acho. Tive frieira nos pés e por isso tive de drená-lo. Xinguei a enfermeira de puta para baixo — e eu só tinha cinco anos. Foram necessárias quatro enfermeiras gostosas para me segurar enquanto a médica aplicava a anestesia. Nunca mais tive medo de agulha, mas só fiz meu primeiro exame de sangue com uns quinze anos. Só fui ficar doente muito mais tarde ainda, quando tive uma crise de esofagite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive uma assinatura mensal dos gibis da Disney. Adorava o Tio Patinhas, mas não gostava do Mickey. O Pateta eu preferia o do desenho animado. Adorava os Smurfs. Lia a Enciclopédia Delta Universal todos os dias e anotava num caderno as principais informações sobre todos os países do mundo (incluindo Nauru) e os nomes científicos de todos os animais listados na enciclopédia (incluindo o aardwack). Fiz coleção de selos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia à máquina enquanto comia pastel com Wimmi. Desenhava morcegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrei meu pintinho aos cinco anos para a vizinha loirinha da frente. Aos sete, me esfreguei em outra vizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei alguns campeonatos de judô e fui humilhado publicamente num destes campeonatos por ter o uniforme pequeno demais para meu tamanho. O professor me chamava de beijoqueiro porque eu gostava de dar umas bitocas nas menininhas do transporte escolar, que era feito primeiro numa Rural e depois numa jardineira. Quando a gente esquecia o kimono, era obrigado a fazer ginástica por 50 minutos. Meu terror era quando eu esquecia de pôr cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui escoteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma namoradinha chamada Camila. No meu aniversário de sete anos, vi a calcinha de Camila, que me deu de presente um jogo de canetinhas em forma de pinos de boliche. Um dia, fui á casa de Camila, que era rica. Comemos nêga-maluca, jogamos pega-vareta, nos escondemos nos milhões de banheiros da casa dela e vimos a esquadrilha da fumaça. Nunca mais vi Camila, que era a líder das meninas e eu o líder dos meninos no Colégio Madalena Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fiz xixi na calça durante as aulas de ioga (hoje é o yôga). Comia o lanche dos amigos. Levava café-com-leite e pão-com-manteiga para o lanche. Tirava boas notas em tudo, menos em comportamento. Fui um dos últimos da sala a aprender a ler. Não sabia desenhar nada e nem fazer linhas retas demais. Conversava com o cachorro Jubi, da diretora do colégio. Em casa, fiz xixi na cama até os oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre odiei meus primos. Não sabia jogar futebol. Um dia, bati com a cabeça de um deles no muro da casa da minha avó, só porque ele não me emprestou a bicicleta que ganhara na noite de Natal. Tomei muito banho de chuva. Sentei no colo do Seu Roque e o vi consultar as horas num relógio de bolso. Tinha medo de tomar choque ao ligar o chuveiro. Adorava bolacha de maisena com margarina e Toddy à noite. Hoje, só tomo Nescau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz coleção de figurinhas escondido, com o dinheiro do lanche meu e da minha irmã. Nunca completei nenhum álbum do Campeonato Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos doze anos eu descobri que tinha orelhas de abano e chorei por isso. Não beijei Simone durante a Festa Junina, como ela esperava. Chorei de amores ao encontrá-la nos braços de Caio. Escutava Luan &amp; Vanessa. Fui chamado na diretoria por apostar com uns amigos que poderia comer uma menina em dois meses. Não comi ninguém, nesta época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um laboratório de química, onde queimei o joelho com ácido nítrico. Não tinha medo das aranhas que povoavam o porão que era nosso laboratório. Depois de misturar muito ácido com base, brincava de polícia e ladrão numa construção. Eu era polícia sempre. Quis jogar paintball, mas nunca o fiz. Um dia vomitei na festa de aniversário do Fábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei um ônibus errado na primeira vez em que peguei um ônibus. Fui para no centro. Gostava de andar longas caminhadas. Dei meu primeiro beijo numa festa em que também dei o segundo. Ela se chamava Consuelo e fazia aniversário no mesmo dia que eu. Era dois anos mais nova e eu velho demais para isso. Não a amava porque amava Simone. Ou talvez não amasse ninguém e só a mim mesmo. Quando me formei no primeiro grau, vi Tatiane de calcinha e sutiã pretos. Nesta época nem eu nem o Joacir sabíamos o que era clitóris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o segundo grau quase todo sem me apaixonar por ninguém. Bebi meu primeiro porre aos quinze anos. Na casa do João Thiago, quebrei o vidro da sacada. Joguei bem basquete. Acordava às cinco e meia da manhã para pisar na geada. Comprava sempre balas Sete Belo antes de ir para a aula. Joguei sacolas com água do vigésimo andar de um prédio. Mentiram para mim, dizendo que eu escrevia bem. Fraudei o simulado do cursinho, que me deu uma bolsa integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi durante todo o cursinho. Viajei para Bombinhas, mas não mergulhei. Tinha medo de um palhaço que não existia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei banho no chafariz da Praça Osório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matei aula na faculdade. Achava que eu era um &lt;i&gt;maudit&lt;/i&gt;. Num churrasco, bêbado, mandei um a um meus colegas tomarem nos seus respectivos cus. Neste dia vi um casal transar em público. No ano seguinte, não fui a um churrasco mas mandei fazer uma faixa na qual se lia “O Polzonoff não veio mas mandou todo mundo tomar no cu”. Tinha um jornal-mural cujo nome não lembro mas fora tirado de Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajei de avião pela primeira vez. Depois fui de ônibus para o Recife. Fui para a Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia oito de dezembro de 2002, renasci e venho renascendo desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Resposta padrão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para ser usada na refutação de qualquer comentário ou insulto no futuro, com pequenas variações, claro&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de qualquer coisa, eu queria agradecer ao articulista, que gastou seu precioso e privilegiado cérebro me fazendo ver algo tão profundo e de efeito tão devastador sobre minha pessoa. Realmente eles estão certos e eu não tenho critérios, sou burro, feio, cara de mamão, não sei debater, sou falso polemista, incoerente, tenho frieira, não sei diferenciar jiló de batata, sou arrogante, arroto na mesa e me jogo no chão do supermercado quando quero um doce. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças aos argumentos irrefutáveis do articulista, vou mudar completamente o meu modo de ler livros, meu modo de escrever, meu modo de encarar a vida. A partir de hoje, serei outro homem e andarei pela sombra e não mais beberei; vou ser mais científico, minha busca será por parâmetros e só ousarei escrever o que quer que seja depois de ter ao menos 50 notas de rodapé; chamarei os poetas que considerarei medíocres de gênios e os prosadores sem articulação alguma de mestres; e, &lt;i&gt;sobretudo&lt;/i&gt;, não terei mais o menor senso de humor e ostentarei uma placa na testa onde se lerá: INTELECTUAL. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais: pedirei a benção do papai e da mamãe, escovarei os dentes antes de dormir, não colocarei os cotovelos na mesa e jamais direi palavrão. Graças às argutas palavras dos dois articulistas, ascenderei ao Céu, atingirei o Nirvana, mobilizarei as massas em direção á utopia marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo esta resposta ajoelhado no milho e com lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Homens objetivos em busca de parâmetros para viver&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tipo de pessoa vive de acordo com parâmetros objetivos? Que tipo de pessoa cobra isenção e impessoalidade? Não eu, não aqueles que eu amo. Mas eu aviso: há, sim, pessoas que procuram viver objetivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gente que lê os livros todos, até os ruins, até os horríveis, até o fim. Gente que diz “não posso te falar nada sobre o livro porque ainda não o terminei”. Ou melhor, esta pessoa tão objetiva diz: “porque ainda não terminei o mesmo”. É gente que vê um filme e vai logo cofiando a barbicha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gente que não transa, mas não porque seja assexuado. Ele não transa só porque nas tentativas anteriores broxou ao constatar que a mulher nua na cama não correspondia aos parâmetros de beleza dispostos em um tratado anteriormente composto por um intelectual qualquer. A última das amantes do homem em busca de valores objetivos até que era bonitinha, mas trazia uma pinta entre dois dedinhos do pé. Objetivamente feia, pois, ainda que seu nome fosse Greta Garbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas pessoas que vivem objetivamente são aquelas que se recusam a ler um artigo porque ela traz uma próclise equivocada ou um erro de digitação no último parágrafo. É assim que os homens que querem viver objetivamente  estabelecem hierarquias de respeitabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um homem que quer viver objetivamente dá por si, olha para frente e percebe que o objetivo final é só um: a morte. E é por isso que se torna ateu: porque ser ateu é ser objetivo e é ter parâmetros palpáveis de fé. Estes homens jamais tiveram bichos de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho entrado cada vez mais em contato com gente objetiva. Repito os gestos deles, seus vocabulários objetivos, cheios de neologismos objetivos, leio os livros objetivos que eles lêem, com separações de parágrafos objetivos e construções objetivas e colocações objetivas de pronomes. Quando chego em casa, analiso as manchetes do telejornal de forma objetiva e é assim, objetivamente, que separo o que é certo do que é errado no noticiário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que ainda não consegui, não consegui, não consegui amar objetivamente. Ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase do dia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamos começar a disseminar a discórdia”.&lt;br /&gt;De uma colega jornalista, começando uma matéria qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entende agora por que vou ser gerente do McDonald´s?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93880680?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93880680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93880680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#93880680' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93820731</id><published>2003-05-05T17:36:00.000-03:00</published><updated>2003-05-05T17:44:57.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;COMENTÁRIOS NO FIM DOS POSTS DO DIA.&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O amanuense Paulo (quase isso)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.sala.blogger.com.br/mcdonalds.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive meio afastado da vida intelectual. Isso porque semana passada eu passei por uma experiência que ouso qualificar como mística. Depois de respirar fundo e levar meu currículo de jornalista ao McDonald’s próximo à minha casa, para ver se eu conseguia um emprego de gerente, recebi um telegrama me chamando para uma entrevista no dia seguinte. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes deste momento mágico da minha vida, fiz algumas entrevistas de emprego, claro. Todas foram bem-sucedidas, mas diferentes desta no McDonald’s tinham o fato de serem entrevistas mais, como direi?, intelectuais. Fiz trabalho de revisão numa editora. Intelectual. Depois, em dois jornais. Tudo muito intelectual, com o entrevistado, no caso eu, tendo de provar ao entrevistador que era inteligente. Ou seja, mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o entrevistador do McDonald’s, o sr. Adalton Ramos, eu não precisei fingir, não precisei dizer que era um intelectual. Ele não me recebeu com um sorriso falso nos lábios; foi taciturno. Boa-tarde, boa-tarde. Tinha o meu currículo, de jornalista, de crítico, nas mãos. Não sei por que eu anexara ao currículo alguns textos. Ele me deixou quieto na cadeira, enquanto olhava os textos. Dava uma passada de olhos, como se diz. Talvez quisesse me mostrar que fizera um curso de leitura dinâmica, não sei. Eu lá, encolhido, constrangido. Súbito lembrei que eu não deveria ficar constrangido e muito menos encolhido. Deveria mostrar que eu estava entusiasmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. Adalton era meio gordo, algo que não ousei comentar, obviamente. Usava um bigode e não pude deixar de pensar, ao olhar este detalhe, num texto que escrevi há algum tempo, no qual perguntava aos leitores: por que raios alguém é capaz de deixar um bigode?! Não há nada mais ridículo do que um bigode, vá lá. Usava um terno nornal, azul marinho, que o protegia do frio do ar condicionado, que conseguia ser mais gelado do que o ar lá de fora. A gravata trazia a logomarca do McDonald’s bordada cuidadosamente em toda a sua extensão. Usava óculos de aro fino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira pergunta do sr. Adalton foi a também a mais importante: por que eu procurava aquele emprego. E eu lhe respondi com nenhuma sinceridade que eu queria novos desafios. Ao escutar isso, ele voltou a folhear meu currículo. E me perguntou como assim. Perdão - eu não havia entendido a dúvida. Ele foi algo mais prolixo, dizendo que não entendia como uma pessoa com uma carreira pela frente como crítico de arte poderia estar interessado em ser gerente de uma lanchonete. Eu contei a ele uma história qualquer, cuidando para não exagerar na pieguice. Disse que eu estava realizado já, que não tinha mais para onde ir em jornalismo e principalmente que estava em busca de um reconhecimento mais objetivo, pautado por parâmetros que eu soubesse realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele franziu a testa, ao ouvir isso. E eu temi pelo meu futuro ex-emprego. Olhei para as paredes e havia fotos de McDonald’s ao redor do mundo. O sr. Adalton me olhava e perguntou se eu tinha idéia do que me esperava. Disse-lhe com franqueza que não, mas que eu estava interessado justamente em aprender isso. Foi a hora de ele me informar que o McDonald’s, quando se interessa por alguém, oferece treinamento, que consiste em passar por todos os setores de uma loja do McDonald’s (eles chamam as lanchonetes de loja), para que o candidato entenda o trabalho de todos aqueles que serão ou seus subordinados ou seus superiores. Em suma: caso eu fosse aceito, teria de passar quatro semanas trabalhando de graça, na limpeza, na cozinha, como atendente e só então como gerente júnior. Falei ao sr. Adalton que não tinha problema, que eu estava mesmo a fim de experiências novas e estimulantes. Ao que ele assentiu com um menear de cabeça, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, me perguntou se eu tinha algo mais a dizer. Ora, ele não me conhecia, claro, se não teria evitado uma pergunta tão ampla que permitisse a alguém tão prolixo como eu dizer, dizer e dizer. Curiosamente, me contive diante do oceano de palavras que se formava na minha boca. Disse apenas que eu estava deixando o jornalismo no momento certo, que achava que tinha feito um bom trabalho, mas que estava em busca de um esquema mais profissional, de uma profissão que me permitisse ascender na escala social e que eu esperava que ele levasse isso em conta. O sr. Adalton se levantou. Eu me levantei. Ficamos ali parados por uns três segundos. Ele me levou até a porta, dizendo que entraria em contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que eu tinha me ferrado, mas na sexta-feira recebi um outro telegrama, me convocando para o treinamento hoje, segunda. Na verdade, hoje eu vou receber meu uniforme provisório e vou fazer meu crachá com foto digitalizada. Também conversarei com o gerente sênior da loja onde vou fazer o tal treinamento. Devo começá-lo pela limpeza, o que não vai nada fácil. Estou nervoso, confesso. Mas confiante. Rumo à venda recorde de Big Macs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mor-reu&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu seria um hipócrita se deixasse passar a morte de Waly Salomão. Eu não gostava da obra dele e todos os que me lêem sabem disso. Não acho que a morte de Waly vai eximi-lo de ter sido um poeta medíocre, um agitador cultural risível, um sujeito de conduta pública mais do que duvidosa. Não estou feliz pelo ser humano que se vai (até porque espero que as pessoas sejam mais pessoas e menos poetas/romancistas/atores/etcétera), mas estou feliz, sim, pela caneta que se depõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu disse! Eu disse! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando do lançamento do blockbuster nacional &lt;i&gt;Deus é Brasileiro&lt;/i&gt;, entrevistei o diretor Cacá Diegues. Lá pelas tantas, perguntei-lhe se ele não achava que o cinema iria ser desvalorizado no governo Lula, até porque o renascimento do cinema nacional foi uma das bandeiras do governo FHC. Diegues respondeu indignado que isso era uma besteira. Argumentei dizendo que a Secretaria de Comunicação vinha reduzindo incentivos ao cinema, principalmente através da Petrobras e subsidiárias, ao que ele respondeu que isso era assim mesmo, que tudo vai melhor, que Lula é Deus, que Gil é profeta, que coisa e que tal. Na edição de sábado de &lt;i&gt;O Globo&lt;/i&gt;, porém, Diegues deu uma longa entrevista na qual se diz &lt;b&gt;indignado&lt;/b&gt; com a política de incentivos do governo Lula, que está empacando a produção do cinema nacional. Um trechinho: “Os novos critérios representam uma intervenção política e ideológica na criação artística. Não é isso que se esperava do Lula, não foi isso que Lula disse durante a campanha. Os xiitas foram controlados na economia, na política, em todas as áreas, menos na cultura. É um golpe que pode provocar um desaparecimento do cinema brasileiro, como ocorreu, por outro viés, logo no início do Governo Collor.” Eu bem que avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Updating cômico&lt;/b&gt;: Lula pediu calma aos cineastas, que resolveram formar uma comissão para apresentar reivindicações da classe ao presidente. Que voltou a pedir calma e fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Civilidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curitiba Pop Festival teve seu momento de maior civilidade quando os roqueiros de uma banda chamada Cachorro Grande brigaram com não-sei-quem que havia emprestado a bateria para que o show dos independentes pudesse se realizar. Isso é rock´n´roll — e eu longe disso, ainda bem. A organização do evento, pode-se imaginar, deve dizer que não foi anda disso, que aquilo foi só uma performance coletiva para minimizar o frio que fazia na Ópera de Arame no sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bocejo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio Willer e Carlos Figueiredo, em artigo panfletário publicado no &lt;i&gt;Estado de S. Paulo&lt;/i&gt;, propõem que 2004 seja o Ano Nacional da Literatura. Um bocejo para estas pessoas que levam literatura a sério demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ser Cuba ou não ser Cuba? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Saramago já disse que não é Cuba, no que foi acompanhado por outro amiguinho tradicional de Fidel Castro e, por acaso, escritor: Eduardo Galeano. Mas estava faltando alguém. Estava faltando Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão, escritor agraciado com um Nobel. Amigo pessoal do barbudão, Márquez não se pronunciou quanto à execução sumária de três homens que roubaram uma lancha para fugirem para Miami. Coube a Susan Sontag, intelectual americana, chamar a atenção de García Márquez em público, durante uma feira de livros em Bogotá, na Colômbia. Lá de Cuba, onde mora com todo o conforto que a literatura pode dar a um best-seller, Márquez disse, dias depois, que o pito era injusto, porque ele há muitos anos ajudava dissidentes. Até aí, tudo bem. Um joguinho de mentiras básico. O estranho é que na mesma semana García Márquez tenha assinado um manifesto (eu odeio manifestos!) de apoio a Cuba, contra o que chama de perseguição norte-americana. O tal manifesto, intitulado &lt;i&gt;À Consciência do Mundo&lt;/i&gt; (o que me lembra daquelas redações escolares: “precisamos nos conscientizar de que...”), conta com a assinatura de mais 150 intelectuais, entre eles o brasileiro Oscar Niemeyer, um dos comunistas mais ricos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso tudo se tira uma lição importantíssima. Vale a pena continuar a ler Saramago (exceto pelos dois últimos livros) e Gabriel García Márquez, e admirar algumas das obras de Niemeyer (só algumas e jamais o NovoMuseu em Curitiba). O que não se pode, em hipótese alguma, é admirar o ser humano pelo que ele representa como criador. Talento artístico é uma coisa; caráter é outra completamente diferente. Discernimento, então, nem se fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ah, sim&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, não posso esquecer. Enquanto este quiprocó todo rolou durante a semana, a escritora cubana, exilada, Zoe Valdés, foi mais enfática e declarou a quem quisesse ouvir: “García Márquez é um grande escritor, mas é um...” A mãe do colombiano não merecia isso. Sinceramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Implicância? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois me perguntam por que implico tanto com intelectuais. Sobretudo os franceses. O pensador (não o rapper, please) Jean Baudrillard, queridinho dos brasileiros que jamais deixaram de ser francófilos, escreveu dia desses que “a guerra é um não-acontecimento”. Não-acontecimento? Quero ver ele dizer isso para alguém que recebe uma bomba na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pacatos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço licença para comentar uma matéria de Gilberto Dimenstein reproduzida depois por Boris Casoy em seu &lt;i&gt;Jornal da Record&lt;/i&gt;. A matéria diz respeito a uma menina, Aline Silva, de 13 anos, que brinca de escolinha a sério. Isso mesmo. Ela decidiu montar uma escolinha no quintal de casa, onde ensina crianças menores com dificuldades. Sem pedagogia, sem nada. Na base da brincadeira. A menina foi elogiada, Casoy emocionou-se e quase foi às lágrimas e Dimenstein acha que o gesto é um ato de cidadania. Eu queria poder achar isso também, mas acho que se trata muito mais de ingenuidade, da menina que acha que é professora e dos jornalistas que acham que estão defronte a um espírito de elevada consciência social. Aline é só a prova de que o Estado, no Brasil, é de uma inutilidade tremenda. Na verdade, quanto mais omisso o Estado, mais nos orgulhamos de Aline e seu jeitinho brasileiro voltado para o bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Incorreto &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Carga Pesada&lt;/i&gt; estreou na Globo com índices elevados no Ibope, uma crítica rasteira que ficou dizendo que o seriado só existe por conta de um merchandising (ah, os intelectuais sempre vêem com reservas o ato de ganhar dinheiro) e altas doses de incorreção política. Numa das cenas, o caminhoneiro Bino, interpretado por Stênio Garcia, dá uns sopapos numa garota que se fingiu de fujona boazinha para roubar o caminhão novo deles. Depois de soltar a menina, ele escuta de Pedro, interpretado por Antônio Fagundes, algo como “Você não deveria ter batido na menina. Assim ela se apaixona”. Alguém pode chamar o Nelson, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ingenuidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ingenuidade, nada mais do que ingenuidade, pensar que a arte é ditada por valores estéticos absolutos. Nada disso. Arte se transformou num grande negócio e é assim que deve ser vista: como um negócio. Há momentos, raros, em que apreciação estética e dinheiro andas juntos. Mas são raros. Um exemplo disso o Brasil teve esta semana. Aleijadinho, considerado o maior escultor brasileiro, com obras espalhadas pelas coleções dos homens mais ricos do País, teve sua genialidade contestada por historiadores, que escreveram o livro &lt;i&gt;O Aleijadinho e Sua Oficina&lt;/i&gt;. Defendem os estudiosos que muitas das obras atribuídas ao mestre do barroco brasileiro são, na verdade, de autoria dos aprendizes dele. Resultado: um colecionador, vendo-se prejudicado por tal afirmação, que viria a fazer o preço de sua peça cair, entrou na justiça e pediu o embargo do livro. O juiz nem titubeou e deu ganho de causa ao colecionador. Resultado: 3,5 mil exemplares do livro apreendidos nas livrarias. E o primeiro que falar em liberdade de expressão apanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Baixaria&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixaria mesmo é esta lista ou ranking da baixaria na TV. Uma coisa mais absurda que a outra. Não gostar de Gugu, Faustão, Márcia Goldschmidt, João Kleber, Sérgio Mallandro e Ratinho, tudo bem. Agora, o que não se pode é ditar o que as pessoas devem ou não assistir. E sobretudo quem as empresas devem ou não patrocinar. Isso me cheira a um puritanismo tacanho, coisa de gente que teve a ousadia de ver apelo sexual nocivo ao telespectador no humorístico &lt;i&gt;Zorra Total&lt;/i&gt;. Sinceramente, é o tipo de gente que adora uma hóstia com Nescau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Excedente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve estar sobrando dinheiro no Rio de Janeiro. Também pudera: uma cidade sem problemas de habitação, emprego, saúde, educação e segurança pública, que recebe mais e mais turistas graças à beleza e conservação de suas praias, florestas e rios, uma cidade assim só pode esbanjar. Sobretudo uma cidade assim num País milionário como o Brasil. Não à toa, neste cenário de verdadeira utopia capitalista, César Maia resolveu adiantar a primeira parcela dos US$ 29 milhões que deve pagar ao Guggenheim americano, a fim de poder ter uma filiam do museu na Cidade Maravilhosa. Isso mesmo: antecipou em um mês o pagamento de US$ 9 milhões. Maia disse que fazia isso para deixar claro aos gringos que quer mesmo o museu. Acho que dessa vez eles entenderam. Eu, ao menos, entenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dois momentos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira dama Dona Marisa está lendo &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, de Paulo Coelho. De novo: a primeira dama Dona Marisa está lendo &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, de Paulo Coelho. Mais uma vez: primeira dama, Marisa, &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, Paulo Coelho. Ronaldinho, o craque da seleção brasileira, está lendo &lt;i&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt;, de Dostoievski, e já mandou dizer que não está entendo nada (está na metade, consta). De novo: Ronaldinho, craque, seleção, &lt;i&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt;, Dostoievski, não está entendo nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93820731?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93820731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93820731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_05_01_archive.html#93820731' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93559384</id><published>2003-04-30T19:58:00.000-03:00</published><updated>2003-05-01T15:56:31.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Obituário urgente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Antes que me acusem, idéia &lt;a href="http://www.epinion.com.br"&gt;dela&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.satedrj.org.br/jornal/velhinho.jpg&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não se comove mesmo com suas perdas maiores. O Retiro dos Artistas, hoje, viveu um pôr-do-sol de luto, mas ninguém parece ter dado muita bola, a não ser os funcionários do lar, que reclamaram do trabalho extra em véspera de feriado. O morador do quarto 263, na ala norte, era quieto. Passava os dias olhando as paredes forradas de fotografias que eram a sua memória, a memória de alguém que freqüentou os melhores e também os piores círculos do teatro, da televisão e do cinema durante quase um século mas que, mesmo assim, morreu velho e incapacitado. Ninguém trabalhou mais do que o mitológico Grande Elenco (? – 2003) para a consolidação da dramaturgia nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Elenco era um menino tímido quando surgiu para o teatro. Ainda criança, viu os maiores nomes da sua época no Teatro Municipal, no qual entrava por uma abertura lateral secreta. Desparafusava uma grade cuidadosamente, um parafuso por dia, para não dar bandeira e na véspera ficava no porão do teatro, escutando com o ouvido na parede os ensaios das operetas que o palco abrigava. Assim, tomou contato com a música. Um dia, depois de ter brigado com a mãe, resolveu ir para o municipal se masturbar em seu esconderijo secreto. Não haveria nenhuma atração naquela semana, o que era raro, e, como Grande Elenco estava triste com a briga em família, decidiu subir ao palco e lá saciar seus instintos precoces. À visão do piano, descobriu sua vocação e começou a tocar — não o piano. Tocou tão, mas tão mal, que chamou a atenção de um guarda pederasta. Estava sendo levando para um quartinho quando, diz a lenda, foi salvo por Juciliano Braga, um ator medíocre e também pederasta que passava pelo local. Braga o pegou das mãos ásperas  do guarda e o levou para casa. Alimentou Grande Elenco como se fosse um hamster querido e lhe disse que no dia seguinte Grande Elenco seria um grande artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Elenco participou, assim, de sua primeira peça. Era uma comédia na qual ele tinha de cantar um verso apenas. O teatro era bem diferente do municipal, mas Grande Elenco parecia não ligar muito para isso. Afinal, ele achava que o teatro não era mesmo a sua vocação. Naquele dia, quando o pano se fechou e ele foi chamado pelos atores principais para receber os aplausos do público, achou que tudo não passava de uma grande viadagem, deu as costas e foi para os camarins. Mas não haviam lhe reservado um camarim. Por isso ele entrou no primeiro que viu. Lá, encontrou uma faxineira que seria o grande amor da sua vida. Fizeram amor, como se dizia na época, por sobre os figurinos da opereta &lt;i&gt;Le Abat-jour C´est Moi&lt;/i&gt;, de autoria de um certo Murilo Grandevento, que andava pela Confeitaria Colombo se vangloriando de ter sido alfabetizado primeiro em francês, aos 25 anos. Grande Elenco conta em sua biografia, intitulada &lt;i&gt;Sarah Bernardt e Grande Elenco em...&lt;/i&gt; (Ed. José Olympio, 1977), que jamais soube do nome da faxineira que lhe roubou o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída do palco sem o som das palmas entusiasmadas dos cinco espectadores não trouxe fama para Grande Elenco, mas deu-lhe prestígio. Consideraram-no um homem desprovido de vaidade e, a partir daquele momento, todas as companhias de teatro da cidade queria tê-lo, fosse para falar uma frase apenas, fosse para figurar a um canto, fosse para atravessar o palco pelado. Mas isso foi só na década de 60 quando, já velho mas sem perder o vigor da profissão que o escolhera como paradigma, foi convidado por Zé Celso para participar de uma orgiazinha dionisíaca. Grande Elenco contracenou com os grandes nomes da dramaturgia nacional pré-Paulo Francis. Ou melhor, os grandes nomes da dramaturgia nacional é que contracenaram com ele, o onipresente Grande Elenco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da década de 50, Grande Elenco resolveu buscar novos desafios em sua carreira em eterna ascensão. Assim, começou a fazer cinema. Nos sets de filmagem da Atlântida, porém, encrencou com Grande Otelo, a quem acusava de plágio por usar o mesmo e inusitado prenome. Num capítulo picante de sua biografia, Grande Elenco afirma que a mãe escolhera este nome porque seu parto durou nada menos que 21 dias e a incapacitou para o sexo para sempre. A punição da mãe, que queria que ele se chamasse na verdade Grande Estorvo, não foi maior porque no dia do registro apareceu um estivador que condoeu-se daquela mulher com as a vulva ainda inchada  e que por pena possuiu sua mãe de forma vergonhosa com a língua. Chamava-se João Elenco. E, ao menos no nome, foi este Elenco que deu dignidade ao ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias de brigas entre Grande Otelo e Grande Elenco são um capítulo à parte na vida do astro. Tão à parte que o editor da biografia resolveu excluí-lo do volume escrito em 1977 por Jorge Amado, com o pseudônimo de Grupete de Moraes Sulfite. A verdade é que a hostilidade entre Grande Elenco e Grande Otelo escondia uma admiração recíproca. A quem especule, ainda hoje, que os dois eram amantes e zoófilos, não necessariamente nesta ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por esta época que Grande Elenco ficou rico. Chegou a ser o artista mais bem pago do Brasil. Na verdade, seus cachês não eram superiores a um salário mínimo, mas o volume de peças em que figurava era impressionante. Grande Elenco conseguiu uma marca imbatível: em abril de 1961 esteve em cartaz em absolutamente todas as peças em cartaz no Rio de Janeiro. O nome de Grande Elenco figurava no orçamento de todas as produções dignas de nome no Brasil. Tanto assim que ele passou a figurar também em todos os filmes nacionais. Não demorou para os estúdios norte-americanos e também os ingleses, franceses, italianos e sobretudos os suecos verem em Grande Elenco um grande chamariz para suas produções, fossem elas de terror, comédia, drama, existencialistas, niilistas ou simplesmente pornográficas. Estes estúdios pagavam um cachê mínimo a Grande Elenco, mas o volume era tamanho que um dia ele teve de gastar boa parte do pagamento pela participação em sete filmes da 20th Fox em ligações internacionais para a Suécia, tentando convencer os produtores daquele país, sobretudo Bergman, o mais teimoso, a lhe pagar em cruzeiro mesmo ou em dólar, porque no Rio o único que trocava coroas suecas era um travesti que fazia a festa dos marinheiros e que, como comissão pelo câmbio raro, sempre obrigava Grande Elenco a mostrar o pênis semi-ereto. Grande Elenco não falava sueco, mas falava português bem devagarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro que abarrotou as contas de Grande Elenco foi o mesmo que o levou à ruína na década de 70. Envolvido com a guerrilha de esquerda, Grande Elenco doou somas monstruosas para a causa comunista. Não que fosse apegado à causa marxista; Grande Elenco, na verdade, estava era enamorado por uma integrante do Partidão responsável pela limpeza de diversos aparelhos no Rio de Janeiro. Logo, quanto mais aparelhos ele financiava no Rio de Janeiro, mais garantia a permanência da amante na cidade, evitando, assim, que ela se deslocasse para cidades onde o comunismo era levado com profissionalismo stalinista, como em Santos. Grande Elenco morreu sem saber, mas ele foi o responsável pela sobrevivência da amante cujo codinome era Leca, pois ela seria mandada para  a guerrilha do Araguaia, onde varreria folhas (sua especialidade, dizem), um dia depois de o ator pedir sua mão em casamento, transar com ela sobre bandeiras vermelhas, manchar os lábaros com seu sêmen espesso demais e, assim, causar a expulsão de Leca do Partidão. Mais tarde o estudante de Ciências Dramatúrgicas Aplicadas ao Socialismo, Edgar Hummerfield Silva, em sua tese de graduação, &lt;i&gt;Grande Elenco e a Igualdade do Lumpanato &lt;/i&gt; (Editora da UERJ, 1992), acabou por descobrir que Leca, conseguiu viajar para a União Soviética, onde viria a dar à luz uma tenista famosa, loira e conhecida mais pelas pernas do que pelos voleios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dinheiro e sem perspectivas a curto prazo, Grande Elenco pensou em se prostituir, mas conteve sua luxúria quando foi convidado a integrar os quadros da então minúscula TV Globo. Era o começo do fim de um ator que marcou época no teatro e no cinema brasileiro. Depois de fazer figuração em &lt;i&gt;Irmãos Coragem&lt;/i&gt; e em praticamente todas as novelas de Janete Clair desde então, entrou para os quadros fixos de Os Trapalhões, mas desentendeu-se com Renato Aragão e foi expulso sumariamente dos estúdios da Vênus Platinada, com ordens explícitas do Dr. Roberto Marinho para que ele jamais chegasse perto novamente de sua mulher, a Dona Lili Marinho. As causas desta decisão são controversas e a elucidação do mistério carece de um estudo mais aprofundado, o que certamente será feito agora que Grande Elenco figurará tão-somente no grande teatro celeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final dos anos 70, Grande Elenco, na miséria completa, se tornou um andarilho no Rio de Janeiro. Seu nome continuava, porém, nos cartazes das produções locais. A classe artística tinha uma dívida com Grande Elenco porque sabia que o público só ia ao teatro porque queriam vê-lo, seja dentro de uma árvore, embaixo do sofá ou ainda na forma metafísica de uma inspiração anacrônica enquanto gesto epistemológico do altruísmo catártico, como disse certo diretor que não quis ser identificado. Houve algum rebuliço quando produtores e técnicos rifaram uma bicicleta de dez marchas para ajudar ao astro. O dinheiro vultoso, no entanto, nunca chegou ao seu destinatário, porque os responsáveis pelo bem-estar de Grande Elenco não sabiam ao certo em qual caixa de geladeira ele estava morando. Em São Paulo, Augusto Boal percorreu durante quatro anos os arredores da rua Augusta à procura do grande benfeitor do teatro brasileiro, mas afirmou não tê-lo encontrado entre as muitas bichas que freqüentam o local simplesmente porque, soube mais tarde o diretor, Grande Elenco era carioca e não abandonaria o cheiro de mar por nada deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar foi coadjuvante de sua salvação. Em 1981, andando pela orla de Copacabana, Grande Elenco foi atropelado pelo ex-presidente Figueiredo, que passeava com seu cavalo Plebus Nº 5 pelo local. O incidente não causou maiores repercussões para o ex-presidente, ao que tudo indica acostumado a atropelar seres fedorentos durante o seu trote semanal. Mas para Grande Elenco a topada com o cavalo cheiroso causou uma fratura múltipla no dedo mínimo do pé direito, o que atestou definitivamente sua incapacidade para as artes dramáticas. Não lhe coube outra saída, pois, senão mancar até o Retiro dos Artistas, onde foi recebido por dois funcionários que lhe deram um longo banho de cinco minutos e o alojaram no quarto 263. Ali naquele cubículo, Grande Elenco viria a morrer, 22 anos mais tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas duas últimas décadas, Grande Elenco permaneceu quieto. Primeiro porque não queria falar, segundo porque não tinha ninguém para ouvir. Foram poucas as visitas que o ator recebeu nos primeiros anos até que, subitamente, foi descoberto pela comunidade acadêmica. No início da década de 90, alunos de uma faculdade particular de teatro do Rio de Janeiro ficaram batendo em sua porta durante dois dias, na esperança de conseguir ouvir as sábias palavras do mestre, sem sucesso. A façanha, além de entrar para o Livro dos Recordes como Batidas Consecutivas Numa Porta de Madeira Mais Longas do Mundo, resultou numa peça dirigida por Antônio Abujamra, &lt;i&gt;As Batidas na Porta da (des)Vaidade&lt;/i&gt;, que ficou em cartaz por cinco anos. Não se sabe como Grande Elenco conseguiu as fotos que lhe decoravam o recinto, mas supõe-se que tenha feito uma assinatura da revista &lt;i&gt;Contigo!&lt;/i&gt; depois de hackear o site de uma administradora de cartões de crédito e, assim, conseguir um número válido para seu intento ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio completo, Grande Elenco deixou o mundo na tarde de hoje, às 17h37, no mesmo horário em que um vôo da TAM para São Paulo decolava do Aeroporto Santos Dumont tendo por passageiro Gevislélio de Assis d´Ajut, que não é ninguém importante mas que tem um nome absolutamente estúpido. Os médicos acreditam que Grande Elenco tenha morrido em decorrência de uma infecção pélvica não detectada a tempo, que se agravou por causa da idade avançada do ator. O quarto de Grande Elenco, então, foi imediatamente esvaziado por dois funcionários, que arrancaram as fotos das paredes e as pintaram de azul piscina, mas não antes de trocar o lençol da cama do homem que foi um gênio quando o assunto era estrelar uma peça sem estardalhaço, recatadamente, no seu canto. Atualmente quem ocupa o quarto 263 é um ex-astro vesgo de &lt;i&gt;Malhação&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe artística brasileira, porém, não está de luto. E hoje algumas peças, inclusive alguns monólogos, trazem em seus cartazes a presença de Grande Elenco. Suzana Vieira, que interpreta Água Viva (sobre um livro que leu e não entendeu no segundo grau), disse em entrevista que quando interpreta sente a presença de Grande Elenco ao seu lado e isso faz com que se supere. O ator Paulo César Pereio afirmou se inspirar em Grande Elenco em todos os papéis que interpreta. Até o pessoal do Casseta &amp; Planeta disse ter uma dívida de gratidão com Grande Elenco e estão organizando uma grande festa, só porque não vão ter de pagar nada ao velho safado que um dia bateu na bunda de um garotinho gordinho com um cabo de vassoura e sussurrou para ele, com ar de tarado: “Bussunda”. A maioria dos produtores procurados para darem alguma declaração sobre Grande Elenco está com os celulares fora da área de serviço ou desligado ou ainda sem caixa postal para deixar recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enterro de Grande Elenco está marcado para amanhã, às 16 horas, no cemitério São João Batista, num terreno doado por Dercy Gonçalves. O prefeito César Maia está cogitando construir uma estátua do artista sobre o túmulo e a governadora Rosinha Matheus já afirmou que pretende mudar o nome da ponte Rio-Niterói para Ponte Grande Elenco. Lula mandou as condolências à família do defunto ilustre, mas o telegrama foi devolvido porque o destinatário é ignorado pelo carteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;[Na foto acima, um dos raros registros modernos de Grande Elenco. Forçado pelo diretor do Retiro dos Artistas, ele participou desta foto, na qual pede auxílio à entidade filantrópica. Na foto, Grande Elenco aparece em primeiro plano. Pode-se ver com nitidez todo o braço esquerdo do ator, numa expressão que é a sua marca registrada e que nos move a todos em direção à solidariedade.]&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93559384?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93559384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93559384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93559384' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93504201</id><published>2003-04-29T23:17:00.000-03:00</published><updated>2003-04-29T23:20:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Eu te amo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos crianças quando ele compôs isso, em 1980. Éramos dois seres minúsculos, com olhos brilhantes. Não nos conhecíamos, claro. Sonhávamos sonhos muito mais fáceis de realizar. Você com a Barbie na mão, eu com um carrinho que nem de controle-remoto era. Hoje, mais velho mas não menos ingênuo, mais sério mas não menos infantil, escutei esta música, na voz da Miúcha, e me permiti um choro que vem lá dos anos oitenta, de uma época em que eu era o que todos pensam que não sou mais, mas sou. E em chorando, me lembrei de você, que se permitiu me amar, que viu além da armadura. Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se já perdemos a noção da hora&lt;br /&gt;Se juntos já jogamos tudo fora &lt;br /&gt;Me conta agora como hei de partir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios &lt;br /&gt;Rompi com o mundo, queimei meus navios &lt;br /&gt;Me diz pra onde é que inda posso ir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nós, nas travessuras das noites eternas &lt;br /&gt;Já confundimos tanto as nossas pernas &lt;br /&gt;Diz com que pernas eu devo seguir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se entornaste a nossa sorte pelo chão &lt;br /&gt;Se na bagunça do teu coração &lt;br /&gt;Meu sangue errou de veia e se perdeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, se na desordem do armário embutido &lt;br /&gt;Meu paletó enlaça o teu vestido &lt;br /&gt;E o meu sapato inda pisa no teu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, se nos amamos feito dois pagãos &lt;br /&gt;Teus seios inda estão nas minhas mãos &lt;br /&gt;Me explica com que cara eu vou sair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, acho que estás só fazendo de conta &lt;br /&gt;Te dei meus olhos pra tomares conta &lt;br /&gt;Agora conta como hei de partir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93504201?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93504201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93504201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93504201' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420204</id><published>2003-04-28T17:38:00.001-03:00</published><updated>2003-04-28T17:38:22.713-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Miúcha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistei hoje a Miúcha. A cantora de &lt;i&gt;Pela Luz dos Olhos Teus&lt;/i&gt;, que nas horas vagas é irmã do Chico Buarque, mãe da Bebel Gilberto e ex-mulher do João Gilberto. Ah, sim, e filha do Sérgio Buarque. Meu Deus! Que simpatia de mulher. Que pessoa mais leve, bem-humorada. Estou encantado. Amanhã vou ao show. Abaixo, uma visão adaptada da entrevista com a voz mais doce do mundo. &lt;b&gt;Com todos os defeitos que uma matéria escrita às pressas pode ter&lt;/b&gt; — me desculpo logo. Vou ser sincero: Miúcha parece ter uns dezesseis anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pela Luz dos Olhos Dela&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada como trabalhar com pessoas de bem com a vida. Cantores, sobretudo os de MPB, mas também os de pop e rock, costumam se mostrar absolutamente entediados com a vida e com aquilo que os cercam. Não respondem às perguntas, desdenham para o sucesso que porventura estejam vivendo, são monossilábicos quando deveriam ser prolixos e vice-versa. Miúcha não. Em entrevista por telefone, ela mostra por que a bossa-nova fez extremo sucesso numa época em que a felicidade não estava dissociada da inteligência. Com uma voz alegre e risonha, respondeu às perguntas do repórter com simpatia ímpar, que por isso mesmo deve ser ressaltada. Como se a voz não bastasse, outro motivo para ver Miúcha no show do Teatro Guaíra é o descompromisso de alguém de inequívoco talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma música de sucesso na abertura da novela das oito, &lt;i&gt;Mulheres Apaixonadas&lt;/i&gt;, Miúcha está otimista com a música de qualidade, que nas mãos do autor Manoel Carlos parece ter ganhado um espaço importante, tradicionalmente disputado por cantores sertanejos, de pagode, axé e românticos bregas de ocasião. Ela conta que a iniciativa de colocar uma música que foi gravada pela primeira vez há 26 anos na abertura de uma novela partiu do próprio Manoel Carlos. “Por ser um autor respeitado dentro da Rede Globo, ele tem autoridade para escolher a trilha. E foi muito cuidadoso nisso, para que fosse uma música de qualidade”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música &lt;i&gt;Pela Luz dos Olhos Teus&lt;/i&gt; reconquistou o público. Até crianças a cantam, segundo Miúcha. Não era para menos. A música simples, romântica sem ser piegas e com a marca registrada do maestro Tom Jobim ganha ainda mais força com a interpretação risonha da cantora carioca. Miúcha se destaca no cenário musical brasileiro por ser uma cantora de poucos trabalhos, mas todos de beleza irretocável. O cuidado extremo na confecção do disco, tão na contracorrente de uma indústria fonográfica ansiosa por sucessos em série, acaba por produzir lapsos de tempo no lançamento dos trabalhos da cantora. Ano passado, depois de quatro anos sem gravar, ela lançou &lt;i&gt;Compositores&lt;/i&gt;, um trabalho de verdadeira garimpagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ela, a oportunidade de cantar num mercado fechado, de disputa acirrada e ainda com o problema da pirataria no encalço já é uma vitória. Conquistada graças à aposta de gravadoras como a Biscoito Fino, que atua num segmento pequeno, mas fiel. O público de MPB sabe que, ao adquirir um disco da Biscoito Fino, está comprando sobretudo qualidade. E não se trata, aqui, do tradicional jabá; é somente a constatação de um fenômeno mercadológico que privilegia uma atuação menos abrangente, mais específica e por isso mesmo mais eficiente junto ao público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, Miúcha sabe que a música popular brasileira sofreu revés após revés nos últimos anos. Não só no que diz respeito ao consumo interno, mas também na música para exportação. Sem nenhum cuidado, o Brasil exportou para a Europa coisas como lambada, pagode, axé e aquela música do Parintins. Agora é que está havendo uma preocupação com a retomada de uma música de qualidade tipo exportação. Tanto que Miúcha e sua bossa-nova por vezes considerada antiquada ganha cada vez mais mercado na Europa e no Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado fenômeno, o do envelhecimento de um gênero. “Só no Brasil é que a bossa-nova é considerada um gênero velho. No resto do mundo não é assim”, espanta-se ela. E tem razão. “No resto do mundo não se fala no envelhecimento do jazz. E hoje nem se discute se o jazz é feito por brancos ou negros. Só aqui”, completa. Tinhorão que o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aceitação da música popular brasileira passa também por uma divulgação junto a um público ávido por novidades, isto é, os jovens. Dori Caymmi, em entrevista recente a uma revista semanal, acusou a própria geração de ter sido omissa na educação musical de seus filhos, que por conta disso teriam nascido surdos para a MPB. Miúcha ri da declaração do amigo. “O Dori é muito engraçado e mordaz”, opina. “Mas acho que não há pai ou mão que consiga lutar contra a força da televisão, dos bailes”. Para ilustrar que a aproximação da MPB ou da bossa-nova junto aos jovens tem que ser uma coisa natural, cita o exemplo da própria filha, a consagrada Bebel Gilberto. “Minha filha me achava matulasalênica. Ela mal sabia as músicas do Chico. Ela só começou a se tocar da música feita aqui quando escutou dois conjuntos, o A Cor do Som e Boca Livre. Foi só neste momento que ela se voltou para a música brasileira. Ou seja, não se pode obrigar um filho a escutar isso ou aquilo”, disserta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a mistura de bossa-nova com música eletrônica, feita por gente como Fernanda Porto, desperte novamente o gosto dos jovens para o gênero que acham antiquado demais, não é mesmo? Não para Miúcha, Ela acha que o som criado pelo ex-marido João Gilberto tem um swing próprio, que dispensa a batida eletrônica. “O swing da bossa-nova não pode ser mecanizado e no entanto está sendo. Está se perdendo”, reclama, mas sempre com um sorriso despreocupado na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, outras vertentes da MPB surgem. Compositores novos, que não querem mais ser identificados com uma velha guarda nem tão velha assim, buscam caminhos mais herméticos para fazer a chamada nova MPB. É uma música que, diferentemente daquela que conquistou o mundo nas décadas de 50 e 60, se pauta pela intelectualização extrema. Não se pode dizer que haja simplicidade num disco da nova MPB. O que é uma pena, sem dúvida, mas para Miúcha é também algo natural. “Qualquer movimento artístico tem o auge da criação e depois o cara quer fazer mais. Mas acho que a essência da bossa-nova é mesmo a simplicidade. Ela é complexa, cheia de acordes ricos, encadeamentos de belezas. Mas a forma é muito simples. Agora, esta batida mecânica é chata”, diz. E tem dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No show, ela aproveita para divulgar seu mais recente trabalho, &lt;i&gt;Compositores&lt;/i&gt;. Um disco de “garimpagem e acontecimentos”, como ela define. Garimpagem porque traz músicas quase que desconhecidas de compositores importantes, como Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O disco parece uma daquelas coletâneas de lado B, mas não é. As músicas que compõem o repertório foram aparecendo espontaneamente. Chega a ser incrível que Miúcha tenha conseguido, em pleno século 21, gravar uma música inédita de Tom Jobim, uma parceria com João Donato do final dos anos 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No embalo da divulgação de &lt;i&gt;Compositores&lt;/i&gt; e curtindo o sucesso da antológica &lt;i&gt;Pela Luz dos Olhos Teus&lt;/i&gt;, ressuscitada graças à novela, Miúcha também se prepara para gravar um disco só com letra e música de Vinícius de Moraes. Ela adiante que conseguiu duas músicas inéditas, uma que estava em poder do Quarteto em Cy e outra, em inglês, que o poetinha fez para a filha que acabara de nascer e na qual diz que a mãe, se refazendo do parto, está cansada, mas que o pai, bem, “dad needs a drink”, canta o poeta. Esse Vinícius!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420204?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420204' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420194</id><published>2003-04-28T17:38:00.000-03:00</published><updated>2003-04-28T17:38:04.243-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Coisa estranha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia bom no jornal hoje. Foi bom isso ter acontecido, na verdade. Tornam as coisas muito mais fáceis. Porque sei que não se trata apenas de fazer o que se gosta. O buraco é mais embaixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420194?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420194' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420170</id><published>2003-04-28T17:37:00.002-03:00</published><updated>2003-04-28T17:37:49.680-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Clarice Lispector&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém (não eu) deveria investigar este interesse absurdo que as obras de Clarice Lispector estão despertando nas pessoas. Em poucos meses, assisti a três peças supostamente baseadas nas obras da escritora. Tem uma quarta, com Suzana Vieira, em cartaz no Rio de Janeiro, à qual não tive coragem de assistir, sinceramente. Agora, em São Paulo, vai ser realizado um evento em homenagem a Clarice Lispector, com nome bem acadêmico: &lt;i&gt;Sentidos de Clarice ou Clarice e Seus Sentidos&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que tive a minha “fase Clarice”. Que, volta e meia, ameaça retornar. Gosto, sobretudo, de &lt;i&gt;A Hora da Estrela&lt;/i&gt; e de &lt;i&gt;Laços de Família&lt;/i&gt;. Não acho que Macabéia seja uma personagem sem imaginação. Tanto que, quando vou a uma Lojas Americanas, olho aquelas caixas que me parecem ter sempre olhos de Macabéia. Na verdade, o destino da menina magérrima, nordestina, fugida da seca e da miséria, que sonha com artistas de cinema e tem um namorado brutamontes é absolutamente inverossímil. E é nisso que reside sua graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho interessante que várias pessoas se detenham neste livro porque vêem nele um enfoque social. Besteira. É um livro sobre criação literária, sobre a construção de personagens, sobre o difícil trabalho de dar um destino às suas criações. O modo como o escritor, o verdadeiro protagonista de &lt;i&gt;A Hora da Estrela&lt;/i&gt;, conduz a vida de Macabéia pelos becos da existência é o verdadeiro achado do livro. Que, por sinal, hoje me parece muito mais bem-humorado do que antigamente. É incrível como o protagonista, apesar de querer muito ser um escritor, falha miseravelmente em seu intento. E é contando esta falha que Clarice acaba por escrever uma obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a escritora adquiriu uma aura chata. Chata demais, eu diria. A gente a lê e quase vê Clarice com uma piteira. Mas não de um jeito elegante com uma piteira, e sim de um jeito suburbano com uma piteira. Não é culpa de Clarice, e sim dos leitores de Clarice. Eles acham que ela queria escrever “verdades definitivas”. Acho que o maior valor na obra de Clarice está nas perguntas que ela faz ao leitor. Qual seria, por exemplo, a pergunta de &lt;i&gt;A Hora da Estrela&lt;/i&gt;? Muitos podem acham que é algo como “para que serve a vida de uma miserável”, coisa assim. Não. Clarice se pergunta qual a medida exata de um personagem bem construído, até onde o clichê pode ser disfarçado e, sobretudo, qual o grau de interferência do escritor em seu romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, contudo, um livro para iniciados. Sem dúvida. Pecado dar Clarice para uma criança. Continua achando que uma criança deva ler somente livros da Coleção Vaga-Lume, sem se importar com a nacionalidade do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para admirar Clarice hoje em dia é preciso um distanciamento do “universo de Clarice”. Tenho os livros dela na minha estante e vez ou outra faço até menção de relê-los. Mas daí eu me lembro de uma atriz que resolveu adaptar &lt;i&gt;Perto do Coração Selvagem&lt;/i&gt; para o teatro, e lembro que a mesma atriz usou uma trilha sonora composta por Elis Regina, e que ela berrava e que achava que estava compreendo a existência por meio de mímicas... Desisto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420170?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420170' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420154</id><published>2003-04-28T17:37:00.001-03:00</published><updated>2003-04-28T17:37:28.236-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Astrologia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi desde cedo que astrologia era errado. E até hoje vou escutar das pessoas mais próximas que astrologia é uma coisa do diabo. Lembro-me, além disso, de Paulo Francis dizendo que, para acreditar em astrologia, é preciso ter minhoca na cabeça. E sempre que alguém me fala de astrologia ainda tenho em mente a imagem de certo estudante do assunto que não sai de casa porque está com o Plutão fora de lugar. Não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é que vejo pessoas inegavelmente inteligentes estudando astrologia. Não de um modo religioso, e sim de um modo mais próximo da filosofia. Se vocês pensam que estou falando de Olavo de Carvalho, se enganam. Se bem que ele se inclui neste meio também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo lhufas de astrologia, mas sou curioso. Até porque o assunto está cercado por uma aura negra. Minha irmã, por exemplo, que deve estar lendo este texto, pensa que é coisa do demônio. Minha mãe também deve achar isso. E meu pai idem. Assim como 90% das pessoas que conheço e que se dizem cristãs. Mas na verdade eu sei que esta é uma visão estreita. Até porque estas mesmas pessoas renegam a cabala, algo que consta na tradição judaica, da qual o cristianismo é filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível, porém, estar alheio à astrologia, sobretudo a vulgar. Quem não lê o horóscopo na revista ou no jornal. Minha experiência diz que não importa o nível sócio-econômico da pessoa, ela sempre vai dar uma olhadinha no seu horóscopo. De vez em quando até os evangélicos mais fanáticos escorregam o olho para o horóscopo. É natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicam-me a origem da astrologia, suas implicações filosóficas e psicológicas. Escuto com atenção. Não sou aprendiz, mas simplesmente um ouvinte atento. Em mim existe a culpa por estar prestando atenção aquilo, porque fui criado dentro da tradição cristã que se mantém alheia para estas coisas de ciências ocultas. Ainda assim escuto. Sinceramente, quero que seja verdade. Ao menos a parte boa. O fato de ter um Urano em conjunção com a Lua faço questão de ignorá-lo. O que me importa é a face solar do meu mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, quando sou tomado por aquela incrível culpa cristã por estar ao menos prestando atenção em astrologia, procuro pensar em algo que rege, com o perdão do trocadilho, minha vida: se é bom, é bom. Não acredito num mal absoluto, como os evangélicos que vêem em qualquer ritual de umbanda uma invocação do demônio. Nada disso. Nem tampouco sou como as Testemunhas de Jeová, que acreditam que o budismo é algo demoníaco, só porque não é cristianismo. Acredito (e uso este verbo por se tratar de algo de fé) que o bem usa diversas formas para se manifestar. Se astrologia for uma delas, não vejo problema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420154?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420154' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420139</id><published>2003-04-28T17:37:00.000-03:00</published><updated>2003-04-28T17:37:07.546-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Estes acadêmicos... &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois me perguntam por que eu odeio acadêmicos. Outro dia me indagaram isso e eu pateticamente não soube responder de bate-pronto. Olha isso: um jornalista, Eduardo Torelli, gastou seu precioso tempo e seus abençoados neurônios escrevendo o livro &lt;i&gt;Sexo, Glamour &amp; Balas&lt;/i&gt;. O livro poderia ser só uma pesquisa sobre James Bond, o detetive mais famosos do cinema, mas não é. Porque com seu livro o jornalista quer criticar o “escapismo”  de James Bond. Seria, para ele o detetive seria uma forma de alienar as pessoas. Tenho vontade de me virar para o jornalista e pedir: aliene-me, aliene-me, aliene-me. Deus me livre de ser engajado assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420139?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420139' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420127</id><published>2003-04-28T17:36:00.002-03:00</published><updated>2003-04-28T17:36:52.186-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Censura? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais estão pegando no pé da Rede Record. Não vejo motivo. Trata-se de uma empresa privada, que todos sabem estar ligada a uma seita evangélica, a Igreja Universal do Reino de Deus. Logo, quem manda lá são os bispos e pastores com certa orientação religiosa. Você pode ser contra esta orientação, mas não pode querer que, em nome da pluralidade de idéias, os executivos da TV abdiquem de suas convicções religiosas. Tudo porque a direção da Rede Record anda vetando alguns artistas cujas músicas vão contra seus princípios. Primeiro foi &lt;i&gt;A Festa&lt;/i&gt;, de Ivete Sangalo, que sofreu veto porque faz alusões ao candomblé. Depois, &lt;i&gt;Dandaluna&lt;/i&gt;, de Margareth Menezes, porque a música faz referência a santos, algo que a Igreja Universal considera politeísmo disfarçado. Agora é a vez de Buchecha, viúvo de Claudinho, ser proibido de tocar a música &lt;i&gt;Castigo&lt;/i&gt;, porque ela fala de gozo. É, gozo, prazer sexual. Novamente: você pode até ser contra, mas a casa é deles e lá eles é que mandam. Simples como dois e dois são quatro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420127?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420127' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420113</id><published>2003-04-28T17:36:00.001-03:00</published><updated>2003-04-28T17:36:36.370-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Porém&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que existe uma questão maior aí. Afinal, televisão é concessão pública. O assunto, porém, é complexo demais para ganhar minha atenção. Prefiro um bom bocejo a entrar nesta discussão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420113?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420113' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420082</id><published>2003-04-28T17:36:00.000-03:00</published><updated>2003-04-28T17:36:00.756-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Miss&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que coisa chata! Depois de misses siliconadas, agora é a vez de uma miss fundamentalista. Ninguém merece. Bom tempo aquele em que misses eram só mulheres atrás de um bom casamento. Veja só esta Gislaine (pior do que isso só o nome de uma prima minha: Syslaine), do Tocantins. Para ela, o fato de ter medidas perfeitas e um cérebro perfeito para o cargo que agora ocupa é algo divino. “Foi por Deus”, disse, depois de ter sido eleita Miss Brasil 2003, num concurso que teve direito até a Dostoievski. Sério. O mestre de cerimônias evocou o nome do escritor russo quando disse que “a coisa mais difícil de julgar é a beleza”. Alguém aí pode atestar a veracidade da citação?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420082?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420082' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420066</id><published>2003-04-28T17:35:00.002-03:00</published><updated>2003-04-28T17:35:40.470-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Males que vem para o bem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia japonesa, que já andava em crise, agora promete ir à bancarrota. É que o Japão, por causa da pneumonia asiática, proibiu os tradicionais karaokês de funcionarem. O microfone seria um meio propagador do vírus que causa a doença. Diante desta medida, nunca é demais perguntar: quando é que esta porra de vírus chega por aqui?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420066?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420066' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420048</id><published>2003-04-28T17:35:00.001-03:00</published><updated>2003-04-28T17:35:17.513-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Sweet Memories&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vejo a hora de assistir, amanhã, à “estréia” de &lt;i&gt;Carga Pesada&lt;/i&gt;. Lembro-me de, criança, acordar muito cedo para assistir às aventuras dos caminhoneiros amigos. Não conheço caminhoneiros, nem nada. Jamais quis dirigir um caminhão e, pelo que lembro, jamais sentei-me numa boléia. Mas eu gostava de ver as paisagens, aquela coisa toda. Assistir ao seriado amanhã vai ser mais um daqueles retornos à infância. Maravilha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420048?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420048' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93420036</id><published>2003-04-28T17:35:00.000-03:00</published><updated>2003-04-28T17:35:01.356-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ofídeo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém comentou. Estranhamente. Mas vocês viram a cobra do Lula? Digo, a cobra no pé do Lula, quando ele foi lançar um destes programas assistencialistas no Nordeste? Caramba! Era uma coral. Uma coral, para quem não sabe, é da cobras mais mortíferas que existem. A proximidade da cobra com o pé do presidente foi equivalente à de um terrorista. Aquilo foi quase um atentado e ninguém percebeu. Fico imaginando se o pior tivesse acontecido. Não iria faltar gente dizendo que a cobra fazia parte de um grande esquema da direita patrocinada pelos grandes bancos financiadores da globalização, coisa e tal. E eu, cá em casa, ficaria era com pena da cobra coral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93420036?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93420036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93420036' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93299995</id><published>2003-04-26T13:06:00.000-03:00</published><updated>2003-04-26T22:26:14.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Comentários&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho!! Depois de muito lutar, finalmente consegui colocar este sistema de comentários aqui. Por algum motivo, sempre que eu o instalava o Netstat caía fora do template. Como eu não entendo porra nenhuma de HTML, fui fazendo testes, testes, testes, até que tirei uma tag (olha eu falando em nerdês) e tudo funcionou a contento. Ao menos, parece. Bem, este sistema ao menos serve para espantar os espíritos de porco que por aqui passam diariamente. Gente que acha que eu acho que sou um gênio e que querem provar que não sou, que sou um retardado, estas coisas. Se soubessem... Bem, aqui vamos nós de novo. E que esta seja a última vez, pelo amor de Deus!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93299995?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93299995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93299995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93299995' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245871</id><published>2003-04-25T13:03:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T13:03:27.493-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Eco, eco, eco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando a gente fica com uma música ruim na cabeça e, justamente por ela ser muito ruim, fica cantarolando, cantarolando, cantarolando o dia todo? Pois é. No repertório do meu cérebro doente, hoje, eu tenho uma música dos Tribalistas. Sinto pena de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245871?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245871' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245839</id><published>2003-04-25T13:02:00.001-03:00</published><updated>2003-04-25T13:02:56.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Indianização&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de escrever sobre o disco &lt;i&gt;Porã-Hei&lt;/i&gt;, produzido pelo filho de Caetano Veloso, qualquer que seja o nome dele. Não reproduzo aqui porque tenho vergonha e preguiça. Mas instruo meus leitores dizendo que é um disco com cantos "holísticos" indígenas, misturados com música eletrônica. Já viu, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245839?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245839' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245795</id><published>2003-04-25T13:02:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T13:02:17.560-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Quer ser meu amigo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curitiba está fazendo de tudo para ser mesmo Capital Americana de Cultura, como quer uma ONG dessas por aí. Para o Perhappinness, evento anual de louvação a Paulo Leminski e a coisas relacionadas a Paulo Leminski, a Fundação Cultural de Curitiba tem tentado convidar nomes de peso, em vez dos nomes coitadinhos da literatura nacional. Chamou Milan Kundera e Umberto Eco, que recusaram o convite. Agora, parece que vão ter mesmo de se contentar com Isabel Allende. Ah, sim, e com Mirisola, quem quer que seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245795?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245795' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245764</id><published>2003-04-25T13:01:00.001-03:00</published><updated>2003-04-25T13:01:45.026-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Porre seco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cracatoa.blogspot.com"&gt;Alessandro Martins&lt;/a&gt;, num momento de sobriedade extrema, mais ou menos às duas da tarde, no meio de um café:&lt;br /&gt;— O pudim de leite é assim um líquido amniótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Não, não é para entender mesmo. Ou melhor, se você conseguir entender, ganha um beijo e um queijo].&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245764?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245764' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245728</id><published>2003-04-25T13:01:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T13:01:01.990-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A irmã do Chico&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ter show da Miúcha em Curitiba, na terça-feira. Talvez eu a entreviste. Se bem que eu não consigo pensar em nada para perguntar a ela que não esteja relacionada ao irmão, Chico Buarque. Coitada. Deve ser duro ser irmã do Chico Buarque.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245728?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245728' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245705</id><published>2003-04-25T13:00:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T13:00:32.030-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Tureta&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narjara Tureta. Lembram dela? Eu também não lembrava, até hoje pela manhã, quando li um comentário da &lt;a href="http://epinion.blogspot.com"&gt;Paula Foschia&lt;/a&gt; dizendo que a atriz virou vendedora de coco em Copacabana. Isso não é o pior. O pior foi ter lembrado de um quadro do TV Pirata, que brincava com as mudanças constantes de nomes de moedas no Brasil. Até que uma hora encheu o saco e os humoristas resolveram chamar a moeda brasileira de Narjara Tureta, simplesmente. Você ía ao mercado e pagava, por um quilo de franco, cinco narjara-turetas. Queria uma boneca inflável, duzentas narjara-turetas. Hei, anos 80!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245705?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245705' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245661</id><published>2003-04-25T12:59:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:59:36.490-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Psicólogos &amp; outras excrescências&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem que eu volte a ser analisado. Estou percebendo. É um complô. Namorada, amigos. Todos dizendo que eu preciso ir a um analista. Devem achar que está sobrando muito dinheiro do meu minguado salário para gastar com isso. Ou então não me ouviram ainda desfiar a ladainha do hominho dominado por boletinhas por dois anos, dos quais não se lembra muita coisa. Ou ainda acham que sou louco, por pensar assim, que sou muito louco por eu ser feliz mais louco é quem me diz que não é feliz, não é feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não tenho problema, a rigor, com a psicologia. Até mesmo com Jung, desafeto de anos, estou me reconciliando. O problema mesmo é com os psicólogos, que não dominam nem 1% da ciência/arte/literatura que pretendem estudar. Posso até ir a um psicólogo, dia desses, mas ele terá de passar por uma prova, por mim escrita, com questões sobre Shakespeare, Milton, Dante, mitologia clássica, mitologia bíblica, além de uma relação dos últimos 80 livros que leram, com um resumo de cada um. A nota a ser alcançada para ser meu psicólogo é 9,0. Mas eu só pago o preço integral da consulta a quem tirar 10,0, logicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico me lembrando das minhas três psicólogas. Uma velhinha que se achava oráculo, uma outra que estava em dúvida se acreditava em Freud ou no Prozac e outra para lá de alcoviteira, que jamais tinha lido um livro na vida e que admirava a Xuxa. Acho que tenho motivos de sobra para não freqüentar nunca mais um divã, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu continuo gostando de ler sobre psicologia. Freud, sobretudo. Com Jung eu estou me reconciliando, já disse. E devo voltar a ele nos próximos meses. Não adianta: ainda acho que meu melhor analista sou eu mesmo. Pelo menos eu li o Hamlet, porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, eu tenho uma grande arma contra os grandes sofrimentos do homem, sobra a qual já escrevi alguma coisa: resignação. A partir do momento em que a gente se descobre capaz de resignar-se diante da maior dor do mundo, tudo fica mais fácil. Isso não significa acomodar-se, nada disso. E sim saber que tudo é passageiro, por isso passa, até mesmo o mais fundo, escuro e fedorento dos poços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, porque muito feliz, andei esquecendo o que era resignação. Até que, outro dia, passei uma tarde inteira usando isso, intensivamente. Resignação na veia mesmo. Tomei um banho longo, sem choro, mas cheio de resignação. Fui para a varanda e olhei o mar de resignação. Andei pela sala e me deitei sobre almofadas coloridas de resignação. E por fim dormi um sono cheio de resignação. Sobrevivi, pois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, taí uma boa definição para um psicólogo ideal: traficante de resignação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245661?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245661' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93245137</id><published>2003-04-25T12:50:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:50:22.440-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ludopédio, como diz alguém&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou morrendo de vontade de comentar sobre futebol, mas não tenho visto muitos jogos. Outro dia me atrevi a um Santos x Nacional, pela Libertadores. Joguinho ruim, meu Deus. Mas o pior mesmo é agüentar os comentários do Casagrande. Uma tortura. O futebol que tenho acompanhado se resume ao Globo Esporte. Onde, por sinal, vi a derrota do Palmeiras para o Vitória, por 7 a 2. Aquela furada do Marcos, no último gol, foi das coisas mais belas que vi nos últimos anos. Bela mesmo. No sentido em que uma coisa que nos constrange ao extremo pode ser bela. Por sinal, foi assistindo ao Santos x Nacional que descobri algo óbvio: não sou um torcedor. Não sei ser um torcedor. Lembrei-me do Palmeiras na Libertadores de alguns anos atrás. Como corintiano que teoricamente sou, eu não deveria torcer para o Palmeiras. Mas torcia, é fato. No ano em que o Atlético Paranaense foi campeão, eu não deveria torcer para o Atlético, já que aqui em Curitiba minha simpatia é pelo Coxa, mas torci, é fato. E quase comemorei. O fato é que eu gosto de futebol e que, por algum motivo absolutamente ilógico, antes de o jogo começar começo a torcer para um dos times, que não precisa ser necessariamente o time para o qual eu tradicionalmente torço. Isso só não se aplica a jogos vistos no estádio, claro, porque neste caso se torce para o time em cuja torcida se está. Simples. Tenho, porém, grandes antipatias no futebol. Vasco, por exemplo. Não por causa do time em si, mas por causa do Eurico Miranda. E do Grêmio também não gosto, acho medito a besta demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93245137?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93245137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93245137' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244917</id><published>2003-04-25T12:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:46:33.703-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mudanças&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou procurando emprego no McDonald's. Meu sonho é ser gerente da lanchonete. Uma profissão deveras desafiadora e intelectualmente estimulante. Chega de ficar convivendo com jornalistas que acham que o buraco de rua merece manchete e vai mudar o mundo. Gente que acredita que pode mudar o País, que acredita em Lula como se fosse um messias ou um Antônio Conselheiro, gente que acredita em ação social, em ONGs e em estatísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já deixei um currículo no McDonald´s perto da minha casa. Foi meio ridículo, na verdade. Porque fico imaginando o cara do RH abrindo o envelope e vendo o que sou/fui: repórter, editor, crítico de cinema, literatura. Acho, sinceramente, que nâo tenho a menor chance. Digo, se eu fosse o cara do RH, jamais contrataria alguém que leu Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinco quando, na verdade, o anúncio que faço é sério. Depois de várias noites insones, descobri o que estava estampado na minha cara desde que nasci: não sou jornalista. Não sou nem nunca vou ser. Lembro de um dia, há uns dez anos ou mais. Eu queria participar de um concurso literário de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Só tinha um problema: eu não conhecia São José dos Pinhais e teria de ambientar minha história lá. Foi quando tive a brilhante idéia de pegar um ônibus e conversar com as pessoas, para ver no que dá. Na época, nervoso, com medo, pensei que eu tinha de fazer isso, para provar para mim mesmo que eu podia ser um jornalista. Desisti quando o ônibus chegou, depois de uma crise no ponto. Eu deveria ter ouvido o Destino ou o velhinho de terno amarrotado que arrotou ao meu lado, naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem adianta teimar. Não sou jornalista. Não tenho a volúpia do furo, não acho que meu texto mude alguma coisa, escrevo com humor, não sou imparcial, não sou de esquerda, leio muitos livros, gosto de, em roda de bar, conversar sobre qualquer coisa que não seja problemas e fofocas de redação. Isso, para mim, é motivo mais do que suficiente. Não sei o nome dos ministros, não tenho a menor idéia de a quantas anda o caso dos grampos de ACM, não me interessei pela Guerra do Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É um paradoxo, bem sei, mas eu vou dizer: não sou jornalista justamente por ser um jornalista. Acho que jornalistas de verdade entenderão este paradoxo. Explicá-lo fica mais difícil.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começarei a procurar emprego. Qualquer coisa que me paga melhor e que não exija meus sábados e domingos. Quero poder chegar em casa, escrever ficção, ler muito, amar minha namorada, passear no parque aos domingos, almoçar em Santa Felicidade, ir ao cinema sem o compromisso de uma crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste, claro. Posso pensar que perdi anos da minha vida. Perdi tempo na faculdade. Gastei muitos neurônios escrevendo sobre coisas idiotas. Mas prefiro não pensar assim e levar a cabo o ensina do Adriano Koehler, meu amigo que passa uma temporada na Rússia, e que me disse recentemente, por carta, algo óbvio, mas verdadeiro (óbvio porque verdadeiro): na vida, a gente nunca erra, porque é vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não liguem; o Adriano é meu guru de auto-ajuda e eu estou muito feliz com isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244917?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244917' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244747</id><published>2003-04-25T12:43:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:43:31.006-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Resgate da obra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi um CD contendo textos meus escritos durante a década de 90. Ontem, no entanto, encontrei volumes encadernados em capa dura com os tais textos. Nome em dourado, uma cafonica só. Eu era um tolo mais todo do que sou hoje. Os volumes continham contos, poemas e artigos de alguém que achava que a literatura poderia mudar a vida das pessoas. De um ingênuo, em suma. Comecei a ler os contos. Uma besteira atrás da outra. Suicídio em quase todos eles, lições edificantes, críticas ao cristianismo, trocadilhos idiotas. O pior é que, lendo estes textos, me lembrei que alguém me disse certa vez que eu tinha dons de profeta. Porque o que eu escrevia se tornava realidade. Besteira, claro, mas que me amedronta ainda hoje. Sou um bobo, eu sei. Mas um bobo precavido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244747?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244747' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244692</id><published>2003-04-25T12:42:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:42:27.636-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Comer, comer&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os psicólogos de araque reduzem o Complexo de Édipo a uma coisa sexual. O analisado quer comer, no sentido bíblico, a mãe. Uma besteira sem tamanho. Para estes psicólogos, o auge da profissão deve ser analisar um filho incestuoso. O que eu não daria para ouvir uma sessão destas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244692?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244692' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244668</id><published>2003-04-25T12:41:00.001-03:00</published><updated>2003-04-25T12:41:57.413-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Politicagens&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por estas e outras que não quero mais ser jornalistas. Lembram daquela história do Sebastião Uchoa Leite? Pois é. O Paulo Roberto Pires escreveu um texto xingando os signatários do texto, isto é, eu e o Rogério Pereira, de tudo e mais um pouco. Na época, fiquei meio assim e repetia para todo mundo que onde eu pus humor viram maldade. E as pessoas me diziam que por detrás disso havia muito mais coisa do que eu poderia imaginar, porque o Paulo Roberto Pires vai ser editor da Planeta, que vai investir pesado no mercado editorial brasileiro. Sinceramente, não tenho paciência para futricas literárias. Não sou jornalista, pois. E tenho senso de humor, o que é pior ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244668?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244668' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244623</id><published>2003-04-25T12:41:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:41:12.953-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;João&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joâo Gilberto deu seu showzinho além do show propriamente dito na inauguração na nova Tom Brasil, em São Paulo. Reclamou do som muito. O que mais me tocou, porém, foi saber que João Gilberto anda pensando muito na morte. Ele falou de morte, de despedida no tal show. É triste. Deve ser horrivel mesmo sobreviver à sua geração. Vejo isso em Fernando Sabino e agora em João Gilberto. São remanescentes de uma outra era. Não necessariamente melhor que esta. Apenas outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, no show João Gilberto fez uma homenagem a Lula, disse que era emocionante ter um metalúrgico no poder, coisa e tal. Tudo isso, porém, se desfaz quando ele começa a cantar O Pato. João Gilberto é chato, sim, mas eu gosto dele. E ponto-final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244623?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244623' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93244509</id><published>2003-04-25T12:39:00.000-03:00</published><updated>2003-04-25T12:39:17.640-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Triste&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje os níveis de dopamina e seratonina estão baixos. Nenhum motivo especial. Simplesmente acordei assim. Talvez tenha algo a ver com a batata com gorgonzola de ontem à noite, não sei. Acordei, olhei para a gaveta de remédios e vi todos aqueles frascos de antidepressivos abandonados há quase um ano já. Hesitei. Tomei um banho, me troquei e decidi que é melhor agüentar um dia só de seratonina e dopamina abaixo da média. Meus leitores que me tolerem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93244509?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93244509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93244509' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93175540</id><published>2003-04-24T10:27:00.000-03:00</published><updated>2003-04-24T10:27:17.446-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Constatação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo se divide entre as pessoas que davam e as que levavam chá de cueca. (Adivinha em que grupo eu me enquadrava. Ah, se enganou, meu bem: eu dava chá de cueca. E não me orgulho nem um pouco disso.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93175540?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93175540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93175540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93175540' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93173026</id><published>2003-04-24T09:23:00.000-03:00</published><updated>2003-04-24T10:50:56.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Dúvida cruel&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convoco todos aqueles que me conhecem pessoalmente a dizerem, de uma vez por todas: sou loiro ou moreno? E nem adianta sair pela tangente e dizer que sou castanho ou careca. A questâo é: loiro ou moreno. Acordei com esta dúvida hoje e não vou dormir sem uma resposta satisfatória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93173026?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93173026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93173026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93173026' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131422</id><published>2003-04-23T16:53:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:59:14.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Nina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para a minha namoradinha&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.bbc.co.uk/portuguese/images/030421_nina300.jpg&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a escutar Nina Simone por causa de &lt;i&gt;Ne Me Quittes Pas&lt;/i&gt; muito antes de a música fazer parte da trilha daquele minissérie &lt;i&gt;Presença de Anita&lt;/i&gt;. Eu estava numa fase francófila, escutando muito Edith Piaf, quando me deparei com o &lt;i&gt;Ne Me Quitte Pas&lt;/i&gt;. A partir daí, comecei a ouvir Nina Simone praticamente todos os dias. Apenas um CD. E daí me lembrei que Nina Simone havia sido citada como cantora favorita de uma assassina num filme, como é mesmo o nome dele? Não lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina Simone entrava pelos poros. A frase pode parecer clichê, mas é verdade. Entrava pelos poros sobretudo em &lt;i&gt;I Put A Spell On You&lt;/i&gt;, música que tem um diálogo absolutamente incrível entre voz, piano e sax. De matar até quem, como eu, não entende porcaria nenhuma de música. Quando escuto &lt;i&gt;I Put a Spell On You&lt;/i&gt;. ainda hoje, sou levado a crer numa elevação imediata do espírito, pela música. Mais ou menos o que sinto quanto escuto Bach, tomadas as devidas proporções e, claro, levando em conta os momentos diferentes, o ambiente, estas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só tinha um disco da Nina Simone, um destes Greatest Hits quaisquer. Por isso, cada música representava um determinado momento da minha vida. Tive a fase &lt;i&gt;Pirate Jenny&lt;/i&gt;, veja só. Adoro aquilo e, sinceramente, não ligo nem um pouco para a mensagem socialista da música. Uma coisa interessante em Nina Simone é que jamais a vi como uma ativista negra, mesmo sabendo que ela era ligadona nestas coisas. Simplesmente a arte dela suplantava seu discurso político. Coisa que, às vezes, e só às vezes, acontece com Caetano Veloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que sou levado a crer que foi Nina Simone quem me salvou de mim mesmo. Exagero, claro. Afinal, o único que poderia me salvar, nos períodos extremamente negros, era eu mesmo. Salvei-me, pois, ao som de &lt;i&gt;Don´t Let me Be Misunderstood&lt;/i&gt;. Que cantava, ouso confessar, com lágrimas nos olhos, gritando para que ao menos os vizinhos soubessem que eu sou apenas uma alma cheia de boas intenções. Acho que o meu grito chegou mais longe do que eu poderia imaginar, cruzou fronteiras municipais e estaduais. Foi cair num belo par de orelhas com um discreto brinco prata, no sopé do Corcovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, resolvi comprar outros discos de Nina Simone. O curioso é que nenhuma música destes discos me cativou. Nem &lt;i&gt;My Baby Just cares For Me&lt;/i&gt;, nem &lt;i&gt;Don´t Explain&lt;/i&gt;. Até que, subitamente, comecei a deixar o disco tocando, tocando, e fui me familiarizando com esta outra Nina que não era aquela a que eu me acostumara, mas que era a mesma. Contribuiu para tanto um par de olhos com menorás dentro, mas esta é uma outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, eu estava numa mega-livraria (que não era uma mega-store). Deliciava-me com um filé mignon grelhado, com acompanhamentos que depois achei horríveis (arroz sete grãos e purê daquela batatinha doce, sabe?). Conversava animadamente, até que, entre um eu-te-amo e um eu-te-adoro, comecei a escutar &lt;i&gt;Ne Me Quittes Pas&lt;/i&gt;, música com a qual estava rompido há alguns meses (dias?). Eu olhava para a pessoa à minha frente, que silenciara. Ora, eu não falo francês, a não ser aquelas palavrinhas que todos sabemos, como abajur e soutiã (sic, sic), mas a letra de &lt;i&gt;Ne Me Quittes Pas&lt;/i&gt; eu decorei todinha. E comecei a cantar, ou melhor, a mover os lábios apenas, num canto mudo, porque não sou herege de querer fazer duo com Nina Simone. Cantei, rimos eu e os olhinhos brilhantes daquela que amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música foi interrompida por aquele que cuidava do som ambiente da livraria. Fiz menção de chamá-lo para a porrada, de dar escândalo, mas fui contido por um sorriso e um beijo. Fiz força para controlar-me. Afinal, o mestre de cerimônias de ocasião havia interrompido uma grande sessão de playback de minha parte, na qual eu me travestia de negra americana gorda e bêbada para o meu amor. O que não acontece todos os dias, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos a olhar discos. Dançamos um jazzinho calmo no meio da livraria, sob os olhares graves das pessoas inteligentes demais que freqüentam o lugar. Um ou outro riu, percebeu o que transbordava nos passinhos tímidos. Livros, livros, mais livros. Quase na hora de ir embora, toca o telefone. Ouço um grito contido, uma depressão que se avolumava no peito alheio. Era um amigo avisando àquela que há poucos minutos fazia caras e bocas canastrissimamente lindas no meio de &lt;i&gt;My Baby Just Cares For Me&lt;/i&gt; da morte da cantora. A depressão escorreu em forma de desânimo. Nela, o corpo algo mais lerdo, a cabeça que teimava em não levantar, a voz que saía pesarosa. Em mim, resignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sabia que seria impossível, nas próximas horas, escrever um texto sobre Nina Simone e a morte de Nina Simone sem cair na pieguice. Eu tinha consciência da perda, sobretudo enquanto olhava as pessoas na praia de Copacabana, felizes sob uma lua que teimava em ser cheia. Por outro lado, bastava-me saber que Nina Simone havia deixado suas impressões mais profundas em pequenos discos, dispostos ao acaso numa gaveta do meu apartamento. Ela atingira, com isso, a imortalidade que tantos almejam de formas tão baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, deixei a Nina Simone falando enquanto eu tomava um banho. Os menorás do olho alheio me queimavam a lembrança e deixavam impressas bolhas de uma saudade de terceiro grau. No meio do banho, não reconheci lágrimas. Não distingui a dor diluída na água cheia de cloro de Curitiba. Ela estava lá, no entanto: a dor, a beleza, a saudade, Nina Simone.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131422?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131422' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131406</id><published>2003-04-23T16:52:00.003-03:00</published><updated>2003-04-23T16:52:49.383-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Putices&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lixeiros passam, em seus uniformes alaranjados, próximos às putas do Passeio Público. Olham para uma delas, provavelmente a mais feia do mundo, e um deles, muito parecido com aquele contra-regra da Globo, o Russo, comenta:&lt;br /&gt;— Mata o veio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma puta com cara de mãe que faz ponto na alameda de carvalhos que não são carvalhos mas que eu chamo de carvalhos porque não conheço porcaria nenhuma de botânica. Hoje, passei por ela às 8h30. Ela estava lá, trabalhando. Mas, tal qual um operário que tem de apertar parafusos no primeiro dia depois de um feriado prolongado, ela estava cochilando. Preguiçosa que só. Pensei no pobre do cliente que por ventura estivesse a fim de um serviço logo pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma prostituta, agora depois do almoço, recebia um afago de um cliente em potencial. Achei aquilo lindo: um afago na puta. Com as costas da mão, o homem acariciava o rosto dela. Lírico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131406?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131406' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131387</id><published>2003-04-23T16:52:00.002-03:00</published><updated>2003-04-23T16:52:34.240-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mundo louco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atriz Johar Kheirandish, assim uma espécie de Fernanda Montenegro das arábias, foi condenada a 74 chibatas, com direito a sursis, por dar um beijo em público. Ela afirmou, contudo, que prefere as chibatas ao Sursis, porque acha Jean-Paul Sartre muito, muito chato, no que foi aclamada pelo público local. Agora, porém, Johar enfrenta problemas com os fundamentalistas franceses, que a acusam de desprezar o líder existencialista do povo gaulês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131387?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131387' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131370</id><published>2003-04-23T16:52:00.001-03:00</published><updated>2003-04-23T16:52:20.926-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;In&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí uma coisa que eu a-do-ra-ria: pegar a tal da pneumonia asiática. Pelo menos uma vez na vida estar na crista da onda, ser in. Eu, tão conservador, finalmente no meio de uma coisa verdadeiramente contemporânea. E além disso eu tiraria uns dias de folga do trabalho e ainda por cima apareceria na TV e viraria manchetes de todos os jornais, satisfazendo assim uma vaidade que é crescente. Esta última parte não é verdade, mas é que eu estava tentando arranjar um gancho para poder sugerir às celebridades de plantão, sobretudo as decadentes, que esta é a chance delas alcançarem o estrelato novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131370?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131370' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131357</id><published>2003-04-23T16:52:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:52:06.863-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Melanina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a &lt;i&gt;Turma do Gueto&lt;/i&gt; vai para a sua terceira temporada. Isso mesmo: terceira temporada. Assim uma espécie de &lt;i&gt;Friends&lt;/i&gt; com muita melanina, com Netinho no papel de Ross, o seriado tem alcançado 10 ponto no Ibope e por isso mesmo tem preocupado a Globo. Agora, só uma coisa: você conhece alguém que realmente assistir a este negócio?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131357?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131357' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131298</id><published>2003-04-23T16:51:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:51:04.696-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mistério&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sinal, alguém aí no Rio conhece alguém que votou na Rosinha? E o pessoal mais das antigas, conhece alguém que votou no Collor? Nestas questões, somos todos inocentes, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131298?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131298' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131282</id><published>2003-04-23T16:50:00.001-03:00</published><updated>2003-04-23T16:50:51.820-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Besteirol&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro Rasi morreu, vocês sabem. Não assisti &lt;i&gt;Pérola&lt;/i&gt;. Não assisti nada de Rasi, a não ser aqueles patéticos quadros dele no &lt;i&gt;Fantástico&lt;/i&gt;, há alguns anos. Dizem que o dramaturgo gostava de gatos. Por isso merece meu crédito, e só por isso. O que me chocou, na verdade, na morte de Rasi foi o fato de a família não realizar o velório à noite por causa da violência. E o &lt;i&gt;Jornal Nacional&lt;/i&gt; noticiar isso com a maior cara de pau. Piada de mau gosto mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131282?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131282' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131244</id><published>2003-04-23T16:50:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:50:18.316-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Pagode concreto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as fãs do Lenny Kravitz devem estar em polvorosa. É que o grupo de pagode mauricinho paulista resolveu gravar o gajo. Uma versão, ao menos. A música se chama &lt;i&gt;Minha Fantasia&lt;/i&gt;. Tradução de &lt;i&gt;I Ain´t Over Till It´s Over&lt;/i&gt;. Fala sério: nem os irmãos Campos seriam capazes de uma tradução deste quilate. É o que sempre digo: haverá um dia em que teremos saudade de Michael Sulivan &amp; Paulo Massadas. Ah, se teremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131244?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131244' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131194</id><published>2003-04-23T16:49:00.001-03:00</published><updated>2003-04-23T16:49:27.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O tronco do Rodin&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prefeitura de Curitiba abriu um espaço para expor obras de Franz Krajberg. ou seja, troncos de arvores retorcidos, transformados em escultura. Funciona assim: a gente vê um galho retorcido. Nada mais do que um galho retorcido. Mas por uma mágica da semiótica a gente vê... uma escultura! na verdade, no caso de Krajberg acho que conta mais o passado dele, ou seja, a história do sobrevivente do Holocausto que escolheu o paraíso tropical para viver. E não se pode deixar de levar em conta que Krajberg tem um discurso antenado com a onda politicamente correta. As esculturas dele são verdadeiros libelos ecológicos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131194?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131194' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131180</id><published>2003-04-23T16:49:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:49:00.460-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Usura de cor&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa de aleijado é muleta, como reza o ditado. E desculpa de negro é ver racismo em tudo. Ao menos foi isso, o racismo, que Netinho, aquele, usou para justificar sua presença como garoto-propaganda de financeiras que cobrar juros extorsivos de pobres que precisam urgentemente de dinheiro, sejam eles negros ou brancos. Netinho faz propaganda para a Zogby, cujos juros são algo em torno de 7% mensais. Com medo de ser visto como um promotor do capitalismo usurário, Netinho se desculpou dizendo que só fez a propaganda porque o mercado publicitário carece de negros neste segmento. Mas que não tinha conhecimento dos juros. Você acredita?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131180?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131180' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131159</id><published>2003-04-23T16:48:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:48:43.410-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ostentação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por nada, não, mas eu desconfio muito das pessoas. Não que eu ache isso uma coisa boa. Acho um defeito. Inerente a minha, porém. Veja só: quando eu leio que milhares de pessoas viram aquela exposição de não sei o quê chinês na Oca, em São Paulo. O que eu deveria pensar, se fosse normal? Que as pessoas estão mais interessadas em cultura, que procuram se informar, coisa e tal. Mas infelizmente eu penso outra coisa. Penso que cultura é coisa para ser ostentada. É que deve pegar mal para os paulistanos encontrarem seus amigos e confessarem, entre um chopps (sic) e outro: eu não vi os trequinhos chineses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131159?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131159' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131096</id><published>2003-04-23T16:47:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:47:32.743-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A festa, ó pá! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá todo mundo rindo e reclamando que o Rock in Rio 4 vai ser realizado em Lisboa, e não no Rio. Um destes absurdos que tornam nossos irmãos lusitanos excelentes personagens de piadas. Eu acho muito bom. Muito, muito bom. Afinal, assim teremos um oceano todo a nos separar de coisas como Carlinhos Brown, Sandy &amp; Junior e outras excrescências que abrilhantam este tipo de festival.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131096?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131096' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93131045</id><published>2003-04-23T16:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:46:42.910-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Pistolão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E &lt;i&gt;Carandiru&lt;/i&gt;, apesar de suas múltiplas deficiências, está na mostra competitiva do Festival de Cannes. Será que tem chance? Os admiradores tupiniquins desta estética miserável já estão comemorando, soltando foguetinho e tudo. O clima de ufanismo, no entanto, embriaga os neurônios, até mesmo os mais ativos. E por isso ninguém parece querer ver que &lt;i&gt;Carandiru &lt;/i&gt;só está no festival porque tem a assinatura de Babenco, isto é, do diretor de &lt;i&gt;O Beijo da Mulher Aranha&lt;/i&gt;. Só por isso. De qualquer jeito, dá uma olhada no plantel de diretores que concorrem ao prêmio: Lars von Triers, Gus van Sant, Sorukov e Clint Eastwood. Eu não colocaria minha mão no fogo. E você. De qualquer forma, e para provar que cinema é mais publicidade do que qualquer coisa, &lt;i&gt;Carandiru&lt;/i&gt; continua indo bem de bilheteria. O filme foi visto por 1,3 milhão de espectadores nos últimos dez dias e quase se pagou já. Se bem que a maioria das pessoas, percebo, foi ao cinema para ver Rodrigo Santoro dar um beijo em outro homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93131045?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93131045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93131045' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93130960</id><published>2003-04-23T16:45:00.001-03:00</published><updated>2003-04-23T17:00:01.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Galopeeeeeeeira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a notícia que mudará os destinos turísticos do País no próximo feriado do dia 1o. de maio: Perla fará um show em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Ainda dá tempo de comprar o seu ingresso para este momento inesquecível da música popular paraguaia (MPP). Poxa, logo agora que Curitiba decidiu promover um festival de música?... Ts, ts, ts. (Por falar nisso, o &lt;a href="http://puragoiaba.blogspot.com"&gt;Ruy Goiaba&lt;/a&gt; informa que em maio o Genghiskhan fará show em São Paulo, no dia 16 de maio. Imperdível.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93130960?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93130960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93130960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93130960' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-93130991</id><published>2003-04-23T16:45:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T16:45:34.320-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mago&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madonna disse na MTV que seu livro de cabeceira é &lt;i&gt;O Alquimista&lt;/i&gt;, de Paulo Coelho. Isso explica muita coisa. Por falar nisso, que ingênuo sou eu, lendo &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; atrás de literatura, dando um crédito mínimo a Paulo Coelho como escritor. Ele não merece. E mostrou isso aparecendo no &lt;i&gt;Casseta &amp; Planeta&lt;/i&gt;, num “debate literário” com o Seu Creysson. Nenhum escritor que se preze faria um papelão destes. Não é uma questão de não ter senso de humor, e sim uma questão de impor algum tipo de respeito. Paulo Coelho, decididamente, é uma piada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-93130991?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93130991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/93130991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93130991' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993496</id><published>2003-04-21T14:47:00.002-03:00</published><updated>2003-04-21T14:47:40.216-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O estado das coisas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que tínhamos, na grande imprensa, cronistas monstruosos. Ok, monstruosos não é o termo ideal, mas, vá lá: monstruosos. Hoje, o que temos? Abro &lt;i&gt;O Estadão&lt;/i&gt; de alguns dias atrás e me deparo com Matthew Shirts. Ao que me consta, é editor da &lt;i&gt;National Geografic&lt;/i&gt; em português. Uma grande revista, pois sim. Eu assinaria, se tivesse dinheiro. Semanalmente, Shirts é colunista do &lt;i&gt;Estadão&lt;/i&gt;. Triste. Na coluna desta semana, por exemplo, ele discorre sobre o livro como fetiche. Triste. O que eu não daria pelos passarinhos de Rubem Braga!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993496?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993496' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993486</id><published>2003-04-21T14:47:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:47:29.576-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ou&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou pelos meus próprios textos naquele espaço nobre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993486?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993486' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993475</id><published>2003-04-21T14:47:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:47:14.123-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Sítio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monteiro Lobato estaria completando 121 anos, este ano. (Calma: eu sei que a frase não tem o menor sentido, afinal, ninguém completa 121 anos. É coisa para lá de rara. Bem, vocês entenderam. Eu espero) Sou das poucas pessoas que não leram Monteiro Lobato na infância. Minto: li um livro sobre o Jeca Tatu, com oito anos, mais ou menos. Não me lembro de porra nenhuma. Adulto, fui ler Monteiro Lobato e me deparei com um homem que era contra a reforma ortográfica. Diga lá: que tipo de gente tem um posicionamento a respeito da reforma ortográfica e manifesta isso em livro? Eu não ligo para a reforma ortográfica. Eu nem sei direito o que é uma reforma ortográfica, afinal, há alguns anos, dizem, fizeram uma que abolira o trema mas eu até hoje uso trema e ninguém diz nada, então... Onde eu estava? Ah, Monteiro Lobato. Pois é. Li um livro de contos dele, adulto. Como era o nome? Acho que isso é o pior que pode se dizer de um escritor: como é mesmo o nome do livro dele? Pior até do que dizer que não conseguiu ler um livro até o final. Lembrem-me de usar isso numa próxima crítica: como é mesmo o nome do livro de (use o nome do escritor mequetrefe de sua preferência)? Ainda assim, estou à cara de um livro do Monteiro Lobato, infantil, só para ver qualé. Isso: para ver &lt;i&gt;qualé. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993475?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993475' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993459</id><published>2003-04-21T14:46:00.002-03:00</published><updated>2003-04-21T14:46:55.123-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Stuff in coisa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a China in Box de Copacabana, apesar de a guerra no Iraque ter acabado, praticamente, continua boicotando os produtos da Coca-cola. Coitado do entregador, outro dia. Ficou vermelho por que perguntei a ele quando é que esta besteira iria acabar. Sinceramente, yakisoba com guaraná Antarctica não dá! Depois, já estufado do macarrão com coisinhas, fiquei pensando: calma aí! O cara tem uma franquia da China in Box (pronuncia-se Cháina in bocs) e faz boicote da Coca-cola?! Sinceramente. Por que então não boicotar a própria empresa e trocar o nome para República Popular da China em Caixa? Hein? Hein?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993459?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993459' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993446</id><published>2003-04-21T14:46:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:46:35.793-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Carandiru&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceto pelo pessoal de &lt;i&gt;O Globo&lt;/i&gt; (empresa indiretamente patrocinadora do filme) e por um ou outro jornalista que acha o má-xi-mo a realidade da miséria brasileira ontologicamente falando, enquanto coisa em si, num plano godardiano, no cinema, pel lente epistemológica do transnacional Babenco, ninguém falou bem do filme. Nem poderia, claro. Mesmo assim, &lt;i&gt;Carandiru&lt;/i&gt; fez R$ 3,5 milhões em seu fim de semana de estréia. Caralho! Até a minha mãe foi assistir ao filme - pode?! Claro que ela não gostou. Assim como 99,9% das pessoas com as quais conversei a respeito. Ora, mas por que é que eu estou falando isso mesmo? Ah, sei lá, me deu vontade de dizer que o filme é ruim e não merece esta bilheteria toda. Só isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993446?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993446' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993434</id><published>2003-04-21T14:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:46:20.560-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Euclides da Cunha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abre um livro. É uma edição comentada de &lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;. E me diz, rindo em seu sorriso lindo: “Ele começa a frase com conjunção adversativa”. E eu, pesaroso, prometo: doravante, volto a começar frases com mas, entretanto, porém, todavia, contudo e afins. Só para ver os dois menorás nos olhos dela novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993434?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993434' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993412</id><published>2003-04-21T14:45:00.002-03:00</published><updated>2003-04-21T14:45:57.500-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;ai, ai&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo sem contar o prazer que é ter uma namorada que sabe o que é conjunção adversativa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993412?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993412' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993383</id><published>2003-04-21T14:45:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:45:30.186-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Editoras&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A W11, editora que surgiu ano passado com pinta de grande e tendo como padrinho do selo principal ninguém menos que Paulo Francis, parecia empacada. Além do &lt;i&gt;Cabeça de Negro&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Cabeça de Papel&lt;/i&gt;, lançou títulos sem muita expressão, e até um romance de um fotógrafo de famosos. Agora parece que a editora retomou o fôlego, comprando os direitos de publicação de João Gilberto Noll, escritor gaúcho, autor de &lt;i&gt;Hotel Atlântico&lt;/i&gt;, e que estava na Cia. das Letras, mofando entre uma Patrícia Mello e uma Fernanda Young.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993383?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993383' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993352</id><published>2003-04-21T14:45:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:45:02.733-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Octagenária&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lygia Fagundes Telles completa 80 anos. Aliás, ando percebendo que meus escritores prediletos estão nesta faixa etária: Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Fernando Sabino... Oitenta anos é uma coisa e tanto, fico imaginando. Pena que pode fazer estragos. Lygia, por exemplo, deixou-se corromper pela vaidade e entrou para a Academia Brasileira de Letras. Não precisava. Depois, ficou reclamando porque tiraram parte de seus vencimentos como advogada, que eram altos para burro. Não precisava. Agora, quando sopra as oitenta velinhas (sem trocadilho, please), não quer falar de sua produção recente, e sim de &lt;i&gt;As Meninas&lt;/i&gt;, livro que trata da tortura no período militar. Não precisava. Eu, aqui de frente para este mar azul como o quê, prefiro me lembrar da melhor Lygia, que é &lt;i&gt;Venha Ver o Pôr do Sol&lt;/i&gt;, um dos grandes contos da nossa literatura. Altamente recomendado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993352?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993352' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993327</id><published>2003-04-21T14:44:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:44:42.296-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ebola&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fã é um bicho tosco mesmo, né? Veja o caso dos idiotas que no site Ebay estão dando lances para ter vírus da gripe que andou pegando Paul McCartney, dia desses. Como é que pode? Alguém aí me explica o que leva uma pessoa a comprar supostos vírus de alguém famoso? Tomara que seja ebola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993327?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993327' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993308</id><published>2003-04-21T14:44:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:44:19.340-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Aliás&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.shodor.org/master/biomed/epidemio/sir/ebola.gif"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o que aconteceu com o ebola?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993308?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993308' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993227</id><published>2003-04-21T14:42:00.002-03:00</published><updated>2003-04-21T14:42:44.390-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Quem com ferro fere&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o democrata Fidel Castro mandou matar meia-dúzia de Zés-ninguém que queriam fazer compras em Miami e turismo na Disney, a HBO americana cancelou a exibição de&lt;i&gt; Comandante&lt;/i&gt;, documentário de Oliver Stone sobre o líder liberal cubano. Por aqui, o filme foi comentado e elogiado. Talvez porque exibido antes da execução dos turistas acidentais. Lula já avisou que vai mandar o Itamaraty protestar junto à HBO. Afinal, como é que pode este grande expoente da liberdade de pensamento, este grande opositor do totalitarismo, este grande utópico de um mundo mais justo, fraterno e igualitário ser assim censurado deste modo grotesco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993227?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993227' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993205</id><published>2003-04-21T14:42:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:42:23.716-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Amigos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses sonhei com um amigo antigo. Sabe, destes com os quais se convive na infância, mas que o tempo separa? Pretendo escrever mais sobre isso, no futuro. Por ora, faço uma lista com o nome das pessoas das quais me lembrei estes dias. Não quero me encontrar com ninguém, não é nada disso. Acho, aliás, que ver estas pessoas seria algo abominável. Seria como descobrir o que há por detrás do truque do mágico. Seria como descobrir que o Papai Noel é seu pai. Seria como... ah, vocês entenderam! Pois bem, aqui vão os nomes: Leonardo Wandresen, Joacir Gracioli Cordeiro (apesar de tudo), Karin, Simone, Suzane Marie Gentzel, Fábio Lúcio Bonetti, Janine, Carla, Lilian Maki Sato, Juliana Fogagnoli e Renata Morishita. Só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993205?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993205' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993194</id><published>2003-04-21T14:42:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:42:01.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Conselho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este fim de semana assisti ao DVD de &lt;i&gt;Os Normais&lt;/i&gt;. Gosto daquilo. Rio muito. No dia seguinte estou lendo jornais antigos e me deparo com um texto de Esther Hamburguer que diz que &lt;i&gt;Os Normais&lt;/i&gt; é mistura de documentário e ficção. Onde? Vocês já deveriam ter adivinhado que é na &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;, o único lugar que dá voz a este tipo de gente. Antes que venham me apedrejar: não conheço a dona Esther nem tenho nada contra a pessoa dela (me sinto ridículo fazendo estas ressalvas, mas...). Meu conselho para a dona Esther Hamburguer é um só: ria, minha senhora, ria. Aprenda o quanto é bom rir diante de um sitcom que não muda nem a minha nem a sua vida, muito menos a vida de ninguém. Ria, por favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993194?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993194' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993165</id><published>2003-04-21T14:41:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:41:38.013-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Idéia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cátedra urgente que deve ser implementada na USP: Introdução ao Riso I e II, O riso e a imaginação, O riso - Avançado I, II, III e IV. Tudo com possibilidade de mestrado e doutorado, claro. Os cursos serão ministrados nas últimas carteiras das aulas de semiótica, filosofia, teoria da comunicação e sociologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993165?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993165' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993147</id><published>2003-04-21T14:41:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:41:15.200-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Triste&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por quê, mas se tem uma coisa que me deixa triste é entrar numa livraria legal, seja  a do Chain, em Curitiba, ou da Travessa, no Rio, e me deparar com um pessoal modernete comprando livros com cara de quem escolhe batata em feira. Fico triste. E apreensivo. Porque tenho medo de ser confundido com um deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993147?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993147' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993130</id><published>2003-04-21T14:40:00.001-03:00</published><updated>2003-04-21T14:40:52.373-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Louco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em modernos, ou melhor, mudernos, não entendo a fascinação que este povo sente pelos loucos institucionalizados do Brasil. Como este Artur Bispo do Rosário, que agora inventaram de dizer que é arrrrtixta pláxtico. Sei que tem marchand ganhando um troco na jogada, sei disso. O pior é ver que o público, por ingenuidade, ignorância ou uma mistura das duas coisas, cai nessa. E começa a ver genialidade numa coisa esquizofrência, feita sem outro propósito que não o de entreter uma mente enferma. Agora o maluco beleza mais famoso do Brasil é motivo para uma peça em São Paulo. Não discuto o valor dramatúrgico do espetáculo, que não vi, mas discuto, sim, o mito em torno de alguém que não passa nem perto de ser o gênio que os mudernos nele vêem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993130?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993130' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993117</id><published>2003-04-21T14:40:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:40:33.326-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Desperdício&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí outra coisa que me deixa triste: gente de 18 anos estudando Heidegger e achando que aquilo é o ó do borogodó. Gente de 18 anos escutando Mahler. Gente de 18 anos almejando uma carreira acadêmica. É um paradoxo, bem sei, porque também acho triste ver gente de 18 anos lendo Bukowski e achado que aquilo é um escritor, gente de 18 anos escutando Égüinha Pocotó e gente de 18 anos tendo como único objetivo na vida o porre da próxima semana. Qual seria o certo?, vocês me perguntam? Não sei, mas acho que aos 18 anos a pessoa deveria estar preocupada somente em viver. Seja lá o que isso for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993117?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993117' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993099</id><published>2003-04-21T14:39:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:39:59.420-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Textos que eu gostaria de ter escrito&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inaugurando a série, este &lt;a href="http://www.falae.com.br/overbooking/nacaradogol/texto.php?i=109"&gt;daqui&lt;/a&gt;, do Rafael Lima. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993099?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993099' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92993042</id><published>2003-04-21T14:38:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:38:49.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Pô, aí, nada a ver&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aqui reclamando na nossa literatura. Ts, ts, ts. Quando eu penso na literatura jamaicana, que promove um festival só para mostrar o valor literário de Bob Marley, de repente começo a achar que vivo no paraíso. Afinal de contas, acabo de constatar qual a real utilidade de um País como a Jamaica, no contexto psico-político mundial: aumentar a auto-estima dos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92993042?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92993042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92993042' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92992979</id><published>2003-04-21T14:37:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T14:37:31.153-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Cotidiano revisitado&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.submarino.com.br/images/books/cover/184939.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com algum pesar que constato, após a releitura de &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt;, que Dalton Trevisan precisa, urgentemente, de um bom editor. Aliás, esta é uma questão que tem me intrigado ultimamente. Por que raios o Brasil não tem um editor nos moldes americanos. Uma pessoa capaz de ler os originais de determinado livro e de propor mudanças aqui e acolá. Um sugestionador literário, por assim dizer. Gente para dar um puxãozinho de orelha em Moacyr Scliar, em Rubem Fonseca e, por fim, em Dalton Trevisan. Essa gente é boa, sem dúvida nenhuma, mas anda escorregando. O talento está lá, nas páginas todas, mas falta um controle de qualidade algo mais rigoroso. Para onde eu mando o currículo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt; é mais uma obra do contista curitibano no sentido de enxugar ao máximo seu universo de Joões e Marias numa Curitiba mítica, mais parecida com a Macondo de Gabriel García Márquez do que com a Metrópolis de Jaime Lerner. A impressão para o leitor, contudo, é a de uma economia excessiva, inclusive de imaginação. Isso não tem nada a ver com a crítica costumeira e pobre que se faz à prosa de Dalton Trevisan, segundo a qual ele sempre retrataria os mesmos personagens, num mesmo cenário, em situações corriqueiras. É possível, sim, ver a danação em cada uma das vidas ali descritas. Ao leitor algo mais exigente, no entanto, a prosa de Dalton Trevisan anda carecendo de um verbinho aqui, um substantivo ali. Não à toa, o último “conto” de &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt; se resume a um sinal gráfico, um travessão, que tanto pode significar um fim súbito quanto uma continuação incerta. Entre as duas opções, porém, fica o leitor carente de uma prosa algo mais elaborada, a mesma que marcou Dalton Trevisan em &lt;i&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/i&gt;, com suas elipses sutis dando um ritmo único ao conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt; só consegue atrair o leitor quando se torna mais político e provocativo, quando bota fogo no circo. Os contos ou fragmentos de contos que tratam da decadência visual e moral de Curitiba tornam o volume um tanto quanto mais gracioso e quente. Há momentos em que o resgate de uma Curitiba que está sepultada primeiro por uma camada de acrílico roxo, depois por arame, concreto e algumas toneladas de terra politicamente ecológica para turista ver chega às raias do sublime. São momentos raros, nos quais o contista deixa-se contagiar pela nostalgia - algo a ele muito caro. Como no conto número 6, que faz toda uma crítica à cidade da propaganda oficial para, no fim, conceder um momento de sentimentalismo ao homem que vive a cidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(...) Não o teu memorial ao merdoso kitsch, Curitiba - só uns poucos rostos queridos. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provocativo é que Dalton Trevisan satisfaz os seus leitores. A literatura nacional de hoje anda num marasmo só, com a vaidade prevalecendo sobre o talento. Os escritores, quando têm algo a dizer sobre a “política literária” brasileira, o fazem somente em entrevistas. Suas obras revelam um total desapego a querelas estéticas, o que é de uma hipocrisia ímpar, já que o bom-mocismo não resiste sequer a uma orelha de livro. Dalton Trevisan, no entanto, não concede entrevistas; logo, espera-se que ele revele, de algum modo, seus posicionamentos frente ao universo literário em que eu nome vive. Neste ponto, ele não decepciona em &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt;. São três os microcontos (que um &lt;i&gt;publisher&lt;/i&gt; bem poderia reunir em um só) que fazem cócegas na imortalidade institucionalizada da Academia Brasileira de Letras. Dalton Trevisan faz menção ao puritanismo reinante na Casa de Machado de Assis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ao ler a traição de Capitolina, geme a santíssima Carolina:&lt;br /&gt;- Ai, Machadinho, o que dirão minas amigas no chá das cinco? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante, o mesmo conto, trocando apenas Capitolina por Ana Karêninca, Carolina por Sófia, e Machadinho por Léon. Por fim, no conto 66, ele repete a ladainha provocativa, trocando Capitolina por Sulamita, Carolina por “700 esposas e 300 concumbinas”, e Machadinho por Salomão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A provocação com o mundinho literário, que elege seus próprios deuses, santos e carolas eternas atinge o pico (na veia?) no conto 141, no qual emerge a figura de uma certa viúva de um certo poeta oficial de uma certa cidade ao sul do Trópico de Capricórnio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A mulher do velho poeta:&lt;br /&gt;- Em vez de ganhar dinheiro, você fica aí cantado sempre o mesmo versinho. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seria apenas suspeita de um leitor maldoso? Ora, literatura serve para isso mesmo: divertir, enternecer, ensinar e provocar. E até mesmo enganar os leitores e fazer de seus pensamentos menos elevados uma verdade num mini-conto escrito com intenção totalmente diversa. O engano faz parte do ato de ler. Isso, porém, é com o Barthes, e não conosco, meros mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão até aqui é que &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt; é um livro impecável. Não é. Vale a pena reafirmar o propósito deste texto: dizer que a prosa de Dalton Trevisan, apesar da inerente qualidade já vista em outros volume, como o lendário &lt;i&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/i&gt;, anda carecendo de um editor que selecionasse o que entra ou não em seus volumes. E aqui nem entramos no mérito ou demérito que é ver a prosa afiada de Dalton Trevisan ser mutilada pelo próprio autor, numa obsessão inexplicável pela síntese máxima, que por vezes o aproxima dos fazedores de hai-cai bêbados do Largo da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos já que Dalton Trevisan vem na empreitada de enxugar seus textos. Algumas coisas que se lê em &lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt; são fragmentos-síntese de contos já publicados em sua forma, como direi?, mais exuberante. Dalton Trevisan jamais foi um barroco, jamais buscou a profusão de palavras. Resumir os seus já enxutos contos ao mínimo essencial, no entanto, me parece um exagero sem cabimento. Para quê, por exemplo, enxugar um conto absurdamente bem construído como &lt;i&gt;O Escapulário&lt;/i&gt; e reduzi-lo a duas ou três transas a esmo num quartinho mofado de Curitiba? Onde fica o entorno do conto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pico na Veia&lt;/i&gt;, infelizmente, tem momentos absolutamente risíveis. Momentos em que o prosador exímio não é encontrado de modo algum. Não é nada que comprometa a obra do escritor, mas o volume, este sim deixa a desejar quando se lê algo como o conto 128, no qual Dalton Trevisan repete uma célebre frase dos Trapalhões, na qual um velhinho assim meio gagá põe os óculos para poder &lt;i&gt;escutar&lt;/i&gt; melhor. Também é risível a brincadeira de telefone-sem-fio no conto 139. Isso sem contar o freudianismo barato do conto 118.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa edição mais cuidada, estes momentos tortos não estariam ao lado de um conto como o de número 170. Nele, Dalton Trevisan retoma um ensinamento de José Paulo Paes, segundo o qual a linguagem poética estaria próximo da linguagem das crianças. É de um lirismo raro nas obras de Trevisan ler algo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O tiquinho de gente se inicia das artes do lápis de cor.&lt;br /&gt;- Esse desenho tão bonito, minha filha, o que é?&lt;br /&gt;- Ai, mãezinha, você não vê?&lt;br /&gt;Uma floração psicodélica de riscos e rabiscos.&lt;br /&gt;- É o barulho do sol acordando. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um dos contos, o 170, Dalton Trevisan revela um pouco desta sua vertente pelo mínimo. Talvez o que exista, aqui, é um embate entre um leitor jovem, querendo a iconoclastia de um conto como &lt;i&gt;Noite da Paixão&lt;/i&gt; e o escritor, quase octagenário, em busca da perfeição diluída no tempo. É uma possibilidade, pois sim. Há que se levar em conta, no entanto, que a busca pelo banal no cotidiano sempre esteve presente nas obras de Dalton Trevisan. Apenas as carolas ou os jovens de calos intensos buscavam em sua prosa o picante, o sexual. Que sempre foi, em verdade, de uma simplicidade grotesca, de um drama diário que sequer para enfeitar páginas de jornal presta. E da violência embutida nas capaz multicoloridas de botijão-de-gás que fala a prosa de Dalton Trevisan. E o discurso amoral dos pingüins de geladeira o que ele repete. E sempre será assim. Tanto melhor são seus livros passados, nos quais sabia criar este mundo de Joões e Marias uns muito parecidos com os outros, mas todos diferentes entre si, com um ritmo atordoante. A danação sempre foi o forte dos contos de Dalton Trevisan. Para entender, porém, a genialidade de uma vida imutável, é preciso mais do que três linhas. Se o óbvio é a matéria-prima de Dalton Trevisan, que deixe o óbvio se esparramar pela página. Como em tempos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92992979?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92992979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92992979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92992979' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92803666</id><published>2003-04-17T19:30:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T19:30:13.733-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Páscoa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a Páscoa, na verdade, foi ontem. Quarta-feira, às 17h35. Lua cheia em Áries, coisa assim. Não sei, mas eu queria escrever um texto sobre a Páscoa, não esta, exata, mas aquela dos cristãos, que na minha infância começava na Sexta-feira Santa e terminava com uma baita prisão de ventre no domingo, depois de ovos e mais ovos de chocolate. Isso sem esquecer a malhação do judas, no sábado. Bem, escrevo sobre isso amanhã. Publico quando der. Vai estar todo mundo viajando mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92803666?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92803666' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92803653</id><published>2003-04-17T19:29:00.001-03:00</published><updated>2003-04-17T19:29:53.543-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Plágio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espíritos de porco não faltam na internet. Sobram. Acusaram meu texto sobre &lt;i&gt;Os Saltimbancos Trapalhões&lt;/i&gt; de plágio. Ou levantaram esta suspeita, o que dá no mesmo. Bem, acho que é legal informar aos leitores que assisti ao filme no domingo à noite. No dia seguinte, escrevi uma matéria sobre o assunto e comecei uma crônica, que ficou “técnica” demais, a meu ver. Apaguei-a sem dói e escrevi o texto que foi publicado aqui e que agradou a muita gente. No mesmo dia, recebi um e-mail da Alessandra, que escreve no &lt;a href="http://www.clubedalulu.com.br"&gt;Clube da Lulu&lt;/a&gt;, dizendo que tinha escrito sobre o mesmo tema. Foi um e-mail amigável, de alguém que queria compartilhar um sentimento que ela achava comum. Eu não tinha lido o texto da Alessandra. Ademais, o texto dela é sobre envelhecer, enquanto o meu é sobre resgatar valores infantis, a emoção, a pieguice da criança em contraposição à realidade, ao cinismo da idade adulta. Qualquer pessoa com dois neurônios, o que não é o caso dos espíritos de porco de plantão, claro, percebe isso. E tenho dito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92803653?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92803653' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92803609</id><published>2003-04-17T19:29:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T19:29:03.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Vanguarda&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sabendo hoje que no Teatro Villa-Lobos, no meio da apresentação da peça &lt;i&gt;Água Viva&lt;/i&gt;, monólogo com Susana Vieira sobre texto de Clarice Lispector, um espectador, muito do foribundo, resolveu tacar uma garrafa d’água na atriz. Isso mesmo, no meio do palco. A garrafa não pegou na atriz e tampouco sei se estava cheia ou vazia. Sei, no entanto, que o terrorista teatral-literário foi preso, como convém. Se a moda pega, em Curitiba os estoques de garrafa d’água vão se esgotar antes de qualquer estréia de teatro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92803609?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92803609' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92803583</id><published>2003-04-17T19:28:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T19:28:32.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Snif, snif&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo Saramago, sempre uma sumidade em se tratando de comunismo, rompeu com Cuba, por conta da execução sumária de três homens anti-castristas que, somente por roubarem uma balsa, ao que tudo indica para se refugiarem nos Estados Unidos, foram considerados terroristas pelo barbudo. O mais engraçado, porém, foi ver o “estilista” Saramago, sempre cuidadoso com sua prosa, se perder em tanta pieguice ao falar do rompimento. Escreveu ele que, com a execução dos terroristas, Cuba “perdeu minha confiança, destruiu minha esperança e traiu meus sonhos”. Snif, snif.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92803583?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92803583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92803583' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92786239</id><published>2003-04-17T13:40:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T13:40:58.186-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Neurazinha vespertina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li em algum lugar que as pessoas não gostam de posts (elas dizem posts só porque um texto está num blog) grandes. Eu estou de férias e, por isso, tenho escrito muito. Penso que o blog é um lugar onde posso publicar tudo o que escrevo, para passar por um crivo primeiro (e não primário). Não me importo com o tamanho dos textos, sinceramente. Ou, por outra, me importo, sim, já que estou tratando do assunto agora. De qualquer maneira, este post, curtinho, é só para dizer que me espanto ao saber que a busca das pessoas, na maioria das vezes, é mesmo por textos curtos, sem se importar com o conteúdo. Não que textos longos signifiquem necessariamente textos bons. Agora, abandonar um texto só porque ele é demasiado grande para o padrão blogueiro de mediocridade... Por falar nisso, hoje tem texto (post) grande aqui, novamente. Sejam bem-vindos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92786239?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92786239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92786239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92786239' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92785673</id><published>2003-04-17T13:30:00.000-03:00</published><updated>2003-04-18T12:59:13.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O protagonista não morre&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para Claudio Lampert&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.esquife.com/imagenes/dib/dibj-11.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do escritório da morte com uma dúvida. Não era o cancro, que cancro não havia. Nem era a ameaça de um derrame repentino. Na verdade, ele gozava de uma saúde que preza pelo lugar-comum e é de ferro, como convém. Corria uns dez quilômetros diariamente, freqüentava academias, não comia nada que pudesse oferecer maior risco à vida do que a própria vida. Em questão de saúde, era como um amanuense. E não se dava ao luxo sequer de atravessar a rua fora da faixa de segurança. Isso tudo sem ser um chato. Não impunha aos amigos a mesma rigidez com a saúde. Costumava ir às festas que os amigos muitos davam para se empanturrarem de álcool, drogas e mulheres. Ele preferia ficar num canto, tomando água com gás, suco de tomate ou, se não houvesse outra opção, um refrigerante. Fartava-se somente das mulheres, que não lhe faltavam, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia, porém, e neste dia, que era um dia comum, ele parou para pensar em morrer. O trabalho no escritório tinha amainado e a petição que era para hoje ficou para amanhã ou depois. No ar refrigerado do escritório que ficava num andar alto de um edifício que dava para a Baía de Guanabara, ele se levantou. Pendurado na poltrona, o paletó. A camisa engomada, branquinha, causava um frisson inexplicável nas secretárias, que lhe sorriam além do comum. Ele fechou a porta, que ficava entreaberta. Espreguiçou-se no meio da sala e súbito foi à janela. Não abriu o vidro, que estava vedado por causa do ar-condicionado, mas pensou que talvez fosse bom, vez ou outra, sentir o vento quente no rosto, entre as reuniões chatas. Encostando-se no vidro, teve uma vertigem. Nada grave. Ele jamais desmaiara e aquela não seria a primeira vez, ora. Foi a vertigem natural que sente alguém que, apesar de trabalhar no vigésimo terceiro andar, vai muito pouco à janela. Os precipícios não lhe eram comuns. Talvez tenha contribuído para a vertigem uma rajada de vento nordeste que empurrou uma grande nuvem defronte à janela dele, o suficiente para causar-lhe a impressão de que o prédio ia de encontro ao chão. O fato é que sentiu vertigem e em sentindo isso imaginou num átimo seu corpo desmoronando vinte e três andares para baixo e se quebrando no chão. Ele morreria, apesar de todos os cuidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastou-se da janela. Tinha trinta e cinco anos e jamais pensara em morrer. Aos cinco anos sofrera de frieira e teve de drenar o pé, mas esta era a única experiência que tinha com hospitais. O pai vivia bem, a mãe fizera recentemente uma histerectomia - nada grave. A bisavó morrera há dois anos, centenária, e ele não fora ao enterro. Na verdade, evitava ao máximo os enterros. Morrera um amigo de infância há cerca de dez anos e ele ficara em casa, assistindo a um show de rock. Uma tia querida sucumbira ao cancro não fazia mais do que dois anos, mas ele decidiu que uma viagem ao interior, apenas para ver um corpo circundado por flores e coberto por um véu de renda não era uma boa idéia. Morrer e ver gente morta, pois, não fazia parte de seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo jamais pensara em morrer. Ele tomava as precauções e, por graça divina, talvez, vivia fora do ambiente moribundo dos hospitais. A morte era uma abstração existente somente nos livros que lia de vez em quando, para pegar no sono. Era comum, porém, ele se entediar com a morte literária, cercada de dramas que ele simplesmente não compreendia. Em verdade, tampouco compreendia o valor de um livro, a não ser como soporífero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste dia, porém, pensou na morte. E durante as duas horas que restavam para o fim do expediente, imaginou tudo o que um homem pode imaginar para morrer. Concentrou-se no dor. Imaginou um tiro ou a facada de um assaltante desesperado. Ele que torcera a tornozelo algumas vezes, por conta das atividades físicas que lhe preservavam a saúde intacta, não conseguia compreender uma dor que fosse mortal. Depois, concentrou-se no átimo. O exato e micromomento que separa a vida da morte. Para então deixar seus pensamentos desagüarem num terreno metafísico e religioso que para ele era inconcebível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu quinze minutos antes do horário habitual. As secretárias lhe sorriram, mas não puderam deixar de perceber que havia algo de taciturno por sob a barba que, ao fim do dia, começava a despontar. Uma comentou com a outra que foi a namorada. É sempre a namorada quando não é a namorada. Desdenhando para isso tudo, lá foi ele para casa. Não chorou, não riu, não entrou em depressão e sequer cogitou a idéia de tomar remédios para dormir. Às oito e meia da noite de uma terça-feira, cobriu-se com um lençol apenas e pôs sua cabeça num travesseiro de pena de ganso com o firme propósito de tratar da morte no dia seguinte, antes de ir para o escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele que levantava às seis em ponto, não deixou de fazê-lo. Lavou o rosto, vestiu o calção, o tênis e prendeu no peito o aparelhinho que media os batimentos cardíacos. E se pôs a correr os quilômetros habituais. O céu era azul e o sol fraco, ainda que o calor fosse intenso. Correu e correu. Chegando em casa, tomou um banho e vestiu o terno de sempre, com a mesma camisa branca engomada que lhe tomava dois terços do armário. Desceu até a garagem, sentou-se no banco de couro do seu Audi e pegou a rua. Fez um desvio, porém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou numa funerária, para pedir informações. Lá disseram quanto custava um caixão. O atendente tinha uma voz grave demais para uma ocasião simplória. Enquanto ele via os diversos tipos de esquife, achou por bem avisar ao atendente que ninguém havia morrido, não senhor. Ele estava fazendo uma pesquisa, porque queria tratar da morte ainda vivo. O atendente lhe sorriu e o convidou a se sentar no pequeno escritório cheirando a lírio. Disse com um sorriso que tinham planos especiais para as pessoas que, como ele, eram precavidas o suficiente para tratar da morte enquanto vivas. Sentado, durante uma meia hora ele leu panfletos e mais panfletos, como se escolhesse uma viagem ao Caribe mas estivesse em dúvida quanto a que ilhas visitar. Indeciso ele jamais fora. Por isso saiu da agência funerária com a certeza de ter encomendado uma boa morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim ficara decidido: seria cremado. Haveria uma pequena cerimônia na ante-sala do crematório, com direito a um violoncelo tocando uma música da escolha dele. Ele optara por isso porque assistira a um filme, não que fosse chegado a música. Por sorte dos que estariam presentes ao velório, escolheu Bach. O caixão não seria luxuoso, mas tampouco seria de pinho. O atendente disse que, em se tratando de cremação, até mesmo o pinho era um luxo, mas ele desdenhou. Cuidou, contudo, para que a urna funerária que contivesse seus restos fosse algo adornada, mas nada muito exuberante. Ele próprio encomendou uma coroa de flores para si, com medo de que ninguém o fizesse. Deixou escrito em contrato que queria a inscrição Saudade de Mim Mesmo na coroa. Um momento de poesia para uma vida pragmática demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é neste momento que encontramos nosso personagem: na saída da funerária. Ele acaba de pôr os pés na calçada e tem uma dúvida. A quem entregar os papéis que acabara de comprar? Ora, a morte exige vários trâmites burocráticos, que só podem ser levados a cabo por um amigo, mas um amigo em grau máximo. Ele tinha amigos em vários graus, até, digamos, nove. A nenhum deles, contudo, deixaria o trabalho da sua morte. Executar os papéis que acabara de adquirir, liberar corpo no IML, se necessário, vesti-lo com um terno discreto ou contratar alguém para fazer isso. E sobretudo cuidar para que Bach fosse bem tocado, a fim de amainar a dor da perda nos presentes a seu velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da rua abriu o celular e vasculhou a agenda, quase com a capacidade máxima de armazenamento esgotada. Clientes, clientes, prostitutas de luxo, ex-namoradas, ex-noites de sexo, cambista, médico, parentes. Alguns amigos. O primeiro era de grau sete, com o qual compartilhara algumas memórias de infância, responsáveis pelos telefonemas nostálgicos mas agradáveis que mantinham a cada seis meses. O outro era grau três, ao qual devia dois favores, se tanto. Na lista havia homens e mulheres de grau um, geralmente pessoas do escritório, com as quais saía para comemorar um aniversário ou jogar golfe. A apenas dois ele podia atribuir o grau nove, a apenas dois ele podia ligar às duas da manhã para chorar de amor ou para pedir que lhe enviassem uma ambulância pois estava com apendicite. Nenhum, no entanto, seria capaz de arrumar sua mortalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que fosse uma má pessoa. De modo algum. Cometera alguns erros na vida, claro. Sexo sem telefonema no dia seguinte, por exemplo. O esquecimento de um aniversário. O simples abandono de uma amizade que já não mais rendia. Havia dois meses não ligava para os pais, mas jamais os deixava na mão, se precisavam. Não, não era uma má pessoa. Por que então era tão difícil encontrar alguém a quem confiar a própria morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o carro e foi ao trabalho. Tinha naquele momento um olhar triste que seria depois comentado à exaustão pelas secretárias cheias de desejo. Pensariam que era paixão e passariam a bisbilhotar a vida dele atrás de um nome que preenchesse os requisitos delas, das secretárias, no que diz respeito a um amor que simplesmente não havia, quanto mais um amor não correspondido, digno do dramalhão que dá sentido à vida das estenógrafas. Olhando para os papéis no banco impecável do carona, imaginou que podia morrer naquele instante mesmo, bastando, para tanto, que o carro não fizesse jus à fama de seguro, se desgovernasse por algum motivo mecânico e batesse em certo ângulo num poste. A morte em si, no entanto, não era um problema, e sim o que seria feito dele, na ausência de alguém que lhe preparasse a mortalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou ao escritório, pôs os papéis fúnebres num envelope, dentro de uma gaveta com chave, e rezou para não morrer até que alguém se disponibilizasse a cuidar da dignidade do seu corpo post-mortem. O tempo passou lento. Um ano mais tarde morreu um tio, com noventa e sete anos. Ele não foi ao enterro. E nem passou pela sua cabeça ser um dos que cuidaria da papelada de morrer e da moda de morrer. Na verdade, os papéis que lhe garantiam uma cremação limpa, ao som de Bach, e com uma coroa de flores de si para si começavam a criar bolor já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoa entravam e saíam de sua sala. Amigos, colegas, secretárias, umas bonitinhas, outras nem tanto, velhos, velhas, gente com diabetes, hipertensos, desportistas, cancerosos e até um aidético. Todos com a morte estampada na cara, mas ninguém que o fizesse se dispor a vestir o corpo e a lhe dar uma certidão provando, perante a lei, que ele não mais existia entre nós, que estava incapacitado, porque morto, a comprar, vender, alugar, pedir empréstimo, fazer doação de bens ou ainda declarar imposto de renda. Na verdade, a ele importava somente a corrida matinal, o sexo uma vez por semana ao menos, sempre com uma mulher diferente e até mesmo com uma secretária, um filme vez ou outra, um livro para dormir muito de vez em quando, suco de tomate, petição e contra-razões de recurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história termina aqui. Passaram-se seis anos desde que ele, o protagonista, teve uma vertigem e gastou um bom dinheiro cuidando para que não fosse enterrado num terreno qualquer de um cemitério sujo e cheio de ratos entrando pelo vão de seus olhos. Ele não morreu, ainda. Teve duas dores de cabeça, apenas, por motivos alheios à sua e à nossa compreensão. Mãe e pai continuam respirando. Uma secretária pediu demissão, mas apenas porque queria se mudar para o interior. Os amigos continuavam a galgar os degraus da sua amizade, mas somente até o nono. Para ele ninguém era, de fato, digno de cuidar da sua morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92785673?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92785673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92785673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92785673' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92678428</id><published>2003-04-15T19:50:00.000-03:00</published><updated>2003-04-15T19:50:18.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Um livro mentiroso - ainda bem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.submarino.com.br/images/books/cover/196448.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na moda falar mal de Rubem Fonseca. Assim como se usou, em determinada época, calça boca-de-sino, tatuagem de hena, tererê no cabelo e piercing na língua, falar mal de um livro novo de Rubem Fonseca está na moda. É &lt;i&gt;in&lt;/i&gt;. Ainda que para isso faltem aos críticos &lt;i&gt;na crista da onda&lt;/i&gt; números concretos. Basta dar uma olhada na obra do escritor para perceber que ela é marcada pela regularidade. A escorregadela em &lt;i&gt;O Doente Molière&lt;/i&gt;, livro escrito sob encomenda, é compensada, por outro lado, em &lt;i&gt;Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos&lt;/i&gt; - um dos melhores livros policiais brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, ainda, a pessoa que se atreve a falar mal de Rubem Fonseca, e simplesmente porque está na moda, usa um chavão que reza que o autor é melhor contista do que romancista. Besteira. A narrativa curta de Rubem Fonseca só é marcada por um experimentalismo formal um tiquinho maior do que nos romances. Nada mais óbvio, já que o conto permite este tipo de subversão estilística, por assim dizer. O romance é algo que preza muito mais a coerência e a construção dos personagens. Ainda assim Rubem Fonseca consegue transpor para o romance uma linguagem que ele tomou para si, marcada por um humor quase aforístico em frases com ritmo irregular. O ponto-final autoritário é a marca de Rubem Fonseca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Diário de um Fescenino&lt;/i&gt; não é diferente. Temos como personagem um escritor de nome inverossímil, Rufus, um lascivo, uma espécie de Casanova, fracassado como só os escritores de sucesso de Rubem Fonseca conseguem ser (sic!). Ele se envolve com várias mulheres, sempre teorizando suas investidas sexuais. Nesta vida que nem chega a ser promíscua, na verdade (ao menos não para os padrões atuais), ele acaba por se envolver com mãe e filha ao mesmo tempo. O rompimento da relação é um tanto quanto traumático e ele é acusado de estupro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para narrar esta história, Rubem Fonseca ousou cair no lugar-comum de um livro-diário. Ele começa em 1o. de janeiro, exatamente, e termina no último dia do ano. Há lapsos cronológicos, como em qualquer diário. E o tom é aquele de confidência falsa, de si para o mundo. Nada de diferente aí, a não ser pelo propósito nas entrelinhas que a estrutura desgastada esconde. Rubem Fonseca narra uma história de amor e crime. Alguns até falarão que é um livro sobre sexo. Tudo isso, porém, é pano de fundo para o autor fazer digressões a respeito do ofício de escrever e do hábito de ler. Algo caro a alguém que não dá entrevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao narrar a história de Rufus, escritor de um sucesso só nas letras e vários na alcova, Rubem Fonseca não está querendo narrar a sua própria história. Não está querendo desenvolver subliminarmente o seu romance de formação, que no livro é o objetivo artístico de Rufus. Personagem e criador não se misturam, de fato. A não ser quando Rufus emite opiniões que destoam do tom sexual do livro. Nestes pontos, podemos entender um pouco melhor o escritor e um dos estigmas que ele carrega: o de recluso.&lt;br /&gt;Rufus é um homem crítico de si mesmo a não mais poder. Sua vaidade ele a transfere toda para a cama das amantes. Em literatura, sabe ter sido o autor de um só sucesso. Não à toa, ele descreve o diário que está escrevendo como &lt;i&gt;chinfrim&lt;/i&gt;. O adjetivo que desqualifica a obra que está sendo escrita pode ser lido como um aviso aos leitores lineares. Afinal, diante de si tem-se um livro policial em forma de diário, mas há algo por debaixo do comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Diário de um Fescenino&lt;/i&gt; poderia muito bem ser lido como uma entrevista que Rubem Fonseca não concede a ninguém. Porque Rufus, o protagonista do livro, que faz questão, a todo instante, de afirmar que um ficcionista não tem geralmente um alter-ego, emite opiniões sobre literatura muito mais do que participa de uma ação policial e muito mais do que transa com mulheres. Isso faz de &lt;i&gt;Diário... &lt;/i&gt; um romance de idéias. Sem contudo, fazer o leitor cair no sono com é usual no gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal preocupação de Rufus, neste sentido, é criar uma barreira entre criador e obra. Esta, por sinal, é uma das justificativas para Rubem Fonseca não conceder entrevistas de forma alguma. Ele disse, há muito tempo, e só para os seus, que tudo o que tinha de dizer constava em seus livros (o mesmo argumento, ao que me consta, de Dalton Trevisan e J.D. Salinger). Não queria, pois, ver-se misturado com seus personagens. Não queria que o leitor, ao ler Rufus deitando-se com Clorinda, lesse Rubem Fonseca com uma Clorinda qualquer da capa de &lt;i&gt;Caras&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Diário...&lt;/i&gt;, neste sentido,  é uma apologia da liberdade de se criar, seja em terceira ou primeira pessoa, sem ver-se misturado com a criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que Rubem Fonseca trata do assunto como um profissional, e não como um escritor de fim de semana. Logo, ele põe no romance a tese e a antítese para que o leitor, inteligente que ele pressupõe, faça sua própria síntese. Tanto assim que Rufus, o homem que defende uma barreira eterna entre escritor e personagem, usa e abusa, na sua vida, de diálogos colocados nas bocas de suas criaturas, ao longo de seus cinco romances. Se vai justificar o amor que sente por uma mulher, o faz de acordo com a fala de um personagem seu. Se vai romper um relacionamento, ídem. Se vai argumentar algo com o delegado, também. Assim, vê-se cercado pelas suas criaturas. Que mostram ter, sim, algo do pai. Ainda assim, Rufus diz: “Nada tenho a ver com as coisas ditas nos meus livros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, Rufus teoriza sobre um tal de Síndrome de Zuckerman. Zuckerman é um personagem do escritor americano Philip Roth que, uma vez tendo escrito um livro, é acusado pelas pessoas mais próximas de crueldade ao retratá-las de maneira absolutamente real, isto é, com defeitos, em sua ficção. Todos se identificam no livro. Logo, os leitores que sofrem da Síndrome de Zuckerman seriam aqueles que vêem uma verossimilhança demasiada em tudo o que lêem. Não conseguem ter imaginação. O que leva o personagem de Rubem Fonseca, em determinado momento, a ser taxativo: “literatura é imaginação”, diz ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, &lt;i&gt;Diário... &lt;/i&gt; funciona pouco como livro erótico, como está sendo vendido pela editora. Ele até contém sexo e creio que funcionaria bem dentro daquela coleção &lt;i&gt;Plenos Pecados&lt;/i&gt;, da editora Objetiva, que chamou erradamente João Ubaldo Ribeiro para escrever sobre a Luxúria. Eis o livro sobre Luxúria que tanto procuravam. De livro erótico, contudo, &lt;i&gt;Diário... &lt;/i&gt; só tem uma que outra relação sexual. É antes de mais nada um libelo em prol da dignidade do autor. Libelo sem ser panfletário, obviamente. Rubem Fonseca defende um criador isento de responsabilidades para com os leitores, a não ser a responsabilidade da beleza. Se o protagonista for um nazista, que seja: o escritor não o é (necessariamente). Se o protagonista for pedófilo, assassino, volúvel, mentiroso, impotente, bipolar, fundamentalista religioso, homossexual enrustido, enfim, nada disso é capaz, a priori, de dizer alguma coisa sobre o autor. Desde que, claro, o escritor em questão tenha a dignidade de se manter alheio à trama fantasiosa que cria. Só os maus escritores tem compromisso com a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem comprar &lt;i&gt;Diário de um Fescenino&lt;/i&gt; sem medo. Ele vale cada centavo dos R$ 33 pagos. Rubem Fonseca está em plena forma e mostra que o escritor brasileiro ainda sabe, sim, escrever com a pena do escárnio e principalmente com a da mentira. Que, em última análise, é a matéria-prima de que é feita a boa literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92678428?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92678428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92678428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92678428' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92652266</id><published>2003-04-15T11:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-15T11:51:19.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Envelhecer&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para &lt;a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br"&gt;Marco Aurélio&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.sala.blogger.com.br/salim.jpg&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de domingo, fria como jamais imaginei uma noite carioca, descobri o óbvio: envelheci. Não foi o caso clássico de se olhar no espelho e descobrir rugas. Nem tampouco foi o tédio que se apoderou do corpo já sem vontade de respirar. Foi somente uma sessão de cinema com velhos e novos amigos. Na tela, &lt;i&gt;Os Saltimbancos Trapalhões&lt;/i&gt;, filme que marcou minha infância como, creio, a de muitos dos meus leitores. Ao meu lado, um novo amigo cantava empolgado as músicas de Chico Buarque em parceria com Os Trapalhões. E eu lá, assistindo ao filme, rindo e me descobrindo velho cena após cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobrindo-me velho porque Os Trapalhões já não faziam o menor sentido para mim. Eram somente uma lembrança boa. Uma overdose de nostalgia, a mesma que sinto quando leio as crônicas do Antônio Lobo Antunes. Eu assistia à história com um cinismo que obviamente não existia em mim quando eu era criança. E vasculhando cá este cinismo eu descobri uma coisa importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema de envelhecer não é o cheiro próximo da morte. Nem tampouco é o cansaço inerente ao corpo. Ou a memória que o trai aqui e ali e aqui e ali e aqui e ali. O grande problema de envelhecer é que você adquire um compromisso com a realidade. A imaginação se perde e tudo tem que ser real. Talvez seja uma necessidade de se provar para si mesmo, a todo instante, que não se está morto e que o que se vê é palpável. O fato é que os velhos precisam da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando eu digo velhos é claro que não estou falando de senhores de cabelo branco e de senhoras d’além menopausa. Falo de trintões ou nem isso, que precisam pegar um avião às seis da manhã para seus trabalhos burocráticos; de trintões que têm filhos; de trintões cujo sonho maior no momento é arranjar um emprego de gerente do McDonald’s. E escrever um livro, quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Os Saltimbancos Trapalhões&lt;/i&gt; é um filme que me fez chorar. Lembro-me de ser levado ao cinema para assisti-lo pela mão de uma empregada, já que meus pais trabalhavam fora todos os dias. Era um tempo em que o cinema não tinha som digital nem nada. A pipoca era minúscula, mas nos satisfazia. E refrigerante era um luxo que só conseguíamos com uma ameaça de escândalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha relação com o cinema dos Trapalhões é de amor extremo. Talvez por isso mesmo eu tenha evitado, nos últimos anos, assistir aos filmes deles, mesmo quando passam na Sessão da Tarde. Assisto aos mais moderninhos, já sem Mussum e Zacarias, porque estes me são inofensivos completamente. É que me lembro do quanto eu chorava nos “filmes do Didi”. Um choro para lá de doído, porque na minha família não tinha dessas, não, e homem não podia chorar. Eu, homem, menino, criança, chorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de um filme em especial: &lt;i&gt;Os Trapalhões e o Mágico de Oróz&lt;/i&gt;. Lembro-me de estar sentado no Cine Lido, na platéia direita, acompanhado pela empregada. Lembro-me de chorar muito. Copiosamente, com se diz. E de sair do cinema sendo xingado pela tal, por conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou adulto. Sou velho. E posso chorar onde bem entender, com o filme que quiser. Por isso mesmo fiquei muito feliz ao achar na videolocadora &lt;i&gt;Os Saltimbancos Trapalhões&lt;/i&gt;. Queria chorar novamente daquela felicidade e emoção absolutamente infantis, que me eram tão caras. E o prefácio do filme, por assim dizer, anunciava ao menos uma lagrimazinha, bem piegas mesmo, da qual eu me orgulharia nos dias vindouros. Afinal, a tecnologia do DVD disponibilizou uma karaokê com as músicas do filme, que todos devem saber terem sido compostas por Chico Buarque, em sua maioria. Ah, arquicambalhotas, hipercambalhotas, bravo!, bravo!. Quase um choro, mas nenhum choro. Um nó de leve na garganta. Para então começar assistir ao filme e ser mais um numa platéia cheia de cinismo adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de desdenhar para aquilo que me fez bem na infância. As músicas bregas que a empregada ouvia no Programa Pirajá Ferreira são um bom exemplo disso. Às vezes, assim do nada, eu começo a entoar uma patética Jane &amp; Herondi - geralmente quando estou mais feliz e, por isso mesmo, me sinto livre das amarras da seriedade que a vida intelectual impõe. Não se vá não me abandone por favor pois sem você vou ficar louco...&lt;br /&gt;Ri de &lt;i&gt;Os Saltimbancos&lt;/i&gt;, porém, o tempo todo. Ri de Mila Moreira, que me informam que já foi modelo. Ri das orelhas pontudas de Eduardo Conde. Ri do corpo de Lucinha Lins e da cara sem sal de Lucinha Lins. Da barba de Ivan Lins eu riria de qualquer maneira, vá lá. Ri dos erros de continuidade do filme, da fotografia, das incongruências de roteiro, das falas sem quê nem porquê. E os créditos subiram e eu estava meio rouco por ter falado durante todo o filme, de ter feito referências meio estúpidas, como em uma cena de &lt;i&gt;Os Saltimbancos&lt;/i&gt; muito parecida, se não igual, a uma de &lt;i&gt;A Lista de Schindler&lt;/i&gt;. E os créditos passando e aquele sentimento de incompletude tomando conta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria a hora de chorar? Pensei que sim. Seria, claro, mas não por aquilo que há vinte anos me fez chorar. Não pelo triste fim do filme, pela cabeça de burro que derruba duas lágrimas no meio do picadeiro; não pelo cachorro que simplesmente some no filme, nem pelo fato de Mussum e Zacarias terem morrido; não eram estes os motivos nobres que me levariam ao choro naquela noite. Se eu chorasse, seria por algo muito mais vulgar: por descobrir-me apegado a uma tediosa realidade e por me perceber vivendo esta realidade e a almejando mais e mais, a todo instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelheci, mas não queria. O Chico Buarque que canta no &lt;i&gt; Os Saltimbancos&lt;/i&gt; ainda me faz todo o sentido, mas sou um imbecil teorizando sobre as letras, dizendo que uma máquina de escrever ao fundo de uma música é genial. Envelheci, mas não queria. Fico pensando que o ator que faz um ajudante de circo não pode ser, algumas cenas adiante, um policial. Envelheci, mas não queria. Não entendo o porquê de o filme ter parte filmada nos Estados Unidos, num estúdio de Hollywood, nem compreendo o fato de um cachorro correndo na chuva não se molhar nadinha. Envelheci, mas não queria. Quero uma luta de classes no final, quero diálogos complexos, faço mentalmente citações de Marx, Hegel, Freud e o escambau. Envelheci, mas não queria. E quando o burro chora, na última cena, aceito o rótulo de piegas para aquele momento que deveria apenas ser considerado ingênuo. Envelheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos foram embora. O filme está espalhado pelo chão. Tenho ganas de assisti-lo novamente, na esperança de que desta vez o choro venha e redima o envelhecimento precoce; na esperança de que eu seja transportado para a década de oitenta, quando o Papai Noel existia, eu tinha uma namorada no Jardim 3 chamada Camila com a qual eu vi uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça; na esperança de comer novamente aquela pipoca sem sal do Cine Lido que hoje é bingo e depois andar duas gigantescas quadras até o escritório do meu pai, onde eu comeria pastel e tomaria Wimmi; na esperança de me descobrir melhor porque não sou um velho, na verdade. Sou apenas um adulto, que às vezes, quando está com saudades da namorada, lembra-se do burro de &lt;i&gt;Os Saltimbancos Trapalhões&lt;/i&gt; e chora na solidão curitibana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta. É possível que eu assista novamente ao filme, mas então o farei com um bloquinho na mão, a fim de escrever depois sobre minhas impressões. Tudo se tornou motivo para um texto crítico. A vida ficou séria, eu fiquei sério. O choro secou em mim e no burro. Dizem que não posso amar como o Didi ama, mas o amor de um vagabundo é o único amor que sei dar. Dizem que faz mal beber mé como o Mussum bebia, mas o mé em companhia de amigos me faz acreditar que estou vivo, ao menos até a ressaca. Dizem até que Dedé virou crente e que a fé no sangue de Cristo é a única coisa importante no mundo, mas aí eu lembro daquela cambalhota, ultracambalhota, bravo!, bravo!, e descubro que o sangue de Jesus, assim pasteurizado, tem menos valor para mim do que a peruca do Zacarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero a realidade. Não quero &lt;i&gt;Carandiru&lt;/i&gt; nem &lt;i&gt;Cidade de Deus&lt;/i&gt;. Não quero Godard nem Bergman. Não quero ler Wittgenstein e Kant. Pouco me interessa Saddam Hussein, Bush e Osama Bin Laden. Quero de volta a minha imaginação. O valor das pequenas coisas, desde a Wimmi com pastel de queijo, passando pelos tubos de ensaio da Bond Carneiro, pelo Capitão Gay do Jô Soares, o pluct, plact, zum que não vai a lugar nenhum, a minha BMX Monark, o autorama que nunca tive, a guerra de mamona; e chegando até o limite disso tudo, que é Luan &amp; Vanessa cantando um amor sofrido de crianças impúberes. Não quero a realidade; quero a imaginação de estar nadando mar adentro rumo à África, de achar que a amizade e o amor são eternos, de acreditar que a polícia está à minha cata só porque eu derrubei um pote de doce de leite no supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero chorar de novo vendo Os Trapalhões. Semana que vem talvez eu assista a &lt;i&gt;Os Trapalhões na Serra Pelada&lt;/i&gt;. Não quero Sebastião Salgado; quero Os Trapalhões descobrindo um veio de ouro. Nada de interpretações sociológicas ou políticas para o filme. Nada disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero só imaginar que houve um tempo em que éramos cúmplices da vida que vivíamos; e não seus exegetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(A foto que ilustra este texto é de Salim, mordomo do Barão, que se veste como se estivesse na França do século 18. O detalhe é o batom para fora da boca e a pinta no queixo. O personagem, de nome árabe, diz apenas uma fala durante o filme. O detalhe é que ele tem a língua completamente presa. Quando chamado de traidor pelo Barão, responde:&lt;br /&gt;- Realifta, fua ef-nobrefa.) &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92652266?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92652266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92652266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92652266' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92608095</id><published>2003-04-14T18:44:00.000-03:00</published><updated>2003-04-14T18:48:01.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Paulo Coelho - quase entrevista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://lethee.free.fr/paulo.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função do jornalista é perguntar, indagar. A do entrevistado, responder. Infelizmente, no caso de Paulo Coelho as perguntas, feitas numa madrugada, depois da leitura de &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, teriam como destino o lixo. Porque o escritor, de entrevista acertada, resolveu arrumar as malas mais cedo e ir para os Estados Unidos, primeiramente, e depois para Portugal, onde lançará o mesmo romance para os lusitanos. A pauta feita, o livro lido, a expectativa criada. O que fazer? Lançar tudo às cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro caso, sim. Neste, porém, acho que as perguntas desde já esclarecem algo sobre Paulo Coelho e seu livro &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, mas não só sobre ele. O objetivo, pois, deste texto, é propor ao leitor algumas considerações ao se abrir um livro de Paulo Coelho e ao assistir a uma entrevista do mago que um dia disse ser capaz de fazer chover. Afinal de contas, ele não só é nosso maior best-seller no momento como também é uma personalidade controversa, que divide os especialistas em literatura aqui no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, ao livro. &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; marca o retorno do mago à editora Rocco, onde começou sua carreira de sucesso. Pode, porém, ser ainda um marco estético, por assim dizer, porque fica evidente no romance uma tentativa do mago de se afastar do filão místico que o consagrou. Paulo Coelho, contudo, político como só um homem que vendeu 54 milhões de exemplares no mundo sabe ser, não foi capaz de assumir isso. Ou talvez este seja um grande equívoco. Seria de boa índole, pois, perguntar ao mago se ele quer mesmo marcar presença como ficcionista, sem estar preso a um filão comercial, o místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sim, a pergunta se encerra aí. Se não, ela tem um desdobramento possível. Afinal de contas, como pode alguém que carrega em sua pena o estigma de ser um escritor místico tentar se livrar disso usando, para tanto, um citação bíblica como epígrafe do livro? Um detalhe que talvez tenha passado despercebido para a maioria dos leitores, mas que não poderia passar incólume à leitura de alguém que quer entender o fenômeno literário, é o fato de a personagem principal do livro, uma prostituta, se chamar Maria. A história que está sendo vendida pelo mago é a de que o romance originou-se dos diários de uma prostituta brasileira de verdade, que travou contato com ele na Suíça. Ainda assim, como ficcionista, coube a Coelho a decisão de manter ou não o nome. E, uma vez que sua obra é marcadamente de inspiração religiosa, vale se perguntar o porquê da manutenção de um nome que evoca dois lados da mulher: o santo (Virgem Maria) e o profano, mas com possibilidade de redenção (Maria Madalena). A qual dos dois personagens bíblicos o nome se refere. E mais: se se refere à mãe de Jesus, qual o sentido desta tentativa de se criar uma polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta que não pode deixar de ser feita, ainda, em se tratando de Paulo Coelho, diz respeito à construção do seu personagem principal, que ao leitor algo mais experiente se notabilizará como dos mais frágeis já produzidos por uma literatura dita profissional. Houve, por exemplo, a preocupação com a pesquisa geográfica, ao se situar a infância e adolescência da personagem no semi-árido brasileiro? Ou o entorno da personagem partiu somente da imaginação do autor e por isso mesmo carece tanto de verossimilhança, nas coisas mais simples?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; também está sendo vendido como um livro no qual o sexo prepondera. Se isso é verdade, vale perguntar se Coelho, já tão criticado pelo uso contínuo de clichês, não teve medo de cair no mais fácil deles, que é justamente o sexual. Não há nada mais difícil, em literatura, do que fugir a certos termos sexuais para lá de patéticos. Nem certos ícones do gênero, como Anaïs Nïn, conseguem fugir do aspecto patético que é chamar o órgão sexual feminino de flor. A pergunta, pois, deveria girar em torno do perigo que é tratar tão explicitamente do assunto. O erótico vem sendo ressaltado, à medida em que o livro vai sendo lido e comentado. Ele tem, porém, outro caráter que é muito mais fiel ao “estilo” Paulo Coelho, mas que tem sido deixado de lado, não se sabe se por conivência ou se por tédio mesmo daqueles que têm se debruçado sobre o romance: o de conto de fadas. Qual dos dois enfoques, na opinião do autor, deve ser levado mais em conta na hora seja de elogiá-lo, seja de criticá-lo negativamente? Ora, se a intenção foi criar um conto de fadas, que valor literário pode ter uma história dessas hoje em dia? Em se tratando de um livro erótico, porque não se ater só ao erotismo, em vez de dar a ele um sentido didático e espiritual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em não se querendo denegrir o trabalho de Paulo Coelho, até porque isso já foi feito com mais eficiência anteriormente, acho que nada melhor do que dar a ele a possibilidade de se explicar sobre o modo como vê a literatura e seus assuntos-satélites. Logo, convém indagar-se, sobre o processo criativo do mago, se ele sofre “influência comercial”. Em outras palavras, perguntar se depois de 54 milhões de livros vendidos no mundo todo, ele, quando se senta ao computador, ainda se pergunta sobre a aceitação comercial do volume, como se fosse um aspirante à literatura torcendo para esgotar a primeira e pequenina edição. Se não, por que não inovar e não se deter em aspectos mais artísticos, preocupando-se mais com a elevação estética do trabalho do que com seu retorno financeiro. E aqui vale uma ressalva: a literatura de essência comercial nada tem de ruim, a priori. O problema é quando ela tenta se impor como arte que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente disso, é inegável que há um público que lê mais Paulo Coelho do que outro. E ele parece deixar isso claro em seus livros. Basta atentar para o fato de que os principais personagens dos dois últimos livros de Paulo Coelho, &lt;i&gt;Veronika Decide Morrer&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;O Demônio e a Srta. Prym&lt;/i&gt; serem mulheres e tratarem de temas femininos. Seria este, pois, o público-alvo para o qual Coelho escreve? Se não, como explicar esta “coincidência?” Se sim, por que seriam as mulheres as leitoras ideais de Paulo Coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale aqui retomar a questão de &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, especificamente, para enveredar por um aspecto que salva aos olhos em se tratando de Paulo Coelho: a necessidade, do autor, de ser aceito como um Escritor, assim com e maiúsculo mesmo. Algo que diria muito sobre as aptidões literárias do autor seria saber quanto tempo exatamente ele gastou (eu quase escrevo perdeu) escrevendo o livro. Sim, porque um livro com pretensão não pode ser escrito de uma hora para outra, nos momentos de folga ou nos fins de semana somente. Exige um comprometimento do artista. Isso posto, isso respondido pelo escritor, é necessário fazer uma indagação algo mais violenta, porque mais incisiva: por que Paulo Coelho, hoje imortal da Academia Brasileira de Letras, não tenta inovar sua linguagem? Por que, querendo ser um artista das palavras, lida com elas de modo tão convencional e primário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em ABL, este é um assunto mais do que em voga. Se por um lado a Casa de Machado de Assis não representa nada para quem entende um mínimo de literatura, por outro ela tem um peso político muito forte ainda sobre a mentalidade do consumidor de livros, que a vê assim como um medidor da qualidade literária dos ali presentes. Como se sabe, Paulo Coelho foi eleito para a ABL, numa eleição bastante controversa, afinal, ele nunca teve respaldo crítico e/ou teórico para tanto. Ora, o escritor se empenhou muito para conseguir entrar para a Academia Brasileira de Letras, coisas que escritores de maior talento e reconhecimento nacional jamais almejaram, como Fernando Sabino, Rubem Fonseca ou Dalton Trevisan. Ou ainda o crítico Wilson Martins, para não se ater somente aos criadores. Por que esta ambição, afinal de contas? Ou será que Paulo Coelho realmente acredita que o fato de usar um fardão o fará mais escritor do que os nomes citados? Uma vez lá dentro, graças aos votos de seus confrades, em eleição sigilosa e cheia de rituais de sociedade secreta, como é a convivência do mago? Não se pode esquecer que Paulo Coelho teve seus livros publicamente rejeitados por alguns dos nomes lá de dentro, como Raquel de Queiroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da posse de Paulo Coelho, ele cometeu uma grande indelicadeza ou equívoco. Cabe ao empossado, por tradição, fazer um discurso elogiando seu antecessor. No caso de Coelho, seu antecessor foi Roberto Campos, diplomata, economista e figura bastante odiada entre a esquerda brasileira. Descumprindo um protocolo quase secular, Paulo Coelho chamou a atenção, no discurso, para si e só para si, desdenhando para a figura quase mitológica de Roberto Campos. Isso foi pouco comentado, sabe-se lá por quê. Outro fato que foi praticamente ignorado foi a presença de uma mulher que simplesmente tirou a roupa no meio do discurso do mago. Para quê? Para protestar, disse a nudista, à época, contra a não-eleição, para os quadros daquela casa, do poeta Mário Quintana. Paulo Coelho jamais repercutiu tanto um quanto outro fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que se está num antro de escritores, a ABL, nada melhor do que aproveitar para fazer a Paulo Coelho uma pergunta clássica: quais as influência literárias dele. A pergunta seria vulgar e amadora, mas tem razão, aqui, de ser. Se ele está numa congregação de escritores brasileiros, é de se presumir que Paulo Coelho tenha alguma identidade com esta literatura. E, se tem alguma ligação, qual é? Não fica evidente, em seus livros, nenhuma ligação seja com a ironia de Machado de Assis, o formalismo de Olavo Bilac, a rebeldia de Mário de Andrade, a experimentação de Guimarães Rosa ou a violência de um Rubem Fonseca. Nada mais justo, pois, que Paulo Coelho explicite suas influência tão diluídas, numa visão otimista, ou inexistentes, sendo pessimista. Aproveitando o ensejo, vale perceber que Paulo Coelho não é um autor que se faz presente entre grupos literários atuantes hoje em dia. Será que ele tem contato com escritores mais jovens? Ou respira apenas literatura “universal”, ou seja, literatura que sai de suas fronteiras, mas não por méritos estéticos, e sim financeiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria possível fazer uma entrevista com Paulo Coelho sem perguntar-lhe qual sua posição diante das palavras dos críticos brasileiros, que parecem ser unânimes quanto à falta de conteúdo da literatura feita por ele. Isso o incomoda ou os 54 milhões de livros vendidos simplesmente ofuscam este detalhe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondidas as perguntas acima, é hora de dar uma respirada, tanto para o entrevistador, quanto para o entrevistado, e mudar totalmente o enfoque do diálogo. Vamos tratar, então, daquilo que se espera de um Paulo Coelho, ou seja, de pensamentos místicos ou sobre religião. Ele tem se declarado já há algum tempo como um católico praticante. De uns tempos para cá, porém, tem evitado tocar no assunto. Convém, pois, saber se ainda é um católico praticante e, em sendo, qual a opinião dele com relação a assuntos em pauta quando se fala de catolicismo, que vai desde pedofilia, passando por renovação carismática e chegando no homossexualismo, recentemente definido como anormalia pelo Vaticano. Ainda neste terreno espiritual, seria interessante saber qual a relação atual do mago com seu mestre de outrora, Alester Crowley. Seria interessante também saber qual a relação de Paulo Coelho com a astrologia - ciência oculta que tem despertado mais e mais o interesse de eruditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do respiro, uma volta à literatura. Uma das críticas mais recorrentes ao trabalho de Paulo Coelho se refere ao discurso fácil de seus livros. Isso nada tem a ver com colocação de pronomes ou possíveis erros de regência ou à construção de personagens. E sim com o modo como o escritor lida com aquilo que quer transmitir nos romances. A crítica diz que o grande problema de Coelho, neste sentido, é que ele dá respostas, quando a verdadeira literatura deveria, na verdade, causar imensas dúvidas no leitor. Mais: será que Paulo Coelho entende a extensão de seus “ensinamentos” para, digamos, uma mulher à cata de marido que entende os exercícios de &lt;i&gt;O Diário de um Mago&lt;/i&gt; como simpatias? Que efeito isso pode produzir em pessoas que não estão, para usar um jargão esotérico, no mesmo nível de ascensão espiritual que Paulo Coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, duas perguntinhas. A primeira é sobre a revisão dos livros de Paulo Coelho. Ele mais de uma vez manifestou-se contrário a isso. Não se sabe por quê, uma vez que a sua casa editorial, a Rocco, disponibiliza um sem-número de revisores. Paulo Coelho simplesmente não aceita isso. Por fim, uma pergunta simples, mas que dirá muito sobre o autor que vendeu 54 milhões de cópias, que é imortal da Academia Brasileira de Letras e que cancela entrevistas para viajar aos Estados Unidos a fim de comemorar os 10 anos do lançamento de &lt;i&gt;O Alquimista&lt;/i&gt; por lá (livro que, por sinal, vai virar filme): será que ele se sente satisfeito com o trabalho? Será que ele se realiza plenamente escrevendo o que escreve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a história de uma entrevista que não se completou, porque faltam as respostas. As perguntas, sem as declarações do autor, porém, não sendo propriedade de um jornalista específico, são as que devem ser feitas pelos leitores do mago, por ocasião da leitura deste &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; ou qualquer um dos livros de Paulo Coelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92608095?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92608095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92608095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92608095' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92607996</id><published>2003-04-14T18:42:00.000-03:00</published><updated>2003-04-15T11:50:38.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Mulheres que sabem sambar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=http://www.submarino.com.br/images/books/cover/193810.jpg&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último livro que li de Paulo Coelho, antes deste &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;, obviamente, foi &lt;i&gt;O Demônio e a Srta. Prym&lt;/i&gt;. Uma tortura?, me perguntam. Respondo que não foi uma tortura, e sim trabalho. Acrescento ainda que li o livro, à época do seu lançamento, por curiosidade. Eu tinha lido na adolescência &lt;i&gt;O Diário de um Mago&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;O Alquimista&lt;/i&gt;. Isso antes de Paulo Coelho ter se tornado o que é hoje: uma celebridade mundial. Queria, pois, saber se a literatura dele tinha melhorado ou, se não, ter para mim uma certeza mais atualizada, por assim dizer, da mediocridade literária do mago. Tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas ocorreram desde então. Eu havia prometido jamais ler um livro de Paulo Coelho na vida. Não por ódio ou coisa que o valha, e sim por absoluto tédio. Porque eu falaria as mesmas coisas de sempre e ninguém ouviria e tudo continuaria absolutamente na mesma. Crítica literária não serve para muita coisa mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eleição de Paulo Coelho para a Academia Brasileira de Letras é que veio atrapalhar esta decisão de tratar o mago como um ser invisível. Não que eu dê grandes créditos para a ABL, mas eu fiquei curioso. Isso: curioso. Quando &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; foi lançado, então, resolvi lê-lo. Vai ver Paulo Coelho nem é tão ruim assim, foi o que pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri o livro, pois, absolutamente motivado e querendo gostar de &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;. As pessoas geralmente acham que o crítico vê defeito em tudo, e ele quase sempre vê mesmo, mas isso não é um triunfo, e sim frustração. Porque o crítico, o verdadeiro crítico, não quer odiar o objeto de apreciação. Quer, por outra, adorar e poder dizer isso em alto e bom som e recomendar o volume a todo mundo e comprar cópias e mais cópias e distribuir para os amigos. Foi assim que abri &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;: querendo gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querer, porém, não é poder, ao contrário do que diz o clichê otimista. Querer deparar-se com uma obra de arte é, geralmente, uma frustração imensa. A arte não vem e você, leitor, fica lá, com cara de tacho, crente de que perdeu seu tempo. Foi assim que me senti cerca de duas horas depois de ter começado a ler &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;. Estava eu lá pela página 170. Faltava pouco para terminar o livro quando fui tomado por uma certeza irrevogável: daquele mato não sairia mais cachorro. Fechei o livro, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura extremamente cuidadosa destas páginas (não mais cuidadosa do que a leitura de outros livros, vale dizer) rendeu-me várias anotações. O bloquinho de papel, contudo, ia acabando e os defeitos de &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; se sucedendo mais rapidamente do que eu poderia imaginar. Na página 47, exatamente, com os dedos doendo de tanto escrever, resolvi apenas ler e tentar anotar mentalmente aquilo que rendesse algum argumento nesta crítica. Hoje, no entanto, uma semana depois, só tenho mesmo as anotações e uma certeza que se repete como mantra em minha cabeça: perdi meu tempo, perdi meu tempo, perdi meu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A começar pela epígrafe do livro. Uma epígrafe bíblica que traz justamente uma passagem entre Jesus e Maria Madalena, a prostituta que Cristo teria salvo. Isso é assustador, em se levando em conta que Paulo Coelho vem afirmando categoricamente, entrevistas após entrevistas, que não quer ser identificado como um escritor místico, religioso ou de auto-ajuda. Como usar uma coisa dessas, então? E o que é pior: com uma tradução absolutamente vulgar das Sagradas Escrituras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O itálico da citação despropositada cedeu espaço à curiosidade. E por longas páginas o crítico tentou relevar alguns defeitos. Frases fáceis demais. Algumas absolutamente absurdas, como a que praticamente inaugura o livro e que diz que, como toda mulher, Maria, a prostituta protagonista do livro, nascera virgem e inocente. Vá lá, não é uma constatação muito inteligente, não é mesmo? Simplesmente porque &lt;i&gt;toda&lt;/i&gt; mulher (e homem) nasce virgem! É como jogar uma bolinha de gude do décimo andar de um edifício: ela vai cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade, contudo, relevou estas coisas, num primeiro momento, para se deparar, logo adiante, com uma primeira besteira do livro. O problema de Paulo Coelho é que ele subestima seus leitores. Ele acha que o leitor é incapaz de concluir algo muito óbvio. Na página 16, o escritor conta a infância e pré-adolescência da menina que viraria prostituta. Ela se apaixona por um colega, mas não tem coragem de abordá-lo. Depois de muita hesitação, resolve conversar com ele. Isso logo depois de ficar menstruada, como se o fluxo mensal lhe desse algum tipo de coragem ou fosse um remédio antitimidez. Neste dia, porém, o colega simplesmente vai embora da cidade. Paulo Coelho, não bastasse ter criado uma cena excessivamente dramática, de uma pieguice insuportável, escreve: “Naquele momento, Maria aprendeu que certas coisas se perdem para sempre. Aprendeu também que existe um lugar chamado “longe”, que o mundo era vasto, sua aldeia era pequena, e as pessoas interessantes sempre terminam indo embora (...)”. Repare como Coelho muda o tempo verbal a seu bel-prazer. E repare, leitor, no uso de um jargão melodramático e falsamente elevado: vasto, aldeia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção da personagem principal, Maria, é absolutamente risível. O leitor há de me considerar um herói ao ler as primeiras páginas de um livro que conta a história de uma menina que nasce no sertão semi-árido, numa “aldeia pequena”, que não sabia nem que “existia um lugar chamado ‘longe’”, mas que aos onze anos, no sertão, “leu suas primeiras revistas eróticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos ainda na página 20 e os absurdos se sucedendo. É nesta página que o leitor tem que levantar, tomar um copo d’água, dar uma olhada na janela e respirar a brisa poluída da noite, a fim de recuperar a curiosidade que o movera a ler o volume. Afinal, nada há de mais irritante em um livro do que o uso de expressões primárias e falsamente profundas. Sabe quando adolescente escreve no diário algo absolutamente trivial, achando-se poeta por isso? Paulo Coelho tem dessas quando escreve coisas como: “embora sua alma chorasse”. Sinceramente, uma literatura adulta, profissional e pretensamente imortal não pode permitir uma imagem dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante Paulo Coelho usará todos os clichês eróticos possíveis, mas no começo do livro ele mostra toda a sua inspiração ao denominar o clitóris como um caroço. Isso mesmo: caroço. Ah, sim, isso sem contar que, aos 11 anos e tendo lido já suas primeiras revistas eróticas, Maria, a protagonista, ao se masturbar, “não sabia o nome do local”. &lt;i&gt;Local&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor é um fugitivo. E não um fingidor, que era como Fernando Pessoa definia os poetas. Àquele que escreve artisticamente cabe a fuga incessante para longe do lugar-comum. A busca pela originalidade pode ser em vão, mas é a busca do verdadeiro escritor. Ele jamais poderia, por exemplo, escrever um parágrafo como o que escrevo agora, cheio de clichês. Paulo Coelho não foge e se entrega ao lugar-comum. Não faz isso, porém, de maneira sistemática, como um Autran Dourado; por outra, faz isso porque lhe falta imaginação. Quando narra a primeira relação sexual de Maria, por exemplo. Um escritor poderia muito bem evitar o senso-comum, que detém-se antes na dor no que na expectativa do acontecimento. Pois é justamente isso que Paulo Coelho faz: detém-se na dor. E esta dor, a do rompimento do hímen, parece ser um “sinal” de que a “alma” Maria está predestinada a “chorar” pela vida inteira. Ou por boa parte dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algumas partes, &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; chega a ser engraçado. Sim, porque só se pode rir da literatura de um escritor que parece colocar personagens a esmo no seu livro. Os coadjuvantes da história aparecem de um modo absolutamente casual e são descritos de modo absurdo. Até os que não existem e são somente fruto da imaginação da protagonista são dignos de uma comédia pastelão. Porque Maria, morando numa cidade pequena no sertão semi-árido, para fugir do assédio de um patrão que quer ir para o Rio de Janeiro com ela, afirma ter na Cidade Maravilhosa um primo que luta jiu-jitsu. Calma aí! De onde jiu-jitsu? Desde quando Maria tem instrução para saber o nome de um arte marcial? E em que época é esta infância de Maria? O jiu-jitsu é popular há não muito tempo e se tornou característico de uma trupe violenta há menos tempo ainda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na página 28 Maria já está no Rio. Ela sonhava em visitar a cidade das novelas. E Paulo Coelho procura mostrar este encantamento da capiau com a metrópole de um jeito que seria lírico, não fosse escrito por um autor tão, como direi?, carente de talento. O encontro de Maria com o mar (vale ressaltar: ela morava na caatinga!) é das coisas mais estúpidas já escritas. É algo primário, feito às pressas, sem o menor cuidado. Nenhum editor sério poderia deixar passar uma coisa dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante, o ápice deste primeiro quarto do livro. Uma frase de fazer corar até mesmo os velhinhos que o elegeram para a Academia de Letras. Uma frase que poderia ser o resumo dos defeitos do livro. Contextualizando: Maria sai do semi-árido e está no Rio de Janeiro, onde recebe o convite de um estrangeiro, um aliciador ou traficante de mulheres, para trabalhar como artista no país das contas secretas. O suíço diz a ela que ela trabalhará como bailarina e que sambará numa casa noturna. Agora vale a pena prestar atenção no pensamento de Maria, narrado indiretamente por Coelho. Acho que vale até um parágrafo e itálico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“(...) como qualquer brasileira, aprende a sambar antes mesmo de dizer ‘mamãe’ (...)”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria vai para Genebra. Antes, porém, ela leva o proxeneta que a contratou a visitá-la em sua casa, no sertão semi-árido. Ele não sabe falar português, claro, mas a mãe de Maria concorda com a viagem. Lembram daquele patrão que ficou com medo do primo lutador de jiu-jitsu? Pois quando ele fica sabendo que Maria vai para a Europa diz que a ama. E Maria, ao escutar as palavras mágicas, segundo Paulo Coelho “anotou-as em seu subconsciente”. Ai, meu Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poupa-los-ei com mesóclise e tudo de uma decodificação maior das besteiras escritas por Paulo Coelho em seu primeiro trabalho como imortal. Até porque este texto corre o risco de virar uma comédia pastelão, tamanhos são os erros contidos em &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;. A leitura do livro, contudo, mostrará uma Maria primeiro inocente, depois ambiciosa, depois arrependida, depois sonhadora e, por fim, feliz. Na verdade, na verdade, &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt; é a repetição da máxima sobre a qual está construída a “obra” de Paulo Coelho: o Universo conspira a nosso favor. Há quem acredite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não dizer que não falei das flores, a edição do livro é caprichada, em capa dura. Os 200 mil exemplares da primeira edição devem se esgotar logo logo. Paulo Coelho deverá se encorajar novamente, diante da aceitação popular, e publicar outros livros num futuro próximo. Há de fazer discursos na ABL, misturando os tempos verbais numa mesma sentença, como lhe é de praxe. E eu escreverei esta frase final e voltarei para a leitura de um clássico qualquer: porto-seguro do bom gosto depois de uma overdose de Paulo Coelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92607996?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92607996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92607996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92607996' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92367168</id><published>2003-04-10T13:08:00.000-03:00</published><updated>2003-04-10T13:10:17.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Esclarecimentos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O termo neoparnasianos é só um termo. Você pode subsituí-lo por Barroco Rock´n´roll. Ou o equivalente de sua preferência. Não é pejorativo e só pretende estabelecer a diferença entre uma poesia feita com trabalho da outra, feita por inspiração e preguiça. carlos Nejar, portanto, é sim neoparnasiano, bem como seu filho Fabrício Carpinejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Este blog não pode pagar ninguém para revisá-lo. E como a produção é caudalosa (com u), erros passam, claro. Se me acharem analfabeto, paciência. Não vou ficar cuidando de tudinho só para agradar aos chatos de plantão. Tenho mais o que fazer, isto é, tenho que viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Adotarei a partir de hoje a frase: "Pai, afasta de mim este cálice". Sugestão sábia do Alessandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4. PEÇO DESCULPAS, IMENSAS DESCULPAS, POR CERTA PIADA DE MAU GOSTO PUBLICADA NESTE BLOG. ELA NÃO PRETENDIA SER UMA OFENSA NEM NADA, E SIM SOMENTE UMA PIADA DE MAU GOSTO. HOUVE QUEM A LESSE COMO UM APÊNDICE À MINHA CRÍTICA AO SEBASTIÃO UCHOA LEITE, O QUE É UM ABSURDO, MAS UM ABSURDO COERENTE (SIC). MINHAS SINCERAS DESCULPAS E MINHA PALAVRA DE QUE NÃO QUIS DEBOCHAR DA CONDIÇÃO ENFERMA DO POETA, COM O QUAL JAMAIS TIVE CONTATO PESSOAL E NEM PRETENDO TER. MINHA DESAVENÇA COM SEBASTIÃO UCHOA LEITE NÃO TEM CARÁTER PESSOAL, E SIM ESTÉTICO. AO REPRODUZIR UMA PIADA DE BOTECO, ACHO QUE ULTRAPASSEI O LIMITE POR MIM IMPOSTO DE LIBERDADE PLENA. MINHAS SINCERAS DESCULPAS, MAIS UMA VEZ&lt;/b&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92367168?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92367168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92367168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92367168' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92323151</id><published>2003-04-09T20:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-10T08:13:24.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O óbvio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso dizer uma coisa: o blog imagino-o como uma reunião de amigos. Se escrevo uma piada, por exemplo, não o faço jornalisticamente. E sim como se a contasse a um amigo. Meu mau gosto, em se tratando de piadas, é evidente. E isso não revela mau-caratismo, como podem pensar uns e outros mais afoitos. É simples reflexo da minha visão de mundo. Quero dizer: eu não levo a vida a sério. Mesmo. Que fique registrado aqui que todas as piadas de mau gosto (e também as de bom gosto) que eu porventura publicar são só isso: piadas de mau gosto. Não tem valor jornalístico, não tem valor crítico, não tem valor nem como piada — por isso é que é de mau gosto. Se os leitores deste blog forem contra algo que eu escrevo, que seja contra textos completos, facilmente identificáveis. As notinhas são meu momento de diversão diário, somente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92323151?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92323151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92323151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92323151' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257893</id><published>2003-04-08T22:19:00.001-03:00</published><updated>2003-04-08T22:20:20.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Quase-mergulho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vinha eu andando, como sempre, pelo passeio público. Era mais ou menos cinco da tarde e começava a esfriar. Ao menos eu, que estava só de camiseta, sentia um friozinho. Ali pela jaula dos mico-leões, eu reconheço, pela frente única, uma prostituta. Para quem não sabe, se é que algum leitor ainda não sabe, as putas do Passeio Público me fascinam sobremaneira. Desde que, certa vez, ouvi uma briga entre duas delas, uma gordona e uma menos baranga. A gordona ameaçava a concorrente dizendo que, se ela voltasse a fazer &lt;i&gt;pograma&lt;/i&gt; ali, iria ver o &lt;i&gt;quão &lt;/i&gt; fundas são as águas do Rio Iguaçu. Achei interessante a mulher falar “pograma” e ao mesmo tempo usar uma construção mais ou menos barroca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu ia dizendo, eu estava ali pela jaula dos mico-leões, pensando na morte da bezerra, quando vejo uma prostituta. Ela é negra e isso me chamou a atenção porque são poucas as prostitutas negras do Passeio Público. Não chegam a 10%, seguramente. Ela estava acompanhada de uma colega de profissão e dois rapazes. A colega carregava uma chave com chaveiro do Mickey e eu, andando atrás deles, prestei atenção na prostituta que usava uma desgastada frente-única verde. Ela dizia, com voz de menininha com vergonha, que não era para o cara reparar, que ela era muito magrinha. O interessante é que ela fingia uma timidez extrema, como se fosse ser desvirginada naquele momento. Como se nenhum homem tivesse visto o corpo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotei mentalmente a declaração da prostituta, que andava num passo lerdo demais para eu acompanhar. E segui adiante. Uma coisa que quase nunca me acontece no Passeio Público hoje me aconteceu. Uma das senhoras que fazem ponto ficando sentadas nos banquinhos de madeira me fez um psiu e perguntou com uma voz para dentro: “vamos?”. Respondi que não com um aceno e fiquei pensando se eu estou com cara de quem precisa desesperadamente de sexo. Acho que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui adiante. Virei à esquerda no pipoqueiro crente que está sempre com a Bíblia na mão e pregando para algum cliente. E, como sempre, andei na margem do laguinho infestado de tartarugas. Eu gosto de andar bem na beirada mesmo. Para quem não conhece, explico que o lago do Passeio Público fica grudado na calçadinha, que fica cerca de um metro, se tanto, acima do nível da água. E eu lá, passeando no Passeio, como convém, quando de repente um peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um peixe grande para caralho (para caralho/ pára, caralho/ pára, cara, alho — momento poesia concreta) deu um pulo. Sei lá o que deu no bicho. Talvez me achasse com cara de minhoca. Talvez tivesse sido mordido por uma tartaruga travessa bem na calda. Talvez tivesse banzo da piracema. Não importa. O que importa é que o peixe deu um salto muito alto e me assustou. Resultado. Eu dei um pulo. Não um pulão, claro, mas um pulinho suficiente para me fazer tropeçar e cair com um pé na calçada e outro quase dentro da água. Ajudou muito no meu quase-mergulho o fato de estar carregando uma mochila cheia de jornais e papéis importantíssimos que, uma vez molhados, me causariam múltiplos transtornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, me safei. Quando me levantava, a putinha que se fazia de tímida riu da minha cara. A filha da puta! (Estranho chamar uma puta de filha da puta) E eu fiquei me imaginando no lodo do lago do Passeio Público, molhado e cercado de tartaruguinhas, com os macacos mono-carvoeiros que habitam a ilha a rirem da minha cara e baterem palmas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257893?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257893' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257860</id><published>2003-04-08T22:19:00.000-03:00</published><updated>2003-04-08T22:19:15.746-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Consolo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que eu queria ouvir hoje era isso mesmo. Um jornalista importante me escreve, citando o antológico goleiro Waldir Peres: “Uma frango é um frango e a vida continua”. Como discordar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257860?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257860' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257826</id><published>2003-04-08T22:18:00.003-03:00</published><updated>2003-04-08T23:09:02.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Questão de vestibular&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinale com a alternativa correspondente ao nome do autor dos geniais versos: “o amor é besta/ mas para o poeta basta”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(    ) Reynaldo Damazio&lt;br /&gt;(    ) Eduardo Sterzi&lt;br /&gt;(    ) Fabiano Calixto&lt;br /&gt;(    ) Trata-se de uma criação coletiva dos 122 signatários de um manifesto qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257826?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257826' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257845</id><published>2003-04-08T22:18:00.002-03:00</published><updated>2003-04-08T22:18:57.826-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Política&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho sentido saudades de falar em política. Queria comentar o discurso do Presidente Lula (não me acostumei com isso ainda, confesso). Queria comentar a guerra que se aproxima do fim. Queria comentar um monte de coisas, mas me sinto entediado e receoso de ser comparado às mulas da direita que infestam a internet. Que eu seja de direita, tudo bem, agora, mula?!, jamais. Bem, enquanto resolvo este probleminha de fastio, publico o banner abaixo. Só para constar. O blog de onde eu o tirei está indo para os links. Claro, até resolverem abdicar do humor. Porque blog político sem humor, sinceramente, não dá para agüentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.midiaindependente.blogger.com.br/AteOsSocialistas.gif"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257845?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257845' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257801</id><published>2003-04-08T22:18:00.001-03:00</published><updated>2003-04-08T22:18:19.030-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ossos do ofício&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem li Paulo Coelho, &lt;i&gt;Onze Minutos&lt;/i&gt;. Até a página 47, fiz várias anotações. Depois li até a página 150. Até, por fim, desistir. Assim que a entrevista com o mago for confirmada, publicá-la-ei, sem mesóclises, claro, aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257801?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257801' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257789</id><published>2003-04-08T22:18:00.000-03:00</published><updated>2003-04-08T22:18:04.873-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Papa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto arrepios só de aventurar-me a citar novamente o Papa e seu livro de poesias &lt;i&gt;Trittico Romano&lt;/i&gt;, mas obrigações são obrigações. Vamos lá. Tem gente dizendo que o livro de poemas não foi sequer escrito pelo Sumo Pontífice. Isso explicaria a diferença entre o tom político deste volume e o tom mais intimista que marca as poesias anteriores de Karol Wojtyla. Os poemas deste volume de pouco mais de trinta páginas fazem menção aos conclaves que o levaram ao poder, bem como ao conclave que deve eleger seu sucessor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257789?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257789' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257777</id><published>2003-04-08T22:17:00.003-03:00</published><updated>2003-04-08T22:17:51.030-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Alto nível&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana alguns artistas foram ao Congresso Nacional para uma audiência sobre pirataria. Veja só a lista de nomes: Leonardo, Alcione, Toni Garrido, Gabriel o Pensador, Martinho da Vila, Jorge Vercilo, Sérgio Reis, Gian &amp; Giovani e Xandy. Dá para imaginar o papo-cabeça, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257777?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257777' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257765</id><published>2003-04-08T22:17:00.002-03:00</published><updated>2003-04-08T22:17:39.996-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;ECAD&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes você escutou &lt;i&gt;Aquela do Brasil&lt;/i&gt;, de Ary Barroso, entre os anos de 1994 e 2000. Você pode não se lembrar, mas segundo o ECAD, órgão que cuida da distribuição do direito autoral no Brasil, foram poucas, pouquíssimas vezes. Segundo Lobão, mártir da luta anti-ECAD e anti-gravadora, a família de Barroso recebeu pela execução da música em seis anos a monstruosa quantia de R$ 470.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257765?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257765' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3733078.post-92257746</id><published>2003-04-08T22:17:00.001-03:00</published><updated>2003-04-08T22:17:18.670-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Talento? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher que se diz escritora, Fernanda Young, afirmou querer parar de escrever os roteiros do seriado &lt;i&gt;Os Normais&lt;/i&gt;. Nada a ver com os índices do programa, que vão de vento em popa. É que Young se diz preocupada com seu talento. Ela quer mostrar que tem talento dramático e, quem sabe, escrever até minisséries. Uma idéia de Young é adaptar um de seus livros para a TV. Nãããããããããããããããããããããããããããããããããão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3733078-92257746?l=polzonoff.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3733078/posts/default/92257746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://polzonoff.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92257746' title=''/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06781377634791475935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
